Os reality shows estão entre as principais apostas das emissoras brasileiras. Exemplos de sucesso como o “Big Brother Brasil”, da Globo, e “A Fazenda”, da Record, costumam manter a audiência elevada e causar grande repercussão entre o público a cada nova edição. No entanto, alguns formatos de reality acabam sendo cancelados após algumas temporadas, ou até mesmo durante a exibição, por não atingirem os resultados esperados.
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Pensando nisso, o iG preparou uma lista com os 10 casos mais conhecidos. Confira abaixo.
Simple Life

Em 2007, a Record apostou em um reality diferente. Com a participação das “patricinhas” Ticiane Pinheiro e Karina Bacchi, o “Simple Life”, foi a versão brasileira do programa americano homônimo.
Durante a atração, a dupla vivia por alguns dias em uma fazenda, onde precisava conseguir emprego, moradia e alimentação por conta própria, sem recorrer aos privilégios da fama.
Apesar de ter uma segunda temporada anunciada, a emissora cancelou o programa em 2009. Com isso, a atração chegou ao fim após apenas uma edição.
Entre os motivos que levaram a Record a destacar a atração, estavam a dificuldade de encontrar um local par abrigar as gravações. Além disso, não havia espaço na grade da emissora devido a estreia do programa musical “Ídolos”.
Hipertensão

Outro exemplo de atração dirigida por Boninho e que não emplacou como sucesso na TV aberta foi o reality show “Hipertensão”, da Globo. O programa, que estreou em 2002, contava com provas radicais, que testavam o preparo físico, a coragem e o controle emocional dos participantes.
A produção teve duas fases distintas: em 2002, com apresentação de Zeca Camargo, e em 2010 e 2011 com apresentação de Glenda Kozlowski. A primeira versão do reality, que estava planejada para ser exibida por exatamente quatro semanas, mostrava provas de resistência, coragem e habilidade, disputadas a cada domingo, por seis competidores. A atração ia ao ar logo após o “Fantástico”.
O grupo, formado por três homens e três mulheres, se enfrentava semanalmente, concorrendo a R$ 50 mil como prêmio de cada episódio. Para conquistar o montante, os participantes tinham que realizar missões que consistiam em atravessar locais arriscados, pular de grandes alturas, conviver com insetos e outros animais, controlar a respiração e comer pratos exóticos. Quem vencesse o último desafio radical levava o prêmio.
Em 2010, a atração voltou reformulada. Foram 14 episódios e 39 desafios até a final. Sob o comando de Glenda Kozlowski, premiou o primeiro colocado com R$ 500 mil, o segundo com R$ 100 mil e o terceiro com R$ 50 mil.
Apesar do investimento alto da Globo, quando retornou à grade da emissora em 2010, o reality não repetiu o sucesso da primeira versão. Na época, o jornalista Ricardo Feltrin afirmou que o ibope do programa caiu mais de 40% em relação à primeira edição, exibida em 2002. Em 2011, o programa reestreou com 12,6 pontos, a pior média das três edições. Em 2002, a média era de 27,7 pontos.
Após não conseguir conquistar o público e se tornar um fracasso de audiência, o programa caiu no esquecimento e a Globo acabou encerrando o reality definitivamente em 2011.
The Ultimate Fighter Brasil

O reality show “The Ultimate Fighter Brasil” estreou em 2012, com grande expectativa do público. Inspirado no formato estadunidense, criado pelo UFC, o programa levou o octógono para a televisão, onde 16 lutadores de MMA estrelaram confrontos constantes. Quem perdia as lutas era automaticamente eliminado.
Apesar do sucesso que o programa alcançou em suas primeiras temporadas, a atração passou a amargar uma queda drástica na audiência com o passar do tempo. No primeiro ano, o reality foi um grande sucesso com Vitor Belfort e Wanderlei Silva como treinadores, chegando a marcar 15 pontos de ibope na Grande São Paulo.
Com o passar dos anos, a atração deixou de focar na qualidade dos lutadores e dos embates, para tomar um tom mais cômico. O horário avançado em que o reality era exibido, após o Big Brother Brasil, também contribuiu para seu cancelamento, que ocorreu em 2016 após quatro temporadas.
Em sua última edição, o programa teve uma queda de 53% de audiência, passando de 15 pontos na primeira temporada para apenas 7 pontos.
O Aprendiz Universitário

O reality show “O Aprendiz Universitário” foi uma versão especial do programa “O Aprendiz”, exibido pela Record entre 2009 e 2010. A atração, que teve a primeira temporada apresentada por Roberto Justus e a segunda por João Doria, era voltada para estudantes universitários em busca de oportunidades no mercado de trabalho e mantinha a mesma essência de “O Aprendiz”, adaptando as provas para a realidade dos jovens participantes.
As provas e dinâmicas do programa exigiam que os estudantes demonstrassem habilidades em vendas, negociações, marketing, organização de eventos e gestão de projetos. Os grandes vencedores de cada temporada eram premiados com R$ 1 milhão em dinheiro e com uma vaga de trabalho em uma empresa de renome.
Apesar de ter sido uma das apostas da Record, o reality não conseguiu alcançar o sucesso de audiência de “O Aprendiz”, apresentado por Roberto Justus de 2004 a 2009. Após apenas duas temporadas, os baixos níveis de audiência resultaram no cancelamento do projeto, anunciado por João Doria por meio do X (antigo Twitter).
The Four Brasil

O show de talentos “The Four Brasil”, foi a versão brasileira do programa estadunidense “The Four”. A atração da Record, comandada por Xuxa Meneghel, estreou em 2019, com exibição nas noites de quarta-feira.
No reality, os competidores subiam ao palco para interpretar uma música e três jurados avaliavam a apresentação. Aqueles que conseguissem passar para a segunda etapa, desafiavam um dos membros do “The Four”, previamente escolhidos pelos jurados.
O desafiante e o membro escolhido se apresentavam e a plateia do programa decidia o vencedor. Em caso de vitória do desafiante, o participante do “The Four” era eliminado e o desafiante passava a ocupar sua cadeira no grupo, ganhando imunidade.
Com apenas duas temporadas, o reality não vingou na programação da Record. Durante a exibição da segunda temporada, que foi ao ar em 2020, a atração passou por diversas mudanças de dia e horário, mas os esforços da emissora não surtiram efeito na audiência.
A última temporada do projeto foi exibida em meio à pandemia do Covid-19, o que também acabou contribuindo para o fracasso na audiência. Em abril de 2020, o reality perdeu 40% do público e registrou os piores números desde a estreia.
Segundo informações da Kantar Ibope, a atração atingiu média de 3,9 pontos na Grande São Paulo, o que representa 2,5 pontos perdidos na comparação com o primeiro episódio da temporada, que marcou 6,4 de média.
Após a queda brusca na audiência, as exibições do “The Four Brasil” foram canceladas após o fim da segunda temporada, em 2020.
Lucky Ladies Brasil

Um dos grandes sucessos de 2015, o reality show “Lucky Ladies Brasil”, comandado por Tati Quebra Barraco e exibido pelo canal a cabo Fox Life, acompanhou a vida de cinco cantoras de funk, selecionadas para viverem em uma luxuosa cobertura em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O elenco da atração era formado pelas famosas Karol Ka, Mary Silvestre, MC Carol, MC Sabrina e Mulher Filé (Yanni de Simone). Confinadas, as artistas receberam a mentoria de Tati Quebra Barraco e participaram de diversas dinâmicas musicais.
O reality tinha como objetivo principal preparar as cinco artistas em ascensão para um grande show em conjunto, algo inédito para a época. Além disso, o projeto acompanhava os conflitos de convivência e desafios enfrentados por elas durante o confinamento.
Apesar do sucesso estrondoso nas redes sociais, que resultou em uma audiência quatro vezes maior que a média do canal no horário nobre, o reality foi encerrado após o fim da primeira temporada.
The Circle Brasil

Apresentado por Giovanna Ewbank, o reality show “The Circle Brasil”, da Netflix, estreou em março de 2020. O programa é a versão brasileira do “The Circle”, exibido nos Estados Unidos.
Assim como na versão original, os participantes viviam isolados em apartamentos de um mesmo prédio e só podiam se comunicar por meio de um aplicativo desenvolvido especialmente para o programa. A dinâmica permitia que cada jogador se apresentasse aos demais da forma que desejasse, podendo até criar uma personalidade completamente diferente para enganar os rivais.
Apesar da grande repercussão e do sucesso nas redes sociais, a Netflix acabou encerrando o reality após o fim da primeira temporada.
Fama

O reality show musical “Fama”, da Globo, revelou grandes cantores brasileiros como Thiaguinho, Marina Elali e Roberta Sá. A atração, apresentada por Angélica e Toni Garrido, é a versão brasileira do show de talentos espanhol “Operación Triunfo”.
No projeto, que estreou em 2002, os participantes competiam pela oportunidade de assinar com uma gravadora, gravar um álbum e ter seu trabalho divulgado por todo o Brasil, podendo se tornar o mais novo ídolo da música nacional.
Durante o programa, os participantes frequentavam um espaço chamado Academia Fama, onde eram submetidos a uma rotina de aulas e ensaios, que os preparavam para as apresentações ao vivo, que iam ao ar durante a exibição da atração, aos sábados. Os jurados definiam quem deixava o reality semanalmente.
Ao contrário da maioria dos exemplos de nossa lista, o “Fama” foi encerrado pela Globo em 2005, após quatro temporadas, mas não por falta de audiência: a emissora optou por descontinuar a atração e apostar em novos programas musicais para renovar sua programação.
No Limite

Produzido pela Globo, o reality show “No Limite” foi exibido pela primeira vez em julho de 2000. No total, a atração radical foi exibida em três fases diferentes: entre 2000 e 2001, em 2009 e, posteriormente, de 2021 a 2023. No total, foram sete temporadas exibidas durante diferentes dias e horários das noites globais.
O programa, que era comandado por Zeca Camargo, seguiu por três temporadas até ser cancelado em 2002. Após oito anos de hiato, a quarta temporada do reality estreou em junho de 2009, mas foi cancelada após o baixo êxito na audiência. Já em 2021, a atração voltou à grade da emissora, com elenco formado por ex-BBBs.
Durante o jogo, os participantes competiam em equipe ou individualmente em provas que consistiam em competições de resistência, trabalho em equipe, solução de problemas, testes de conhecimento e até desafios envolvendo comidas nojentas.
Após três anos no ar, a atração foi cancelada novamente devido a baixa audiência, que não alcançou os altos números conquistados nas primeiras temporadas.
Game dos 100

Em 2025, a Record apostou alto no reality show “Game dos 100”, que acabou sendo cancelado após a primeira temporada. O jogo, comandado pelo casal Felipe Andreoli e Rafa Brites, foi exibido nas tardes de domingo da emissora e contou com comentários e entrevistas de Márcia Fu.
Baseado no formato internacional 99 to Beat, o programa reunia 100 competidores em desafios de resistência, habilidade e estratégia. A cada dez episódios, dez participantes eram eliminados. Na grande final, apenas dois jogadores disputavam o prêmio de R$ 300 mil.
Apesar do investimento da Record, o reality foi cancelado após sua primeira temporada devido aos baixos índices de audiência, mesmo depois de a emissora promover mudanças na programação e ajustes na produção do programa.
Curiosidade
Embora muitos realities sejam cancelados por baixa audiência, há casos em que o encerramento ocorre por decisão estratégica da emissora, por mudanças no mercado do entretenimento ou pelo término do contrato de licenciamento do formato internacional.







