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O monograma amplamente reconhecido da Louis Vuitton completa 130 anos de existência neste ano — e, para Pierre-Louis Vuitton, ele não é apenas um logotipo estampado em uma bolsa ou em um baú. É herança. E é algo profundamente pessoal.
Como o nome sugere, Pierre-Louis faz parte da família fundadora da marca – atualmente, ele ocupa o cargo de diretor de savoir-faire da maison. 42 anos depois da estreia de Louis Vuitton, em 1854, o tataravô de Pierre-Louis, Georges Vuitton, criou o lendário monograma em 1896, concebido como uma homenagem a seu pai, Louis, fundador que dá nome à marca.
“Crescer em Asnières significava conviver com ele o tempo todo — não apenas como um padrão, mas como parte integrante da minha vida cotidiana e do ambiente ao meu redor”, conta Pierre-Louis por e-mail, ao falar de sua vida na França. “Ele representa uma conexão contínua com a herança da minha família e a dedicação inabalável ao artesanato que define a Louis Vuitton. É um símbolo da nossa história e da nossa jornada em curso, e tenho imenso orgulho de seu legado.”

Um dos primeiros sketches do monograma, no final da década de 1890
Inspirada na arquitetura das catedrais góticas, a ideia de Georges ao criar o monograma era proteger a autenticidade dos designs da Louis Vuitton, diferenciando-os das imitações. Rapidamente, porém, ele se tornou algo maior: uma representação do espírito da marca.
Pierre-Louis explica que, até hoje, o monograma “funciona não apenas como um produto, mas como uma tela para a inovação contínua e a interpretação artística, tanto por designers quanto por artistas”. Segundo ele, o símbolo representa a “capacidade da marca de evoluir sem perder fidelidade à sua essência”.
Para celebrar os 130 anos, a Louis Vuitton planejou homenagear o monograma ao longo de todo o ano, em uma campanha lançada em 1º de janeiro. (O aniversário exato da criação do monograma é neste domingo, 11 de janeiro.) “Sua capacidade de ser reinterpretado garante que ele continuará sendo uma parte vibrante e essencial da Louis Vuitton — em constante evolução, mas sempre reconhecível”, diz Pierre-Louis.
Catherine Deneuve com uma bolsa Louis Vuitton
“O monograma foi fundamental para a identidade da Louis Vuitton”
Segundo o Financial Times, o 130º aniversário do monograma da Louis Vuitton “é menos um aniversário e mais uma demonstração de quão poderosas duas letras podem ser”.
As iniciais LV sobrepostas, combinadas com uma variedade de motivos folheados e geométricos, não foram um sucesso imediato. “O público foi inicialmente reticente”, relembrou Gaston-Louis Vuitton, filho de Georges. Mas, como ele próprio destacou, “meu pai manteve-se firme”.
Com o tempo, funcionou. Georges “acabou criando, ainda que inadvertidamente, um dos hieróglifos mais reconhecíveis da história dos bens de luxo”, segundo a publicação. “Não se tratava de branding como o entendemos hoje; era mais próximo de um artista assinando sua tela.” Hoje, o monograma estampado é “conhecido em todos os cantos do mundo”, afirmou o Financial Times.
Para celebrar o 130º aniversário do monograma Louis Vuitton, a marca está lançando novos modelos, como esta versão atualizada da bolsa Speedy
Para marcar o feito, a Louis Vuitton relança bolsas clássicas e apresenta novas criações. Cinco dos modelos mais icônicos com monograma estão sendo celebrados: a Speedy e a Keepall, ambas de 1930; a Noé, criada em 1932 com capacidade para transportar cinco garrafas de champanhe; a Alma, de 1992; e a Neverfull, de 2007, lançada no auge da logomania dos anos 2000.
Além de destacar os clássicos, a marca também lança a Monogram Anniversary Collection, com edições especiais que reinterpretam o monograma. A Monogram Origine Collection parte do padrão original de 1896 e o reimagina em uma nova lona de monograma — uma mistura de algodão e linho inspirada no jacquard tradicional, disponível em tons pastel suaves. A coleção VVN, confeccionada em couro natural de vaca, homenageia a tradição da Louis Vuitton em artigos de couro. Já a Time Trunk Collection resgata a estampa trompe-l’oeil e reproduz detalhes dos baús clássicos da marca.
Bolsa Alma
“O monograma foi fundamental para a identidade da Louis Vuitton”, afirma Pierre-Louis. “Ele se transformou de um simples padrão em um símbolo poderoso e reconhecido globalmente.”
“É um testemunho da visão de Georges, que compreendeu a necessidade de um emblema verdadeiramente único para a maison”, acrescenta.
“Acolhemos esses marcos com criatividade e inovação”
Não é simples para um logotipo, ao mesmo tempo, honrar um design clássico e permitir releituras contemporâneas que acompanhem a cultura — e ainda ser usado por nomes que vão de Audrey Hepburn, Catherine Deneuve e Tina Turner a Paris Hilton, Kendall Jenner e Gigi Hadid. O monograma tem sido uma fonte constante de inspiração para os diretores criativos da casa ao longo dos anos, de Marc Jacobs e Virgil Abloh a Nicolas Ghesquière e Pharrell Williams, atualmente à frente das coleções.
Tina Turner é uma das muitas celebridades na história com afinidade pela marca Louis Vuitton
Logotipos são comuns na moda — mas só existe um LV. Um relatório publicado em 4 de janeiro por Joe Foley, do Creative Bloq, observou que o símbolo “desempenhou um papel na transformação de logotipos em ícones culturais”. Não era apenas um logotipo: tornou-se “um símbolo de estilo de vida, representando riqueza e aspiração”, escreveu Foley ao analisar o impacto do monograma.
É nesse contexto que entram as celebrações do aniversário do monograma. “Abraçamos esses marcos com criatividade e inovação”, diz Pierre-Louis. Segundo ele, as novas coleções “homenageiam o legado do monograma ao mesmo tempo em que expandem seus limites no design contemporâneo”.
Celebrar o monograma ao longo de um ano inteiro — e não apenas no dia de sua criação, ou mesmo no mês de janeiro — é, segundo Pierre-Louis, essencial. “Isso reconhece o impacto profundo que esse design teve sobre a nossa maison”, explica.
“Uma celebração anual nos permite explorar sua história de forma abrangente, mostrar sua evolução e destacar sua relevância contínua por meio de diferentes iniciativas e criações”, conclui. Sem dúvida, seu tataravô Georges apreciaria o reconhecimento da Louis Vuitton a um trabalho realizado há 130 anos — e que segue ressoando com força em 2026.
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