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Foi apenas o terceiro desfile da Mondepars, grife liderada por Sasha Meneghel. É justamente pela curta trajetória de criadora e criatura que impressiona a maturidade da coleção apresentada na quarta-feira (27) no espaço Arca, na Vila Leopoldina, em São Paulo. O galpão de ares industriais contrastou com o fino acabamento da alfaiataria ora estruturada, ora fluida que Sasha adotou como identidade para sua marca. Batizada de Alda, primeiro nome da avó de Sasha, a coleção de inverno revisita as experiências pessoais e profissionais da matriarca da família, que viria a ser a primeira figurinista da filha Xuxa Meneghel.
Da delicada casa cenográfica – uma alusão ao primeiro lar de Alda, em Santa Rosa (RS) – desenvolvida em organza por Ana Arietti no centro da passarela, passando pela performance sensível entre o pai circense e a filha, referências ao convento onde viveu, ao militarismo da paixão de sua vida, e até na trilha sonora ao final do desfile, Alda esteve presente o tempo todo na apresentação. Criativa, a avó de Sasha pintava, fazia colagens, cerâmicas e figurinos. O talento é, definitivamente, caso de família, pois além da avó e da mãe, Sasha teve a participação ativa do marido, João Lucas, na direção artística do desfile. O resultado foi poderoso.
Estamos falando de uma alfaiataria sóbria, com uma evidente predileção pelos tons de marrom (a cor “difícil” que foi muito tempo tida como patinho feio da moda, mas que renasceu com aura cool), cinzas, pretos, um tantinho de bordô, outro de verde musgo no masculino e that’s it. Minimalista na cartela, maximalista na construção, Sasha tira da manga detalhes como as golas estruturadas dos paletós, a lapela que vira decote ou peplum nos vestidos, os trench coats meio robe de chambre das mulheres, costuras deslocadas e golas padre nos homens.

O momento menos austero foi justamente no look final, um vestido rendado transparente e brilhoso que pode ser escolha ideal para festas ou cerimônias. A roupa da Mondepars é bem acabada, com modelagem acertada entre o slim e o desabado, com uma atitude refinadamente relax, acentuada pelas mules de bico quadrado e escarpins de salto confortável. Cereja no bolo: as peças em madeira laminada, como os corsets, as luvas enrugadas e as lapelas removíveis – que a cliente encaixa no blazer que quiser. Coisa de gente grande. A consistente trajetória de Sasha Meneghel é respeitável e promete outras boas surpresas nas coleções que estão por vir. Acompanhemos.
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