O Banco Central do Brasil se somou nesta terça-feira (13) a um grupo de autoridades monetárias das principais economias do mundo para assinar uma carta conjunta em defesa do Federal Reserve e de seu presidente, Jerome H. Powell.
O documento reafirma a independência técnica dos bancos centrais como condição essencial para a estabilidade econômica.
A adesão brasileira ocorre em meio à escalada de pressões políticas do governo dos Estados Unidos por cortes imediatos de juros e após Powell relatar ameaças de investigação criminal.
Ao subscrever o texto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, alinha o país a instituições como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais.
No manifesto, os signatários afirmam que “a independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos”, destacando que esse princípio deve ser preservado “com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”.
Sobre Powell, a carta registra: “O presidente Powell serviu com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público.”
Apoio coordenado e pressão sobre Fed
Além de Galípolo, assinam a carta Christine Lagarde, Andrew Bailey, os dirigentes do BIS François Villeroy de Galhau e Pablo Hernández de Cos, além de presidentes e governadores dos bancos centrais da Suécia, Dinamarca, Suíça, Noruega, Austrália, Canadá e Coreia do Sul. O texto informa que novas adesões poderão ocorrer.
O movimento coletivo busca sinalizar aos mercados que as principais autoridades monetárias permanecem comprometidas com mandatos técnicos, previsibilidade e controle da inflação, mesmo diante de pressões políticas domésticas.
A manifestação internacional ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificar críticas públicas ao Fed por manter a taxa básica de juros no intervalo entre 4,25% e 4,5% desde janeiro.
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A defesa de cortes está ligada à desaceleração econômica observada no início de 2025, à inflação ainda acima da meta de 2% e ao elevado custo da rolagem da dívida pública americana, com cerca de US$ 9 trilhões em títulos vencendo neste ano.
O embate se agravou depois de Powell informar que recebeu intimações do Departamento de Justiça relacionadas a um projeto de reforma de prédios do Fed, episódio que ele próprio enquadrou como parte de uma estratégia de pressão política.
Ex-presidentes do banco central dos EUA e líderes econômicos internacionais reagiram alertando que a erosão da autonomia do Fed poderia elevar prêmios de risco e comprometer a credibilidade da política monetária.
Ao integrar o grupo de signatários, o Banco Central do Brasil se posiciona institucional em defesa da autonomia monetária, um tema sensível também no debate doméstico.
Para investidores, o gesto deve indicar coordenação internacional entre bancos centrais e funciona como tentativa de conter ruídos que possam afetar expectativas de inflação, juros e estabilidade financeira global.














