Os Correios registraram um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026; um rombo 82,35% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando a estatal registrou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão.
As informações foram divulgadas em balanço divulgado neste fim de semana pela empresa.
Em todo o ano de 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões e a previsão para 2026 é de um resultado ainda pior nas contas, segundo cálculos da própria estatal.
Os Correios têm tomado uma série de medidas para sanear as contas e projetam chegar a um superávit somente em 2027.
O último ano da estatal com primeiro trimestre no azul foi em 2022, quando foi registrado um lucro de R$ 216,7 milhões.
Nos primeiros trimestres dos anos seguintes, os resultados foram de déficit: R$ 328 milhões em 2023; R$ 801 milhões (2024); R$ 1,7 bilhão (2025); R$ 3,1 bilhões (2026).
Justificativas
O relatório contábil atribui esse desempenho a fatores estruturais e de mercado e aponta a redução persistente nas receitas de serviços postais tradicionais, somada ao acirramento da concorrência em segmentos logísticos mais rentáveis, como o e-commerce.

O documento destaca o custo de manutenção da elevada capilaridade de sua rede, necessária para cumprir a obrigação legal de universalização dos serviços postais, que exige presença em localidades remotas com baixa rentabilidade.
Outro fator foi o resultado das despesas gerais e administrativas, que passaram de R$ 1,22 bilhões para R$ 2,27 bilhões na comparação anual. Isso é resultado, segundo a estatal, de reajustes salariais, pressões inflacionárias e, de forma acentuada, pela revisão de provisões relacionadas a processos judiciais trabalhistas, cíveis e fiscais.
O resultado financeiro também contribuiu para a perda líquida, apresentando um saldo negativo de R$ 636,9 milhões, impactado pelo custo de encargos e comissões de dívidas contraídas para garantir a liquidez da operação.
Plano de reestruturação
Apesar do resultado final negativo, a estatal conseguiu apresentar um lucro bruto de R$ 153,4 milhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo bruto registrado no início de 2025, o que indica uma melhora na margem operacional direta antes do impacto de despesas administrativas e financeiras.
Para estancar o rombo e buscar o reequilíbrio fiscal, a diretoria dos Correios anunciou, em dezembro do ano passado, um plano de reestruturação focado em três frentes: corte de despesas com pessoal e administração, otimização de ativos e renegociação e captação de recursos.
Entre as medidas anunciadas, estão a tomada de empréstimos bilionários, plano de demissão voluntária (PDV), reformulação do plano de saúde dos funcionários, fechamento de pontos deficitários, venda de imóveis e revisão de contratos. O plano está em vigor.
Em nota à imprensa, a empresa reforçou que “a meta continua sendo recuperar o equilíbrio econômico-financeiro e voltar a registrar superávit a partir de 2027″.










