Sem cirurgia e com acompanhamento médico, Yasmin Brunet surpreendeu seguidores ao mostrar o antes e depois do tratamento contra o lipedema. A modelo revelou que eliminou cerca de 15 kg, reduziu mais de 14% de gordura corporal e ainda preservou praticamente toda a massa magra. O resultado chamou atenção não apenas pelas medidas, mas pela mudança visível na textura da pele.
Nas redes, Yasmin contou que a transformação vai muito além da balança. “Não é só a largura, é a qualidade da pele. O lipedema deixa a pele bem ondulada. Essa lateral é muito típica da doença”, explicou ao comparar as fotos.
Segundo ela, o primeiro passo para mudar o corpo foi retirar o glúten da alimentação. Com orientação profissional, ajustes nutricionais e treino regular, o físico também mudou por dentro: ela passou de 70 kg para 55 kg, perdeu gordura onde precisava e quase não mexeu na massa muscular, apenas 1 kg de diferença.
A ex-BBB aproveitou a repercussão para incentivar outras mulheres a procurarem diagnóstico. Muitas ainda confundem lipedema com sobrepeso, retenção ou “dificuldade de emagrecer”, quando na verdade se trata de uma condição crônica que exige atenção especializada.
O que é o lipedema, afinal?
O cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que o lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, como quadris, coxas e pernas, podendo também atingir braços.
“Esse acúmulo provoca dor, sensação de peso, sensibilidade aumentada ao toque e surgimento de manchas roxas”, afirma.
Um dos sinais mais marcantes é a preservação dos pés. “Mesmo quando há inchaço, os pés continuam livres de gordura. Essa característica ajuda muito no diagnóstico”, destaca o especialista.
Impactos além do corpo
Dr. Herik lembra que a doença afeta não só a estética, mas também a autoestima. “Muitas mulheres passam anos tentando emagrecer sem saber por que o corpo não responde. Quando descobrem o lipedema, sentem alívio por finalmente entenderem o que acontece.”
Entre os sintomas mais comuns estão acúmulo desproporcional de gordura nos membros inferiores, dor, sensação de peso, inchaço que piora ao longo do dia, celulite intensa, flacidez e manchas roxas espontâneas.
O lipedema tem origem inflamatória e forte relação com os hormônios femininos. Por isso, períodos como puberdade, gestação e menopausa podem desencadear ou agravar a condição.
Classificação do lipedema
- Tipo I: quadril e nádegas
- Tipo II: quadril até os joelhos
- Tipo III: quadril até os tornozelos, com preservação dos pés
- Tipo IV: inclui braços
- Tipo V: mais raro, atinge joelhos e panturrilhas
Tratamento envolve vários profissionais
Embora não tenha cura, o lipedema pode ser controlado. O tratamento é multidisciplinar, com suporte de cirurgião vascular, endocrinologista, nutrólogo, nutricionista, fisioterapeuta e educador físico.
As medidas incluem drenagem linfática manual; fisioterapia vascular com exercícios específicos; alimentação anti-inflamatória; uso de meias de compressão; e lipoaspiração especializada em casos avançados.
“Nem toda paciente precisa operar. Quando a cirurgia é indicada, o objetivo é remover a gordura doente preservando o sistema linfático”, explica o Dr. Herik.
Ele reforça que resultados reais dependem de constância. “É um processo de longo prazo, mas com diagnóstico correto, equipe especializada e mudanças sustentáveis na rotina, é possível aliviar sintomas e recuperar a autoestima.”












