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Valorizar e respeitar o que veio antes deveria ser um exercício obrigatório no segmento da moda, constantemente obcecado pelo novo e pelo descartável. Miuccia Prada e Raf Simons propõem dar um passo atrás e aprender com o legado do universo masculino, valorizando a vivência de roupas feitas para durar. Na coleção de inverno 2026 da Prada, assim como tudo relacionado a estilo masculino, vale a máxima: “para quebrar regras é preciso, antes, conhecê-las”. A proposta é desconstruir a tradição para construir a vanguarda.
Faz sentido, portanto, a profusão de peças clássicas do guarda-roupa de homens de todas as épocas vistas na passarela ambientada como uma casa antiga em demolição – ou seria em reforma? Estavam lá os trench-coats, as parkas e chapéus de pesca, a alfaiataria longilínea, na contramão da silhueta oversized que domina o cenário do homem no século 21.
Nada, no entanto, é banal quando se trata de Prada. Os blazers, de abotoamento duplo ou reto, ganham bolsos esportivos, nos quais se escondiam, invariavelmente, as mãos dos modelos; os casacos utilitários aparecem como pelerines coloridas sobrepostas aos trench-coats; os bucket hats dos pescadores vêm amassados, vividos, assim como a camisaria, propositalmente manchada, como se suja, guardada, e as bolsas de couro envelhecido que contam histórias de vida.
Destaque para uma parte da vestimenta para a qual não costumamos dar muita bola: os punhos das camisas. Aqui, eles aparecem maximizados, coloridos, com vida própria, sem necessariamente estarem acoplados a uma camisa tradicional. Nos pés – que marcharam ao som de bandas gótico-punks obscuras dos anos 1970 e 1980, como a irlandesa Virgin Prunes e a nova-iorquina Suicide – botas tratoradas, ao melhor estilo coturno, amarradas com cadarços de cores contrastantes, assinatura punk, mas também com utilidade no universo dos pescadores e estivadores. Em tempos incertos, mais vale play safe e reinventar clássicos ao invés da roda.





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