Cartão de crédito: 3 critérios que pesam tanto quanto os pontos

Gasto para gerar os pontos precisa ser consideradoImagem gerada por IA

Ao escolher um cartão de crédito, muita gente compara apenas a quantidade de pontos oferecida pelo banco. Mas a pontuação é apenas um dos fatores que determinam se um cartão realmente vale a pena para acumular milhas para viajar.

Parceiros para transferência de pontos, custos de manutenção e benefícios como salas VIP e seguros de viagem podem ter um impacto maior no valor que o consumidor recebe.

Antes de pedir um novo cartão, vale analisar três aspectos que costumam fazer mais diferença do que a pontuação destacada na propaganda.

1. Para onde os pontos podem ser transferidos

De nada adianta acumular milhares de pontos se eles ficam presos em um programa que oferece poucas possibilidades de uso, como é o caso de cartões co-branded de companhias aéreas, como já abordamos aqui na coluna.

Por isso, o primeiro item a analisar é a rede de parceiros disponível para transferência.

Alguns cartões permitem enviar pontos para diversos programas de companhias aéreas, tanto nacionais quanto internacionais. Outros limitam bastante as opções.

Essa diferença pode parecer pequena, mas afeta diretamente o valor que você consegue extrair dos pontos acumulados.

Um caso que eu gosto de citar sempre é o do Itaú, que permite jogar os pontos acumulados em seu programa de fidelidade somente para Latam, Gol, Azul e TAP Portugal.

Em paralelo, Bradesco e Banco do Brasil, por meio da Livelo, têm parcerias com todas essas e mais Flying Blue (Air France e KLM), British Airways, Iberia, Aeroméxico, Etihad Guest.

No caso dos Avios, moeda utilizada por programas como Iberia, British Airways e Qatar Airways, existe uma vantagem adicional: uma mesma passagem pode custar quantidades diferentes de pontos dependendo de onde ela é emitida.

Como esses programas utilizam a mesma moeda, o viajante consegue aproveitar o saldo onde encontrar o melhor custo-benefício. Isso amplia as possibilidades de resgate e aumenta as chances de economizar pontos na hora de emitir uma passagem.

Quanto realmente custa manter o cartão

Outro erro comum é olhar apenas para os benefícios e ignorar o custo necessário para ter acesso a eles.

Muitos cartões de alta pontuação exigem investimentos elevados, metas mensais de gastos ou anuidades que podem chegar a milhares de reais por ano.

Por isso, a pergunta não deveria ser apenas “quantos pontos esse cartão gera?”, mas também “quanto estou pagando para gerar esses pontos?”.

Um bom exemplo é o Revolut Ultra. À primeira vista, a mensalidade de R$ 250 (isenta com gastos a partir de R$ 30 mil/fatura) pode parecer elevada.

Mas o cartão acumula 3 pontos por dólar gasto no crédito e permite transferências para programas internacionais como Iberia, British Airways e Qatar Airways na proporção de 1 para 1.

Ou seja, cada ponto acumulado vira um ponto no programa da companhia aérea.

Considerando o dólar a R$ 5, um gasto de aproximadamente R$ 1.667 gera 1.000 pontos no Revolut, que podem ser convertidos em 1.000 Avios.

Agora imagine um cartão que acumule 4 pontos por dólar na Livelo — uma pontuação bastante alta e normalmente reservada a clientes de alta renda.

Como a transferência para programas como Iberia e British Airways ocorre na proporção de 3,5 para 1 (padrão da Livelo nestes casos), o cliente precisaria acumular 3.500 pontos para obter os mesmos 1.000 Avios

Para chegar a essa quantidade de pontos, seriam necessários aproximadamente R$ 4.375 em gastos no cartão.

Ou seja, mesmo com uma pontuação considerada excelente no mercado brasileiro, o consumidor precisaria gastar mais de duas vezes e meia para alcançar a mesma quantidade de Avios.

Outro detalhe importante é que cartões que acumulam 4 pontos por dólar costumam estar entre os mais caros do mercado. O Bradesco Aeternum, por exemplo, cobra anuidade de R$ 2.000 por ano, embora ofereça isenção para clientes com pelo menos R$ 5 milhões investidos no banco. 

Já o BB Altus Liv, que também pode chegar a 4 pontos por dólar, tem anuidade de R$ 3.600, mas permite isenção para quem concentra gastos a partir de R$ 25 mil por mês.

Os demais benefícios

Também é importante separar os benefícios oferecidos pela bandeira daqueles concedidos pelo banco emissor.

Cartões Visa Infinite e Mastercard Black, por exemplo, costumam oferecer um pacote robusto de vantagens para viajantes, incluindo seguro médico em viagens internacionais, proteção para bagagem extraviada, seguro para atraso de embarque e cobertura para aluguel de veículos.

Em geral, esses benefícios acompanham a categoria do cartão e tendem a ser semelhantes independentemente do banco.

Já outros diferenciais costumam depender da instituição financeira. O principal exemplo são as salas VIP.

Dois cartões Visa Infinite podem oferecer experiências completamente diferentes: um pode não dar direito a nenhum acesso gratuito, enquanto outro oferece visitas ilimitadas para o titular e até para acompanhantes.

O mesmo vale para benefícios como descontos em restaurantes, cinemas, teatros, ingressos antecipados para shows, etc.

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