O cantor Luan Pereira, de 22 anos, recebeu atendimento médico de urgência na madrugada do último sábado (17) após passar mal logo após um show em São Sebastião, no litoral de São Paulo. O artista deixou o local da apresentação em uma ambulância após relatar desconforto no peito e apresentar um quadro de arritmia cardíaca, além de taquicardia e pressão arterial elevada.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento em que Luan recebe os primeiros socorros ainda no espaço do evento e, em seguida, é encaminhado para atendimento hospitalar.
Segundo a equipe, o show foi concluído, mas o cantor já demonstrava sinais de mal-estar durante a apresentação. Após deixar o palco, ele foi atendido inicialmente no camarim, onde voltou a relatar incômodo no peito. Com a persistência dos sintomas, a equipe médica optou pelo encaminhamento imediato ao hospital. Luan Pereira já teve alta.
O que caracteriza a arritmia cardíaca
De acordo com o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, a arritmia cardíaca ocorre quando o coração passa a bater fora do ritmo considerado normal. “Chamamos de arritmia cardíaca a condição na qual o coração funciona com um ritmo diferente do habitual. Existem aquelas em que ele acelera, chamadas de taquiarritmias, e as em que bate mais lentamente, conhecidas como bradiarritmias”, explica.
Embora seja mais comum com o avanço da idade, o especialista destaca que o problema também pode atingir pessoas jovens. “Algumas pessoas já nascem com alterações genéticas que facilitam a ocorrência de arritmias, inclusive na infância e adolescência”, afirma.
Em adultos jovens sem histórico de doenças conhecidas, fatores ligados ao estilo de vida costumam atuar como gatilhos. “Privação prolongada de sono, consumo de bebidas alcoólicas e uso de energéticos são situações muito associadas a esses episódios”, diz o médico.
O cardiologista também cita uma condição conhecida na prática médica. “Na cardiologia, temos a chamada Holiday Heart Syndrome, ou síndrome do coração do feriado. Ela ocorre tipicamente após festas, feriados ou finais de semana e pode provocar sintomas como palpitações, falta de ar, dor no peito e, em alguns casos, desmaios”, detalha.
Quando os sintomas exigem atendimento imediato
A associação entre arritmia, taquicardia e pressão arterial elevada costuma gerar preocupação, mas nem sempre indica um quadro mais grave. Segundo Thiago Marinho, essa combinação é frequente nos atendimentos de urgência. “Não é que a arritmia faça a pressão subir diretamente. Muitas vezes, a ansiedade causada pelos sintomas e pela ida ao pronto-socorro provoca uma elevação transitória da pressão, conhecida como pseudocrise hipertensiva”, esclarece.
Por outro lado, ele ressalta que a hipertensão arterial descontrolada de forma crônica pode contribuir para o surgimento de arritmias. “Com o tempo, o coração pode aumentar de tamanho e espessura, o que favorece alterações do ritmo cardíaco”, explica.
Situações como esforço físico prolongado, estresse intenso, poucas horas de sono e uso de substâncias estimulantes também podem impactar diretamente o funcionamento do coração. “Essa associação de fatores causa uma hiperestimulação cardíaca que pode gerar arritmias, inclusive quadros mais graves”, afirma o especialista. Segundo ele, na maioria dos casos, o distúrbio se resolve espontaneamente e sem deixar sequelas.
Após um episódio de arritmia atendido em caráter de urgência, a investigação médica costuma incluir exames específicos. “Geralmente o paciente é internado e realiza eletrocardiograma, ecocardiograma transtorácico e Holter de 24 horas. O eletrocardiograma identifica a arritmia naquele momento, o Holter funciona como um monitoramento contínuo do ritmo cardíaco e o ecocardiograma avalia a força do coração, além de possíveis dilatações ou alterações nas válvulas”, detalha.
Sobre o retorno às atividades, o cardiologista orienta cautela. “O mais importante é procurar um cardiologista. O período de repouso e a liberação para atividades físicas ou profissionais dependem do tipo de arritmia apresentada”, afirma. Segundo ele, “a maioria das pessoas consegue retomar a rotina normal, sem restrições, após a resolução do quadro”.














