A Marquês de Sapucaí é um palco de transformações, mas poucas trajetórias no Sambódromo são tão sólidas e vibrantes quanto a do Camarote Allegria. O que começou como um sonho de um empresário apaixonado pelo Carnaval carioca, se transformou em uma das marcas mais desejadas da folia, e o grande maestro por trás dessa engrenagem é o empresário Diógenes Queiroz, o Bjay.
Conhecido por sua visão estratégica e um olhar perfeccionista para a experiência do sambista, Bjay conseguiu o que poucos conseguem: equilibrar o luxo de um serviço all inclusive de altíssimo padrão com a energia democrática e pulsante da avenida. Ao completar 10 anos de história, o Allegria não é apenas um espaço para ver o desfile; é um destino em si, onde a gastronomia refinada, os shows exclusivos e o atendimento impecável criam uma atmosfera que ele define como “estado de espírito”.
Nesta entrevista exclusiva ao Palcos & Telas, Diógenes nos leva para os bastidores dessa década de sucesso. Ele revela como o camarote se adaptou às mudanças do carnaval, os desafios de manter a excelência em uma operação que funciona durante todo o carnaval, e o que o público pode esperar da edição histórica que celebra os 10 anos de “pé no chão e coração na Sapucaí”.
1- O Camarote Allegria é um dos espaços mais badalados de toda a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A cada ano, o espaço se reinventa, e eu, como frequentador do camarote há alguns anos, sei que não é fácil manter o padrão de qualidade. Qual é o segredo por trás da produção desse evento gigantesco e tão desafiador? Como você avalia o sucesso do ano e projeta o próximo?
O segredo está em nunca se acomodar. O Allegria é um projeto vivo, que se renova a cada Carnaval. A gente trabalha o ano inteiro pensando na experiência: conforto, música, estética, serviço, energia, publico e entrega. Nada é feito de forma automática. O sucesso de cada edição vem desse cuidado pelos detalhes e, principalmente, de ouvir muito quem vive o Carnaval de verdade. Quando acaba um Carnaval, eu já começo a pensar no próximo. Para 2026, que marca 10 anos do Allegria, a responsabilidade é ainda maior e a entrega também.
2-Como é feita a curadoria das atrações que sobem ao palco do Allegria? Você costuma ouvir a opinião dos sambistas ou segue mais o seu feeling?
É um equilíbrio entre os dois. Eu escuto muito os sambistas, os frequentadores, as pessoas que estão ali todos os anos. O Allegria é feito para quem ama Carnaval. Mas também existe muito feeling, muita intuição, que vem de anos trabalhando com entretenimento. A curadoria precisa respeitar o momento da Sapucaí, o desfile que está acontecendo, o público da noite e a identidade do Allegria. Não é só colocar grandes nomes no palco, é criar uma trilha sonora que converse com a emoção da avenida.
3. Ano passado, o Allegria aumentou ainda mais o tamanho da sua frisa, oferecendo ao sambista e cliente do camarote, ainda mais espaço para curtir com muito conforto. Para 2026, teremos alguma novidade tão boa quanto?
O crescimento da frisa foi uma resposta direta ao nosso público, que valoriza conforto sem perder a essência do Carnaval. Para 2026, teremos sim, um novo aumento no tamanho do camarote, além de uma reorganização das áreas a parte do buffet vai ganhar um novo espaço, como uma grande melhoria e, tudo pensado para oferecer ainda mais conforto, fluidez e qualidade de experiência para quem vive o Allegria. Estamos falando de um projeto que completa 10 anos e entra em uma fase mais madura. Cada ajuste tem propósito, respeita a nossa história e melhora a vivência do público. Quem já ama o Allegria pode esperar uma experiência ainda mais especial.
4 – Entre todos os camarotes da Sapucaí, o Allegria é o que possui mais dias de festas durante o Carnaval: são nove noites pulsantes! Pra você, esse é o grande diferencial do Allegria? Oferecer ainda mais folia para o folião? Como é a sua logística para acompanhar de perto o camarote acontecendo nesses 9 dias?
Sem dúvida, esse é um dos grandes diferenciais. O Carnaval não acontece só nos dias oficiais de desfile, ele começa antes e termina depois. O Allegria abraça essa ideia, tanto que este ano, estamos inclusive promovendo visitas aos ensaios nas quadras de escolas. Mostrando que o Carnaval não é só aquele momento ali do desfile. Aquele momento ali exige muito preparo, muito estudo, muito esforço de toda uma comunidade. A logística é intensa, mas eu faço questão de estar presente. Acompanho de perto, circulo, observo, escuto. Gosto de sentir a energia do público. É cansativo, mas é também o que me move. Se eu não estiver vivendo aquilo, perde o sentido.
5. Um dos assuntos mais polêmicos à respeito dos camarotes, é em relação ao som de alguns espaços que acaba vazando para a pista e incomodando o público presente. A Liesa determinou regras e desde então, as queixas diminuíram. O Allegria é um dos espaços que tem shows na frisa, entre os desfiles das escolas de samba. Você, como proprietário do Allegria, tem um olhar atento para essa questão? Qual o cuidado do Allegria em relação a isso?
Esse é um tema muito sério para nós e tratado com total responsabilidade. O Allegria respeita profundamente o desfile das escolas e o público que está na pista. Seguimos rigorosamente todas as determinações da Liesa. Além disso, investimos em tratamento acústico em toda a estrutura interna do camarote e mantemos um monitoramento constante dos níveis de decibéis fora do espaço, justamente para garantir que o som não extrapole os limites permitidos. Temos plena consciência do nosso papel dentro da Sapucaí: o Carnaval é, antes de tudo, o espetáculo das escolas de samba. O camarote precisa somar à experiência, nunca competir ou interferir no desfile.
7. Como é feita a escolha das cores, dos temas das festas e das camisas do Allegria?
Tudo nasce de um conceito. As cores, os temas e as camisas contam uma história. Elas precisam dialogar com o espírito do Carnaval, com o momento do Allegria e com o público que veste aquela camisa com orgulho. Temos uma parceria com a Paradise que assina todo o conceito das nossas camisas. Não é só estética, é identidade. As pessoas guardam essas camisas, colecionam, criam memória afetiva. Isso é muito especial pra mim.
8. Para fechar, o que podemos esperar do Allegria em 2026? Cite alguns shows do Allegria que você está mais empolgado e que acha que irá surpreender o público presente no camarote…
2026 é um ano muito simbólico para o Allegria. Estamos celebrando 10 anos de história, e isso se reflete em uma edição ainda mais intensa, diversa e cheia de significado. A programação foi pensada como um retrato do que o Allegria se tornou ao longo dessa década: plural, democrático e conectado com diferentes ritmos e públicos. Ter nomes como Péricles, Thiaguinho, Ludmilla, Dennis DJ, Banda Eva e Pedro Sampaio mostra bem essa mistura, além de encontros inesperados e noites temáticas que prometem surpreender.















