
Em plena colheita da maior safra de soja da história, o produtor brasileiro segue cauteloso na hora de vender. Com preços em queda e margens cada vez mais apertadas, a comercialização avança em ritmo lento e permanece abaixo da média histórica.
De acordo com análise de Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, o percentual de comercialização, que gira em torno de 30%, é um patamar considerado bastante baixo para este momento da safra.
“Estamos vendo percentuais de comercialização muito abaixo do normal em praticamente todos os estados brasileiros. Isso gera grande preocupação diante de uma safra muito forte que o Brasil começa a colher e de preços que não ajudam”, afirma Silveira. O analista lembra que houve boas oportunidades de venda alguns meses atrás e que a lentidão atual tende a concentrar a oferta justamente no pico da colheita.
Com a soja sendo negociada abaixo de R$ 100 em algumas praças, a rentabilidade já está comprometida para parte dos produtores. Segundo Silveira, nesse nível de preços, muitos só conseguem fechar a conta com produtividades muito elevadas e um controle rigoroso de custos, algo que nem sempre é possível em todas as regiões.
“Com esses preços, você exige muito da lavoura. Não são todos os produtores que vão ter uma produtividade excelente. A soja a R$ 100 ou abaixo disso não entrega margem de lucro”, ressalta.
Preços podem apresentar melhora?
Diante desse cenário, segurar a soja à espera de uma recuperação dos preços também não se mostra uma estratégia atrativa. Silveira avalia que o primeiro semestre tende a ser marcado por ampla oferta global, com o Brasil colhendo uma safra recorde, estoques elevados nos Estados Unidos projetados em níveis muito confortáveis e a Argentina com potencial de produção acima de 50 milhões de toneladas. Trata-se de um período de abundância de soja, em que reter o produto por muito tempo implica custo de oportunidade ao produtor.
Além disso, o custo financeiro pesa. Com juros em torno de 15% ao ano, manter a soja estocada significa arcar com despesas de carrego e armazenagem, além de perder o chamado custo de oportunidade. “Cada mês que o produtor mantém essa soja parada, além de pagar o carrego, ele deixa de vender e aplicar esse recurso, por exemplo, na renda fixa, o que poderia ajudar a melhorar a rentabilidade”, explica.
Armazenagem
O avanço da colheita também evidencia outro gargalo estrutural: a armazenagem. Os custos não são baixos e se acumulam ao longo dos meses, tornando a retenção do produto ainda mais onerosa. Para Silveira, esperar quatro, cinco ou seis meses com a soja parada pode representar uma perda financeira relevante, especialmente sem perspectiva clara de uma alta expressiva em Chicago que compense esses custos.
“O produtor teria que ver uma explosão muito forte dos preços apenas para voltar aos níveis atuais. Do ponto de vista da comercialização, trabalhar essa soja considerando o custo de carrego no Brasil não é uma situação interessante”, conclui.
O post ‘Manter soja parada por meses significa perder dinheiro’, alerta analista apareceu primeiro em Canal Rural.








