Reddy lança novo EP ao vivo e aposta no single “Beba”

Cantora Reddy lançou o seu novo projeto, o EP ‘Reddy, Volume 1’.Reprodução/Divulgação

O novo projeto audiovisual da cantora Reddy, chegará às plataformas digitais nesta quinta-feira (29). O EP “Reddy – Ao Vivo, Vol 1” marca uma nova fase da carreira da artista, e vem recheado de referências que ajudaram a formar a personalidade musical da cantora.

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Com três faixas, o EP conta com uma música inédita intitulada “Beba”, além de regravações dos clássicos “Como Um Anjo”, sucesso interpretado pela dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, bem como “Adão e Eva”, da Banda Calcinha Preta.

Em entrevista ao Portal iG, a intérprete da música “Clichê dos Amores”, uma parceria com Gaby Amarantos e Gabeu, que integra a trilha sonora da novela das 19h da TV Globo, Coração Acelerado, contou um pouco mais sobre o projeto, como ele é o pontapé inicial para uma nova fase na carreira, sobre suas referências,  e como sua recém anunciada transição de gênero impactou o processo criativo de seu novo EP.

Portal iG: Reddy, como esse EP marca esse novo momento da sua carreira e o que muda agora com a chegada desse novo projeto?

Reddy: Nossa, esse EP faz parte de um grande movimento da minha vida e da minha carreira também, que é o meu momento de transição de gênero,  que está muito atrelada a quem eu sou e também a quem eu sou artisticamente, tanto é que a Reddy nasceu a partir do meu trabalho,  a partir da cantora, da drag queen… depois eu fui entendendo que a Reddy, de fato, era eu por completo.  E, enfim, nesse lançamento, eu estou, acho que mais leve, assim.

Eu estou conseguindo falar mais de mim, falar mais dos meus processos.  Está sendo muito mais gostoso fazer todos os processos. Desde a parte musical, a parte visual e até a parte criativa de lançamento. Então, assim, atrelando toda essa questão da minha transição de gênero, esse projeto fala muito sobre a minha verdade. As composições desse projeto são composições minhas também. Então, é um projeto que tem muito de mim nesse novo momento.

Tem muito dessa leveza. Eu sinto esse ar leve nesse novo projeto e eu estou também numa nova fase da minha vida. Então, sem dúvida, isso ia passar para o projeto.

Portal iG: Você diria que a sua transição de gênero permite que você consiga se expressar melhor agora? O fato de, anteriormente, você não ter revelado para outras pessoas quem você realmente era, te atrapalhava no processo criativo?

Reddy: Eu sempre tive um grande bloqueio criativo. Eu sempre fui muito criativa, mas eu sempre vivi um grande bloqueio criativo relacionado a acessar sentimentos que estavam muito mais internos, muito mais profundos. Eu sentia que eu conseguia acessar alguns sentimentos, só que era tudo muito superficial, de relações que eu já tive, de momentos de muita tristeza que eu já passei.

Então, era sempre alguma coisa muito grande que tinha acontecido na minha vida, que eu conseguia trazer para o lado artístico. E nesse projeto, junto com a transição… eu, sem dúvidas, consegui acessar outros lugares. Eu consegui ir muito mais fundo dentro de mim, eu consegui falar sobre coisas para além de momentos específicos que eu tinha passado, sobre sensações, sobre angústia, sobre coisas que até então eu tinha um medo, um certo receio de acessar. Então, sem dúvidas, essa nova fase faz com que, criativamente, eu seja muito mais eu também.

Portal iG: Como é para você ser uma artista transexual, cantando gêneros como o sertanejo e o forró, geralmente dominados por pessoas cis (aquelas que se identificam com o gênero atribuído no nascimento)? 

Reddy: Cara, é muito doido isso, porque eu entendo que é uma novidade, que não existem muitas pessoas fazendo o que eu estou fazendo,  especificamente no mercado. Só que é tão genuíno, e eu sempre falo, quando as pessoas me perguntam sobre isso, é tão genuíno para mim,  quem eu sou e o que eu faço, que não é um grande peso que eu carrego.

Eu realmente não fico pensando: “Cara, eu estou num ambiente que é majoritariamente muito machista, e que muitas vezes não está aberto para o que eu estou fazendo, para a minha proposta”. 

Só que é isso. É tão eu, é tão o que eu amo fazer, o que eu faço desde sempre, e é uma construção que é tão pé no chão, que é realmente tão genuína, que eu acabo nem me questionando muito mesmo. 

É uma coisa que é muito natural para mim, e que eu amo fazer. Então, acaba que, por mais que exista esse peso e essa realidade em cima disso, e que eu esteja atenta também a esses movimentos, o que as pessoas estão comentando, o que as pessoas estão falando, eu acho que eu não carrego um peso em relação a isso.

Portal iG: Por que você escolheu um projeto ao vivo para marcar essa nova fase?

Reddy: Eu sempre sonhei em ter um projeto ao vivo, em ter um DVD, em poder cantar. Eu amo fazer show, eu amo estar no palco e cantar com potência, com emoção. E eu sinto que quando eu gravo algum projeto ao vivo, quando eu gravo ali no estúdio, por mais que eu consiga trazer camadas para a música, por mais que eu consiga trazer sentimento para a música, para mim não tem nada que se iguala ao ao vivo, porque você está ali sentindo na hora, você está ali, é muito real.

E eu amo esse sentimento de ser visceral, de estar ali colocando o que você tem no momento para fora.  E eu acho que essa naturalidade me encanta. Então esse projeto, por se tratar de um projeto que é muito atrelado ao que eu sou, à minha naturalidade, ao meu eu por completo, eu tinha que trazer algo ao vivo também, que demonstrasse o que eu estava vivendo ali na hora.

Esse projeto foi gravado ali, tanto a parte musical quanto a parte visual. E eu acho que tem esse peso de ser uma coisa muito visceral,  muito sentimental e muito… Vou usar um termo que eu não gosto, mas… “No pelo”, sabe? 

Portal iG: Você tem uma faixa inédita, chamada Beba. O que ela significa para você nesse momento? 

Reddy: Nossa, essa música é muito sertanejona. E ela é muito comercial. Tem muitas referências de Marília Mendonça nela.  Na verdade, esse projeto por completo,  ele tem muita referência da Marília, porque ela é uma super referência para mim. Mas essa música, especificamente a “Beba”, eu sentei e falei: “Olha, eu quero uma Marília, sofrência, que seja muito comercial, mas que seja muito fácil, muito boa,  que a melodia pegue”.

E essa música, para mim, ela é muito boa, é muito, muito boa. E desde o momento que ela surgiu, até ela entrar no projeto, enfim, ela ser selecionada para ser o single do EP, eu já sabia que ela teria um destaque muito grande nesse projeto, porque ela realmente vem tendo esse destaque desde quando ela nasceu lá em Goiânia. 

Portal iG: Como surgiu a ideia de misturar músicas clássicas do sertanejo e do forró? Como elas serão trabalhadas no álbum?

Reddy: Então, por mais que eu tenha crescido dentro do sertanejo com essas influências e referências, eu também sempre amei e tive muitas influências de música brasileira, do forró, do axé, de coisas que trazem uma grande brasilidade.

Eu amo instrumentos que também são muito específicos nesse tipo de música, como o trompete, o saxofone, os metais, instrumentos de sopro e percussão. Eu amo muito isso. Eu amo o carnaval também. E eu acho que o carnaval tem que ter um pouco de forró. 

Eu acho que o forró carrega o Brasil também nas costas desde muito antes. E o sertanejo muitas vezes se mistura com o forró também, né?  Com a pisadinha, com o forró, com todas essas influências e referências. Então, eu sempre quis, na verdade,  tem várias músicas minhas que já tem ali um pouco disso que realmente são referências que eu carrego desde sempre.

Mas nesse projeto específico, eu quis trazer mais isso. Inclusive, eu regravei “Como Um Anjo”, que é uma música sertaneja que fez muito sucesso na voz de César Menotti Fabiano. E eu trouxe ela nesse projeto com uma pegada de forró também, porque eu sinto que o forró traz esse brilho, ele deixa a música solar também.

Reddy.Foto: Reprodução/Divulgação

Portal iG: O que é que seus fãs podem esperar dos próximos lançamentos?

Reddy: Caramba! Eu não sei nem o que eu posso esperar, na verdade. Mas é sempre uma surpresa. Muitos projetos vão sendo feitos em paralelo. Eu tenho um projeto encaminhado, que é o meu projeto de vida, é um álbum que tem muitas referências de quem eu sou musicalmente.

Ele tem um peso muito sentimental para mim também,  um peso espiritual também. Então, é um projeto que eu estou trabalhando com muita calma. Eu não sei quando ele vem, mas ele também é um projeto ao vivo, é um projeto maior, inclusive.

E em paralelo a isso, eu também penso em outras coisas ao vivo também. Eu acho que é um formato que eu amei fazer, eu amei mesmo.  Foi muito gostoso, foi muito… Sei lá, parecia que foi muito leve, assim.

E geralmente, para mim, é muita tensão gravar um clipe, gravar um projeto visual, assim. E esse foi tranquilo, foi leve.  Acho que foi um dos mais leves que eu já gravei. Então, eu pretendo vir com mais coisas ao vivo. Não sei exatamente, não tenho nada muito estruturado. Eu gosto de deixar as coisas acontecendo, mas as coisas já estão rolando internamente para que, enfim, os passos sejam maiores, sempre, cada vez mais.

Portal iG: Você pretende incluir mais faixas nesse EP? 

Reddy: Então, esse EP vem agora uma parte antes do Carnaval, agora em janeiro. A gente lança três faixas, que é Beba, Adão e Eva, e Como Um Anjo. Mas depois do Carnaval, a gente vem com uma segunda parte desse mesmo projeto, que gravamos, só que aí é com outra vibe,  as músicas são mais densas, são mais viscerais, são mais tristes também.

Mas ele não deixa de ser um projeto que, ao todo, é muito comercial. Ele é muito pensado mesmo para que as pessoas fiquem com as músicas na cabeça e cantem, às vezes, sem estar percebendo, sabe?

Portal iG: A segunda parte do EP contará com outras músicas autorais?

Reddy: Na verdade, a regravação da segunda parte também é uma música autoral, é uma regravação de uma música minha.  Eu regravei a “Clichê dos Amores”, porque ela está na novela (Coração Acelerado, da Rede Globo) e aí eu queria muito fazer uma versão dela ao vivo, e queria muito poder cantar ela igual eu canto nos shows.

Então, eu aproveitei também esse link da novela, e que vai ficar um tempo tocando a música na Globo, que é uma superplataforma, e também trouxe essa regravação que é uma música que eu amo, e as minhas fãs também amam muito.

Portal iG: Então, a gente pode esperar que essas músicas tenham um lado mais visceral, sentimental, ligado até à sua transição, a essa mudança que você está vivendo?

Reddy: Sim, sim. As músicas, todas elas se ligam num conceito de serem mais boêmias, de terem essa vibe do bar e do sofrimento nesse ambiente, assim.

Então, eu acho que eu falo dos meus sentimentos nesse projeto, nessas letras, nessas melodias, mas também com esse viés, com esse viés do bar, da vida noturna também, ali na segunda parte, principalmente. Então, eu atrelo a questão dos meus sentimentos internos junto com esse conceito do bar, da boemia.

Portal iG: Quais são suas expectativas para esta nova fase?

Reddy: A minha expectativa é muito grande pra esse projeto, justamente por ser um projeto que fala mais de mim, que tem mais a minha essência,  por estar vivendo também uma grande fase de mudanças, tanto relacionada à minha transição de gênero, quanto relacionada à minha mudança também de casa.  Eu me mudei de cidade, eu estou longe da minha família agora, estou morando com o meu namorado.

Então, são muitas mudanças, um momento de muito aprendizado, de muito conhecimento também, parece que eu estou conhecendo o mundo de novo, estou me conhecendo não só de dentro pra fora, mas eu estou me conhecendo em novos ambientes, me conhecendo em novas situações, com novas pessoas. Então, a expectativa é muito alta mesmo, porque eu estou vivendo essa fase de grandes mudanças.

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