Vamos deixar uma coisa bem definida.
Aquele seriado malicioso que fizeram sobre Hebe na TV Globo jamais pode ser considerado real. Primeiro porque a emissora não poderia ter escolhido aquela atriz para interpretá-la. A atriz se parece, sim, com Eva Perón.
O texto que fizeram sobre Hebe beira a heresia. É um acinte e uma bobagem sem tamanho.
Hebe jamais ficou bêbada, nem no palco, nem no camarim, nem em lugar algum. Não se pode dizer que aquilo era uma alegoria, porque não se deve mentir quando se retratam personagens reais. Embora, infelizmente, a história do nosso país seja marcada por versões distorcidas dos fatos.
Hebe jamais tomou uísque. Ela gostava de vodca e champanhe. Vamos começar exatamente por aí.
Quando você mostra uma cena de Hebe com um uísque na mão, está retratando algo que jamais foi real. Da mesma forma, quando a apresenta alcoolizada em um camarim, exibe uma situação que nunca aconteceu.
Todas as amigas de Hebe, que costumavam viajar com ela, são testemunhas de que, quando faziam festas e bebiam à noite, ela jamais se mostrava alcoolizada. E, na manhã seguinte, era sempre a primeira a acordar, pronta para passear pela cidade onde estivesse.
Eu também sou testemunha de um jantar que tive com Hebe, em 2009. Ao meu lado, ela bebeu uma garrafa de champanhe entre dez da noite e duas da madrugada. Mesmo assim, permaneceu absolutamente lúcida e ainda me acompanhou até a saída da festa onde estávamos.
Uma emissora do porte da TV Globo jamais deveria ter feito o que fez ao apresentar um seriado sobre Hebe de maneira tão irresponsável, ferindo sua imagem e sua história.
Hebe Camargo foi, sim, a rainha da televisão brasileira, de uma forma que nenhuma outra mulher conseguiu ser.
Hebe era a rainha. As outras eram o que desejassem ser.







