Era uma vez uma borboleta azul, muito linda e que gostava de voar. Um dia, ela viu de longe um escorpião e se aproximou dele.
O escorpião se espantou ao ver uma borboleta tão linda e azul querendo lhe fazer companhia. Ele ficou encantado com a borboleta.
E os dois começaram a passear: a borboleta voando devagar e o escorpião caminhando rapidamente.
O escorpião passou a manter o ferrão encostado nas costas, sem o mover. Parecia que ele nem tinha ferrão.
A borboleta azul levava o escorpião para passear por todos os lugares. Caminhavam pelos jardins e pelas avenidas.
O escorpião ficava muito contente por ter a borboleta azul ao seu lado nos passeios. Pela primeira vez, sentiu que tinha alguém que gostava dele.
Era algo diferente. Ele estava acostumado a ficar sozinho, já que todos se afastavam dele com medo.
Mas agora tinha a borboleta azul caminhando com ele, sem medo algum. Aquilo o deixava muito feliz.
Mas certa noite, algo estranho aconteceu.
A borboleta dormiu ao lado do escorpião, como fazia sempre. Naquela noite, o escorpião sentiu o ferrão se movimentar nas costas dela.
Um movimento lento. Até que ele percebeu o ferrão sair e picar as costas da borboleta.
A linda borboleta azul acordou com muita dor. Assustada, perguntou:
“Você sempre foi tão gentil comigo. Por que agora me picou com o seu ferrão?”
O escorpião, triste, respondeu que aquele era seu instinto e que não conseguiu controlá-lo.
Nesse momento, a borboleta azul, com muito esforço e dor, conseguiu se afastar e começou a voar. Ela queria ir para longe, o melhor que podia fazer.
Voava enquanto lágrimas corriam pelo seu rosto.
Só se sabe que ela voou até ficar bem longe do escorpião. Ela conseguiu superar aquela ferroada.
Mas, a partir daquele dia, jamais se aproximou de um escorpião novamente.
Se o leitor encontrar um escorpião em algum lugar, cuidado: não acredite nele.
A borboleta acreditou… e viu no que deu.







