Fiocruz alerta sobre riscos de infecções no Carnaval 2026

Carnaval deve intensificar aglomerações em meio ao aumento de casos de infecções respiratóriasAlex Ferro / Riotur

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou para a necessidade de cuidados durante o Carnaval diante do aumento de infecções respiratórias em estados da Região Norte.

O aviso está na nova edição do Boletim InfoGripe, desta quinta-feira (05), que identificou crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia. Nos demais estados, os registros seguem em queda.

Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, pessoas com sintomas de gripe ou resfriado devem, de preferência, ficar em casa e descansar. Caso decidam participar das festas, a orientação é “usar uma boa máscara e ficar em locais bem arejados, a fim de diminuir as chances de transmissão do vírus”.

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Situação nos estados do Norte

No Acre e no Amazonas, o aumento de casos de SRAG está ligado principalmente à influenza A, que afeta jovens, adultos e idosos, e ao vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pelo crescimento de casos entre crianças pequenas.

Em Roraima, o avanço ocorre sobretudo entre crianças, enquanto em Rondônia os casos graves aumentaram principalmente entre idosos. De acordo com Portella, ainda não há exames laboratoriais suficientes nesses dois estados para identificar com precisão o vírus responsável pelo crescimento recente.

Entre 25 a 31 de janeiro, apenas as quatro das 27 unidades federativas apresentaram níveis de alerta ou risco para SRAG. Entre as capitais, Manaus (AM) e Porto Velho (RO) registram crescimento recente. Brasília (DF), Boa Vista (RR) e São Luís (MA) seguem com incidência elevada, mas sem aumento no longo prazo.

Diante do aumento da influenza A no Norte, a Fiocruz reforça a importância da vacinação dos grupos prioritários, como idosos, indígenas, pessoas com doenças pré-existentes e profissionais de saúde.

Com a chegada do período de maior circulação do VSR, a pesquisadora também destaca a importância da vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, medida que ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

Panorama no país

No restante do Brasil, os casos de SRAG seguem em queda, resultado da menor circulação de vírus como influenza A, Covid-19 e VSR.

Em 2026, já foram registrados 4.667 casos da síndrome em todo o país. Desse total, 1.371 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, 1.952 apresentaram resultado negativo e pelo menos 995 ainda aguardam conclusão dos exames.

Nas últimas quatro semanas analisadas, entre os casos confirmados, a influenza A respondeu por 19,3%, o rinovírus por 32% e a Covid-19 por 22,3%. Entre as mortes, a Covid-19 esteve presente em 45% dos casos, seguida pela influenza A.

Os dados mostram que a SRAG atinge com mais frequência crianças pequenas, enquanto as mortes se concentram principalmente entre idosos.

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