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Aos 75 anos, Tommy Hilfiger continua olhando para frente. Depois de quatro décadas transformando o sportswear americano em um fenômeno global, o estilista vê o universo esportivo ocupar um papel cada vez mais relevante na cultura contemporânea. Mas essa relação não começou agora. Foi na vela e no estilo de vida náutico que nasceram alguns dos códigos que ajudaram a construir a identidade da marca, das listras bretãs ao icônico logo inspirado nas bandeiras marítimas.
Hoje, essa conexão ganha novos capítulos com parcerias que vão da Cadillac Formula 1 Team ao Liverpool FC, passando pela equipe americana de SailGP e pelo astro da NFL Travis Kelce, além das comunidades de fãs que orbitam esses universos ao redor do mundo. Em conversa com a Forbes, Hilfiger fala sobre pertencimento, estilo, a ascensão dos atletas como ícones culturais e por que acredita que a próxima grande fronteira da moda está muito mais nas pessoas do que nos produtos.
Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
O esporte sempre esteve presente no DNA da Tommy Hilfiger. O que mudou nos últimos anos para que ele ganhasse um papel ainda mais central na estratégia da marca?
Ao longo dos nossos 40 anos de história, sempre conectamos a marca à cultura pop por meio da moda, da música, do entretenimento e do esporte. Hoje, o esporte é uma das maiores influências na forma como as pessoas se vestem, se conectam e expressam sua identidade.
Nossas parcerias refletem exatamente esse movimento. Cada uma delas nasce da cultura e da comunidade que existem ao redor desses esportes.
São modalidades bem distintas, o que conecta esses universos?
Autenticidade. Só entramos em espaços que tenham uma conexão genuína com a marca. A vela representa nossa herança. A Cadillac Formula 1 Team une inovação e performance. Travis Kelce transcendeu o esporte e se tornou uma figura cultural. Apesar das diferenças, todos compartilham um mesmo espírito de evolução.
A Fórmula 1 se tornou uma plataforma cultural muito maior do que as corridas. Como enxerga esse movimento?
Os fãs já não acompanham apenas as provas. Eles se conectam às personalidades, ao estilo de vida e às histórias que existem ao redor do esporte. Essa é a essência do que chamamos de fashiontainment: a união entre moda, esporte e entretenimento. Hoje a Fórmula 1 influencia muito mais que o automobilismo, ela influencia a cultura.
A chegada de Checo Pérez como embaixador global reforça a ideia de que pilotos se tornaram ícones de estilo. O atleta moderno precisa de relevância cultural?
Não acredito que ele precise conquistá-la. Os grandes atletas já possuem relevância cultural. Nosso papel é ajudá-los a expressar quem são de forma autêntica, dentro e fora das competições.
O que mais te atrai no futebol?
Desde que trabalhei como estoquista em uma loja de artigos esportivos aos 14 anos, entendi que o esporte é uma poderosa linguagem cultural capaz de unir pessoas de diferentes lugares e gerações. O Liverpool FC é um dos maiores exemplos disso. Hoje o futebol vai muito além do estádio. Ele influencia moda, entretenimento e comportamento.
Como equilibrar performance, desejo e expressão pessoal nas coleções esportivas da marca?
Nunca enxergamos performance e estilo como opostos. Construímos nossa história reinterpretando peças clássicas do sportswear sob uma perspectiva contemporânea. A coleção SailGP Verão 2026 traduz bem essa ideia ao unir funcionalidade e estilo para dentro e fora da água.
Existe algo particularmente inspirador na estética náutica para você?
Sempre fui inspirado pela sensação de liberdade associada à vida no mar. Desde o início, procurei incorporar esse espírito à marca por meio de referências da vela, como as listras bretãs e o logo inspirado nas bandeiras de sinalização marítima. Essa herança continua sendo uma fonte de inspiração.
Estamos vivendo a era do atleta como novo formador de opinião global?
Com certeza. Travis Kelce é um ótimo exemplo. Ele transita naturalmente entre esporte, entretenimento e moda, influenciando diferentes gerações. É exatamente esse tipo de conexão cultural que nos interessa.
Como as colaborações esportivas ajudam a construir comunidade em torno da marca?
O esporte cria identidade e pertencimento. As pessoas não compram apenas uma peça de roupa. Elas compram uma história, uma memória e uma forma de mostrar quem são e o que representam.
O que vê como a próxima fronteira entre moda e esporte?
A cultura dos fãs. As novas gerações têm orgulho de mostrar quem apoiam. A roupa se tornou uma espécie de distintivo de pertencimento.
Se pudesse vestir um único momento da história do esporte, qual seria?
A Cadillac Formula 1 Team durante o Grande Prêmio de Miami. Miami reúne muitos dos elementos que me inspiram: a energia das corridas, o estilo de vida à beira-mar e uma visão contemporânea do estilo americano.
Se a Tommy Hilfiger fosse um esporte, qual seria?
A vela. A cultura náutica foi o ponto de partida da marca. Sempre quis representar o senso de liberdade e possibilidades que existe na vida a bordo.
O que ainda desperta sua curiosidade depois de tantas décadas de carreira?
Sempre o que vem a seguir. É fascinante observar como as novas gerações usam a moda para expressar quem são. A cultura nunca para de evoluir e uma marca precisa evoluir junto com ela para sobreviver ao longo do tempo.
Depois de construir uma carreira tão sólida, o que define luxo para você hoje?
Hoje, luxo é liberdade. Liberdade para passar tempo com as pessoas que você ama, viajar, manter a curiosidade viva e escolher viver de acordo com os próprios valores.
O post “O Esporte É uma Linguagem Cultural”, Diz Tommy Hilfiger apareceu primeiro em Forbes Brasil.










