Os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (20), que derrubou o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump desde o ano passado, podem afetar diretamente os produtos brasileiros e o cenário exige cautela.
Essa é a opinião da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), manifestada por comunicado divulgado após o anúncio da criação de uma nova taxa global de 10%, dessa vez com base na Seção 122 da lei de comércio norte-americana.
De acordo com comunicado da Fiesp, embora a decisão da Suprema Corte favoreça os exportadores nacionais ao revogar a maioria das sobretaxas vigentes, incluindo a alíquota de 40% que incidia exclusivamente sobre o Brasil, o cenário exige cautela.
A Federação destacou que o presidente Donald Trump também ordenou o início das investigações sob a Seção 301 da mesma lei e o Brasil é um dos poucos países do mundo que já estão em investigação desde julho de 2025.
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“Com isso, os produtos brasileiros poderão ser atingidos por novas sobretaxas muito antes de nossos concorrentes internacionais, cujos processos de investigação se iniciarão a partir dos anúncios de hoje”, acrescentou.
E enfatizou que setores estratégicos como aço, derivados de alumínio, madeira e veículos permanecem sobretaxados pelos dispositivos de segurança nacional da Seção 232, que não foram objeto de contestação da Suprema Corte.
“A Fiesp manterá vigilância rigorosa sobre os desdobramentos destas decisões, reiterando a diplomacia empresarial como o caminho mais eficaz para superar entraves e fortalecer a relação comercial com os Estados Unidos”, concluiu o comunicado da Fiesp.
CNI aponta impacto bilionário
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também está acompanhando os desdobramentos da suspensão das sobretaxas impostas pela International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) anunciada nesta sexta-feira.
“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Ele destaca, contudo, que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.
Um levantamento divulgado pela CNI aponta que a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% impostas ao Brasil pelo governo norte-americano impactaria o correspondente a US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.
A CNI enfatiza ainda que a decisão divulgada nesta sexta derruba especificamente aquelas tarifas impostas com base na IEEPA.
“Permanecem em vigor outras tarifas adotadas com base em diferentes instrumentos legais, especialmente as da seção 232 da Trade Expansion Act relacionadas a razões de segurança nacional, como aço e alumínio. Além disso, investigações e medidas relacionadas à seção 301, de instrumento voltado a práticas consideradas desleais, permanecem abertas e podem resultar em novas medidas dos EUA sobre o comércio brasileiro”, finaliza.












