A Azul anunciou, na noite desta sexta-feira (20), que concluiu o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. A reestruturação havia sido iniciada em maio de 2025 com o objetivo de reorganizar dívidas e melhorar a saúde financeira da empresa.
Em comunicado, a aérea afirmou que promoveu uma “transformação abrangente” em seu balanço e operações, destacando o fortalecimento da liquidez e a redução de despesas com arrendamentos e outros passivos.
O mercado reagiu de forma expressiva. As ações chegaram a avançar mais de 50% perto do encerramento do pregão e fecharam o dia com alta de 60%, cotadas a R$ 230,28 o lote de 1 milhão de papéis.

Antes de recorrer ao Chapter 11, a Azul acumulava dívida bruta de cerca de R$ 35 bilhões, com alavancagem de 5,2 vezes.
Como parte dos acordos para levantar recursos, a companhia recebeu aporte de R$ 550 milhões da parceria estratégica com a United Airlines e firmou compromisso de investimento adicional, no mesmo valor, com a American Airlines, operação ainda sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A empresa também captou mais de R$ 7,5 bilhões em novos títulos de dívida para viabilizar a saída do processo.
O encerramento da recuperação já era esperado pelo governo federal. No início de fevereiro, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, indicou que o processo poderia ser concluído em até 30 dias.
Ao final da reestruturação, a Azul opera com cerca de 170 aeronaves, ante 184 aviões antes do pedido de recuperação nos EUA. A malha aérea também foi enxugada: atualmente, a companhia atende aproximadamente 130 cidades, frente a cerca de 160 destinos anteriormente.
Entre as principais companhias aéreas brasileiras, a Azul foi a última a recorrer ao Chapter 11, após movimentos semelhantes de Gol Linhas Aéreas e LATAM Airlines Group.
Na véspera do anúncio da saída do processo, as ações da empresa haviam recuado 36,27% após a aprovação de uma emissão bilionária de novos papéis para financiar a reestruturação.
Antes de ingressar no pedido nos Estados Unidos, a Azul chegou a discutir uma possível fusão com a Gol, tratativas que foram suspensas enquanto a companhia priorizava o plano de recuperação financeira.












