Luísa Sonza voltou a falar sobre o processo por danos morais relacionado a um episódio de racismo ocorrido em 2018. Durante participação no programa Desculpa Alguma Coisa, exibido no YouTube, a cantora afirmou que amadureceu após o caso, passou a compreender melhor seu papel como mulher branca e defendeu que mudanças de comportamento são demonstradas por atitudes. Ao comentar o assunto, Luísa Sonza afirmou que prefere não usar ações sociais como forma de justificar erros do passado. “Tem muita coisa que eu patrocino, mas gosto de ser quem sou e não tentar me justificar, não tem necessidade”, declarou. Em seguida, contou que apoia há sete anos o projeto TPM (Todas Podem Mixar), voltado principalmente para mulheres pretas.
Luísa Sonza fala sobre responsabilidade
Durante a entrevista, a cantora afirmou que passou a refletir sobre o impacto de suas atitudes na sociedade. “Se colocar e se entender como mulher branca é muito importante, e acho também que, com o tempo, a gente vai conseguindo entender mais”, disse. Ao relembrar o processo, Luísa Sonza afirmou que não teve intenção de cometer um ato racista, mas reconheceu que isso não elimina os efeitos da situação. “Quando você vê, toma um susto do tipo: ‘Meu Deus, eu sou a vilã’. Mas, ao mesmo tempo, não sente que é, porque, por exemplo, o processo que aconteceu não foi uma coisa que eu tive a intenção. Eu tinha 18 anos, aconteceu muitos anos atrás”, sinalizou.
“Mas é que não é sobre mim, é sobre o outro. É sobre como o outro se sente. E meu comportamento, não de pessoa individual, mas como pessoa social, que atinge muitas pessoas, tem que contribuir para não seguir essa estrutura que é racista, elitista, machista, enfim”, declarou. A artista também afirmou que procura se atualizar constantemente. “O que eu busco fazer é sempre estar me atualizando, sempre buscando o melhor e sempre, claro, por trás das câmeras. Acho que a melhor justificativa ou a melhor desculpa são as atitudes”, declarou.
Em outro trecho, acrescentou: “Acho que é isto que nós, como mulheres brancas, temos que carregar de forma muito forte: a luta contra o racismo e o problema do racismo é com a gente, não com as pessoas pretas. A gente tem esse dever”, pontuou.
Processo terminou em acordo judicial
O caso citado por Luísa Sonza teve origem em 2018, durante um festival realizado em Fernando de Noronha. A advogada Isabel Macedo de Jesus afirmou que a cantora a confundiu com uma funcionária do local e pediu que ela lhe servisse água. Segundo a autora da ação, a abordagem ocorreu em razão da cor de sua pele. O episódio veio a público em 2020. Na época, Luísa Sonza negou as acusações. Em outubro de 2022, durante a tramitação do processo em segredo de Justiça, a artista reconheceu o erro, pediu desculpas publicamente e afirmou que buscaria reparar suas atitudes. Em agosto de 2023, a ação foi encerrada após um acordo judicial que previu o pagamento de uma indenização.






