O Brasil também tem sua cumbia. Fazendo jus à nossa diversidade, temos desde a tradicional versão paraense até uma cumbia mais urbana, nascida no paulistano bairro do Bom Retiro.
Esse é o caso da banda Bazuros, que surgiu na época da famigerada pandemia. Atualmente ela vem se consolidando como um dos grupos cumbieros mais presentes na cena musical da cidade.
Bazuros participará amanhã, a partir das 18 horas, do Festival de Cumbia Sol y Sombra, no SyS 13, na Rua Treze de Maio, 180, no Bixiga, em São Paulo.
Confira abaixo uma entrevista realizada com Hiro Okinaga, guitarrista da Bazuros, que conta a história do grupo, suas influências musicais e o que o público pode esperar da apresentação que farão.
Início
Como surgiu a Bazuros e porque a escolha da cumbia como principal gênero musical da banda?
A banda iniciou suas atividades no final da pandemia de forma despretensiosa.
A ideia era tirar um som entre amigos e ocupar a cabeça, mas com o tempo a coisa foi tomando forma e mais pessoas se envolveram no projeto.
No início a gente tirava covers e compunha umas coisas sem a intenção de ser uma banda de cumbia, era mais para reproduzir entre amigos os sons que a gente ouvia do Pibes Chorros e da coletânea Roots of Chicha.
Aos poucos a banda foi se consolidando e a gente acabou encontrando uma linguagem/linha compositiva.
Muita coisa rolou de lá pra cá e no fim a gente sempre acaba encontrando um jeito de não deixar a peteca cair e continuar fazendo o que gosta de forma honesta.
O que é a cumbia punk e o que ela traz de novo?
No caso específico dos Bazuros, o punk sempre esteve presente na forma do DIY (do it yourself).
No começo não tinha muita banda de cumbia pra tocar junto e a gente passou a produzir as próprias festas, recorrer aos contatos que a gente tinha com a galera das casas de show e chamar as bandas com que a gente tinha amizade pra tocar junto.
Ninguém da banda ouve cumbia desde criança. Foi todo um processo de assimilação até entender como compor cumbia do jeito que a gente estava acostumado a compor em outras bandas/projetos.
Muitos membros da banda participaram anteriormente de projetos ligados a punk rock e hardcore e, inevitavelmente, isso acaba aparecendo um pouco no nosso som.
Não de forma literal, mas na maneira como cantamos algumas músicas e solucionamos os arranjos de guitarra, por exemplo.

Disco
Vocês lançaram no ano passado o álbum Mucha Lucha, Poca Plata. O que representou para a banda a gravação desse disco?
Atualmente, a quantidade de dados e conteúdo que coletamos é gigante e intensa por causa da velocidade da informação proporcionada pelas redes sociais.
Diariamente surgem novas bandas e novas tendências de um jeito que fica até difícil acompanhar, mas que muitas vezes são explosões momentâneas que não criam muitas raízes ou não encontram um solo fértil para vingar.
Produzir um álbum todo do zero – compor, ensaiar, gravar, mixar e por aí vai – leva tempo e dedicação, e ver tudo isso pronto é a materialização de todo esse trabalho duro que temos feito durante esses anos.
É o que nos valida como banda e o que vai ficar registrado para as próximas gerações de pessoas interessadas por música.
Esse álbum não teria acontecido sem os esforços do Kishimoto, que desde o início sacou o nosso som e ajudou a dar forma em tudo, e sem a ajuda dos nossos amigos De LaPaz, Mariano Sarine, Paula Rebellato, Helleno e Figueroas que fizeram as participações especiais.
É sempre um prazer tocar com essa galera!
Como vocês veem a atual valorização da cumbia, que está sendo incorporada em vários países da América Latina com um sotaque local?
Para a banda isso é muito bom.
Olhando em retrospecto, não há dúvidas que as coisas mudaram bastante desde o começo da banda, no início a gente tocava com muita banda do circuito experimental/punk e levou uns dois anos até a gente começar a transitar em festas e eventos focados mesmo na cumbia e seus desdobramentos.
Não temos dúvida de que estamos vivendo um ótimo momento.
Tendo em vista a quantidade de festas e shows de atrações internacionais que estão rolando nesse recorte em São Paulo e o crescente aumento de gente interessada no assunto.
E acho que isso não é exclusivo da cumbia, as festas lotadas de reggaeton que a gente vê por aí e o sucesso a nível mundial do Bad Bunny tem colocado uma luz diferente na música latina como um todo.
Audições
Além da música da Bazuros, quais são as cumbias que vocês estão acostumados a ouvir?
A banda é muito grande e cada um traz um pouco do seu gosto musical na hora de temperar os sons.
As influências vêm de todos os lugares e estilos, mas se tratando de cumbia imagino que seja um consenso entre todos o apreço pela cumbia villera argentina, pelas chichas psicodélicas peruanas com bastante guitarra e pela riqueza da cena musical paraense com os bregas, aparelhagens e versões de hits dos anos 80 em português.
O que o público pode esperar dessa segunda participação no Festival de Cumbia Sol y Sombra?
Quem já assistiu sabe que nosso show é muito potente e levanta a energia de quem está assistindo. Todo mundo que vai uma vez acaba voltando e sempre se diverte.
Durante o show eu sempre vejo que todo mundo tá dançando, da beira do palco até o fundo do salão.
Da nossa parte faremos o melhor para entregar um grande show e representar com mérito a cumbia produzida por aqui.
Quem são os integrantes da banda?
Atualmente é formada pelo Hiro e o Leão nas guitarras, nos sopros temos o Ratinho no sax e o Andrei no trompete, Raul nos efeitos sonoros, Magaldi no baixo e o Vitinho nos teclados.
Nas percussões temos o Hugo na bateria, Dodô nos timbales e blocos sonoros, Paulo Kishimoto nas congas e Luizão na guira. Espero não ter esquecido de ninguém! (risos)
Não se esqueça
Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina
Assista o videoclipe de Luchador com Bazuros:








