O Jornal Nacional da última terça-feira (7) homenageou o autor Benedito Ruy Barbosa (1931-2026), que faleceu aos 95 anos. No entanto, o que chamou atenção com os inúmeros depoimentos de atores e executivos que fizeram história na emissora foi a novela Cambalacho (1986), essa, por sua vez, foi escrita por Silvio de Abreu, na qual o cronista rural não tem qualquer participação.
No início da sua reportagem, foi mostrada uma sequência da Regina Casé interpretando Tina Pepper, um dos seus papéis mais icônicos. Outro fato que chamou atenção foi a atriz também ter aparecido para falar sobre Benedito, mesmo sem ter feito nenhuma novela do autor.
“O último grande troféu que o Benedito recebeu foi ver a força que Pantanal ainda tinha, depois de tantos anos”, disse ela, falando do remake que a Globo realizou em 2022, da trama exibida originalmente em 1990, pela Rede Manchete. Vale lembrar que Regina Casé era do TV Pirata em 1990, que passou por sérios problemas de audiência devido ao forte apelo de Pantanal na Manchete.
Amauri Soares, que comanda a direção da Globo desde 2020, também falou sobre a perda do escritor.
“Quando a gente fez o remake de Pantanal e de Renascer, tivemos toda uma geração de brasileiros se conectando com essas histórias, e assistindo com a geração de pais e avós que tinham funcionado antes. É por isso que o Benedito é mágico como autor; as histórias dele são para sempre”, disse.

Foram exibidos depoimentos de pessoas ligadas a Benedito, como o autor Bruno Luperi, neto do escritor, os filhos Ruy Maurício e Edilene Barbosa, além dos atores Osmar Prado, Caco Ciocler, Tony Ramos e a eterna Juma Marruá, Cristiana Oliveira.
A reportagem foi a última do dia e a Globo não pôde corrigir o erro ao longo do jornalístico. Após o fim do VT, o JN subiu os créditos em silêncio, com a imagem do autor no telão.
Trajetória de Benedito Ruy Barbosa

Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. A infância em Vera Cruz, cercado por cafezais e por comunidades de imigrantes italianos e japoneses, serviu de inspiração para muitas das histórias que escreveria ao longo da carreira.
Na Globo, Benedito estreou em 1976 com O Feijão e o Sonho e consolidou um estilo próprio ao retratar o Brasil rural em novelas que se tornaram clássicos da teledramaturgia. Entre os maiores sucessos estão Meu Pedacinho de Chão, Sinhá Moça, Cabocla e Paraíso, produções que marcaram o horário das 18h.
Em 1990, o autor revolucionou a televisão brasileira ao escrever Pantanal, exibida pela TV Manchete. A novela inovou ao apostar em locações reais e cenas externas, retratando a natureza e a vida no campo com um realismo até então pouco explorado na dramaturgia nacional. O enorme sucesso da trama influenciou diversas produções posteriores.







