Meta trabalha em óculos inteligentes com gravação contínua, diz jornal

A Meta estaria desenvolvendo um novo protótipo de óculos inteligentes com recursos de inteligência artificial (IA) capazes de permanecer constantemente atentos ao ambiente.

Segundo informações publicadas pelo Financial Times, o projeto, conhecido internamente como “super sensing”, prevê que os dispositivos gravem áudio de forma contínua e capturem fotografias em intervalos de poucos segundos.

A proposta permitiria que os usuários consultassem posteriormente a Meta AI sobre acontecimentos registrados pelos óculos, utilizando as imagens e os sons captados ao longo do dia como contexto para responder perguntas.

Sistema da Meta pode utilizar metadados em vez de armazenar imagens e áudios

  • De acordo com o Financial Times, uma das arquiteturas discutidas pela Meta prevê que os arquivos brutos de áudio e vídeo não sejam armazenados pela empresa nem disponibilizados diretamente ao usuário;
  • Nesse modelo, apenas os metadados extraídos das imagens e dos áudios seriam enviados aos servidores da companhia, onde seriam utilizados pela Meta AI para responder às consultas do usuário;
  • Segundo pessoas ouvidas pelo jornal, os defensores dessa abordagem argumentam que ela teria menos implicações para a privacidade do que o armazenamento integral das gravações.

Projeto levanta preocupações com privacidade

Caso os óculos ou os recursos de “super sensing” sejam lançados comercialmente, eles deverão intensificar o debate sobre privacidade.

A Meta já enfrenta questionamentos relacionados ao desenvolvimento de tecnologias de reconhecimento facial para seus óculos inteligentes. A empresa também recebeu críticas após relatos de usuários filmando mulheres enquanto utilizavam o dispositivo e lida com modificações feitas por terceiros que removem o LED responsável por indicar quando a câmera está gravando.

Na terça-feira (7), a empresa anunciou uma atualização que desativa automaticamente a câmera caso os óculos detectem que esse indicador luminoso foi adulterado.

Apesar disso, segundo o Financial Times, o plano atual da Meta prevê que o LED permaneça apagado durante o funcionamento do modo “super sensing”.

Uma das arquiteturas discutidas pela Meta prevê que os arquivos brutos de áudio e vídeo não sejam armazenados pela empresa nem disponibilizados diretamente ao usuário – Imagem: jackpress/Shutterstock

Documento da empresa explica funcionamento do LED

Um documento técnico publicado pela Meta em julho de 2025 já indicava essa estratégia. Segundo o white paper, o indicador luminoso seria reservado apenas para situações de “captura ativa”, quando o usuário salva fotos ou vídeos.

Já durante o uso de recursos classificados como “AI Feature”, como escanear um cardápio utilizando inteligência artificial, o LED permaneceria desligado. De acordo com a empresa, isso evitaria que as pessoas se acostumassem a ignorar o indicador luminoso.

O Financial Times observa ainda que, caso o LED permanecesse aceso durante o modo “super sensing”, seria mais difícil distinguir quando os óculos estariam apenas analisando o ambiente ou efetivamente gravando vídeos.

Segundo a reportagem, a Meta também discute internamente a possibilidade de utilizar os dados capturados pelos óculos para treinar seus modelos de IA.

O jornal afirma ainda que os recursos de “super sensing” poderão chegar inclusive a modelos de óculos inteligentes que já foram lançados pela empresa.

Meta não comenta protótipos, mas reforça compromisso com privacidade

Em comunicado enviado ao The Verge, o porta-voz da Meta, Dave Arnold, evitou comentar diretamente o projeto.

“Embora não comentemos protótipos internos, estamos comprometidos em acertar nossos óculos porque eles precisam ser amados tanto pelas pessoas que os usam quanto por aquelas ao seu redor”, afirmou.

Arnold acrescentou que “nossa abordagem tem sido desenvolver novas tecnologias que ajudem as pessoas ao longo do dia, com a privacidade incorporada desde o início”.

Zuckerberg já falou sobre assistentes presentes durante todo o dia

Embora não confirme o desenvolvimento do novo protótipo, a Meta já havia sinalizado publicamente o interesse em criar óculos inteligentes com funcionamento contínuo.

Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, o CEO, Mark Zuckerberg, afirmou que estava “realmente animado em ver os óculos evoluírem de responder perguntas para se tornarem um agente pessoal que esteja com você o dia todo, ajudando você a lembrar das coisas e alcançar seus objetivos”.

Em uma publicação de março sobre os novos óculos Ray-Ban Meta, a empresa também afirmou que, por meio de atualizações de software, a Meta AI deixará de funcionar apenas mediante comandos do usuário para se tornar “uma assistente mais contínua, presente no momento, capaz de ajudar ao longo de todo o dia”.

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