Trocar de emissora nem sempre significa sucesso. Ao longo da história da televisão brasileira, diversos apresentadores deixaram canais consolidados em busca de novos desafios, contratos milionários e maior protagonismo. No entanto, nem todas essas mudanças tiveram o resultado esperado.
Nomes que passaram por gigantes como TV Globo, Record, SBT e Band apostaram em novos projetos, mas acabaram enfrentando baixa audiência, mudanças de estratégia ou formatos que não conquistaram o público. Relembre alguns apresentadores que trocaram de emissora, mas não conseguiram repetir o mesmo sucesso na nova casa.
1. Adriane Galisteu

Adriane Galisteu construiu uma trajetória de destaque na televisão brasileira e ganhou projeção nacional ao comandar o SuperPop, na RedeTV!, no início dos anos 2000. Pouco tempo depois, a apresentadora foi contratada pela Record, onde assumiu o comando do programa É Show, permanecendo na atração até 2004.
Na emissora da Barra Funda, Galisteu conquistou bons resultados de audiência e se firmou como um dos principais nomes do entretenimento da casa. Em diversas ocasiões, o É Show chegou a disputar a vice-liderança com o SBT, consolidando a apresentadora como um dos grandes investimentos da Record na época.
No auge da carreira, Adriane Galisteu recebeu uma proposta milionária de Silvio Santos e trocou a Record pelo SBT. A mudança, inicialmente, parecia promissora. A apresentadora estreou no comando do Charme, exibido nas tardes da emissora.
Apesar da expectativa, o programa não conseguiu manter o desempenho de audiência que Galisteu registrava na Record, onde frequentemente alcançava entre 8 e 10 pontos e disputava a vice-liderança. Naquele período, a Record investia pesado no projeto “A Caminho da Liderança”, buscando reduzir a distância para a Globo e consolidar a segunda colocação.
Com a forte concorrência, o SBT enfrentava dificuldades para manter seus índices de audiência. Para tentar reverter o cenário, Silvio Santos promoveu uma série de mudanças na programação, alterando constantemente os horários das atrações.
Nesse contexto, Charme passou por diversas faixas da grade até ser transferido para a madrugada. Incomodada com a situação, Adriane Galisteu protagonizou um dos episódios mais lembrados de sua carreira ao apresentar o programa vestindo um pijama, em protesto contra a mudança de horário.
Insatisfeita com os rumos de sua trajetória no SBT, a apresentadora deixou a emissora e assinou contrato com a Band, onde permaneceu por cerca de cinco anos. Depois de um período afastada da televisão, retornou à Record em 2021 para comandar o Power Couple Brasil. No ano seguinte, assumiu o comando de A Fazenda, consolidando sua volta ao horário nobre da emissora.
2. Xuxa Meneghel

A apresentadora Xuxa Meneguel encerrou sua longa trajetória na TV Globo em 2014, após comandar o TV Xuxa, exibido nas tardes de sábado. No mesmo ano, a Rainha dos Baixinhos surpreendeu o mercado ao aceitar uma proposta da Record e iniciar uma nova fase em sua carreira.
A chegada à emissora da Barra Funda foi tratada como um grande evento. O então Programa da Tarde, apresentado por Britto Júnior e Ticiane Pinheiro, acompanhou ao vivo todo o trajeto de Xuxa, desde sua chegada ao aeroporto até a entrada nos estúdios da Record, em uma estratégia para marcar a contratação da estrela.
A expectativa, no entanto, não se refletiu nos índices de audiência. O Xuxa Meneghel, programa inspirado no formato da apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres — influência percebida inclusive no visual adotado pela artista —, estreou cercado de expectativas, mas não conseguiu alcançar os resultados esperados.
Após o fim da atração, Xuxa permaneceu na Record à frente de realities de grande investimento, como Dancing Brasil e The Four Brasil. Apesar da boa repercussão e da qualidade das produções, os programas enfrentaram dificuldades para superar a concorrência do SBT na disputa pela vice-liderança.
Embora a apresentadora afirme que viveu uma experiência importante na Record e considere o Dancing Brasil um dos projetos mais grandiosos de sua carreira em termos de produção, sua imagem continuou fortemente associada à TV Globo. Em 2020, Xuxa encerrou seu vínculo com a emissora paulista.
3. Gugu Liberato

Em 2009, o inimaginável aconteceu: Gugu Liberato (1959-2019), considerado o principal pupilo de Silvio Santos, deixou o SBT após décadas de carreira para assinar um contrato milionário com a Record.
A emissora de Edir Macedo investiu pesado para contratar o apresentador. Gugu passou a receber cerca de R$ 4 milhões por mês, valor muito superior aos R$ 1,5 milhão que recebia no SBT. Na época, o próprio comunicador revelou que Silvio Santos classificou a proposta como “irrecusável”.
E assim, Gugu estreia na Record em 30 de agosto de 2009. O que provocou uma espécie de dança das cadeiras, afinal, Celso Portiolli assume o Domingo Legal e a apresentadora Eliana deixou o canal da Barra Funda rumo ao SBT, em forma de contra-ataque de Silvio Santos. Gugu e Eliana estrearam ambos no mesmo dia em suas respectivas emissoras. Ana Hickmann substituiu a ex-apresentadora infantil no Tudo é Possível.
Apesar da enorme expectativa e do alto investimento, a principal aposta da Record não teve o desempenho esperado. Gugu chegou à emissora com a missão de disputar a liderança de audiência com Fausto Silva, da TV Globo, mas acumulou derrotas para o Programa Silvio Santos, exibido pelo SBT e comandado por seu antigo patrão.
Diante dos resultados abaixo do esperado, a Record promoveu mudanças na programação e alterou o horário da atração. Mesmo com as tentativas de reverter a audiência, o programa foi encerrado definitivamente em 2013.
Anos depois, Gugu retornou à emissora em um novo modelo de parceria, com divisão de custos por meio de sua produtora, a GGP. Desta vez, passou a comandar um programa semanal no horário nobre. Embora a atração tenha conquistado bons índices e alcançado a liderança em algumas ocasiões, o apresentador nunca conseguiu repetir na Record o sucesso histórico que marcou sua trajetória nas tardes de domingo do SBT.
Gugu ensaiava um retorno ao SBT, mas, infelizmente, o apresentador faleceu em dezembro de 2019, deixando saudades do público que sempre acompanhava seus programas.









