Este é um segredo que Benedito Ruy Barbosa guardou por toda a vida e só contou publicamente uma vez.
Aconteceu quando Benedito era aluno e foi escolhido para ser o orador de sua turma.
Então, o diretor chamou Benedito Ruy Barbosa e disse para ele não fazer um discurso, porque seria cansativo para quem estava na plateia. O diretor pediu que Ruy fizesse a declamação de um poema.
E, como a escola se chamava Castro Alves, o diretor incumbiu Ruy Barbosa de declamar O Navio Negreiro, de Castro Alves.
Era um poema longo, e Ruy ficou com medo de errar. Mas, durante um tempo, ele estudou e decorou o poema.
No dia da apresentação, a plateia estava lotada, porque toda a cidade foi até lá.
Havia gente sentada em todos os lugares. Mas, quando entrou no palco, Ruy Barbosa se espantou ao ver que o próprio pai estava na mesa da diretoria, pois havia sido convidado para estar ali.
Benedito ficou com medo, mas seguiu em frente. Começou tímido, mas logo ganhou confiança e declamou o poema por um bom tempo.
Ao final, a plateia ovacionou o menino Benedito, que estava chorando no palco.
Então, seu pai se levantou da mesa da diretoria, foi até Benedito Ruy Barbosa e lhe disse: “Filho, por mais que eu viva nesta vida, jamais vou ter um momento igual a este que você me deu.”
E começou a chorar ao lado do filho. A plateia aplaudia os dois.
Foi esse o momento que Benedito Ruy Barbosa guardou em segredo por toda a vida.






