Nas últimas semanas o cenário global foi elevado a momentos mais tensos com a persistência dos conflitos no Oriente Médio, causando variáveis nos barris de petróleo que nesta quinta-feira (19), apresentou mais uma alta, alcançando o valor de US$ 106,68 (R$ 554,66). E isso alerta principalmente para a situação do diesel no Brasil, motor da logística nacional.

O Governo Federal afirma que adota medidas de contenção e articula com estados para conter os efeitos no País. Fontes ouvidas pelo iG, no entanto, demonstram apreensão sobre o que pode vir a acontecer.
O que aconteceu nos últimos dias

Na terça-feira (17), o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) emitiu nota falando sobre a “ volatilidade internacional” nos custos causados de forma direta pela crise internacional. Segundo a entidade, apesar da nova política de preços do Brasil, com ações de contenção da Medida Provisória (MP) sobre impostos dos combustíveis, as tensões globais reduzem cada vez mais a margem para conter os repasses ao consumidor.
Segmentos do agronegócio, transporte e logística, e alimentação podem ser diretamente impactados com a alta constante do diesel. Segundo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), este combustível representa uma parcela relevante nos custos do transporte rodoviário de cargas e chega a corresponder a cerca de 35% a 45% do que se paga para uma viagem.
Medo de desabastecimento: a sombra da greve e um suposto desvio
O abastecimento em estados estratégicos como Minas Gerais, a unidade da federação com a maior malha viária, e São Paulo, o mais populoso e maior polo econômico do País, juntamente com Santa Catarina, reconhecida pelo seu mercado logístico e industrializado, está sob atenção.
Relatos de empresários sobre atrasos na reposição de estoques levantaram suspeita nesta semana para um possível desabastecimento que poderia estar vinculado a uma suposta greve dos caminhoneiros.
Uma funcionária pública disse ao iG que os postos de combustíveis da família em São Paulo não receberam diesel e nem gasolina nesta quarta (18), de uma das distribuidoras dos combustíveis.
Nesse cenário, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que importadores privados de combustíveis estão desviando o produto destinados ao Brasil para outros países. Magda garantiu que estão sendo tomadas medidas para garantir o abastecimento.
O que diz a indústria do combustível
As federações e sindicatos da categoria se posicionaram de maneiras distintas.
A CNTA mantém cautela sobre o assunto. Já o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Sindicom) reforça que apesar das dificuldades logísticas, não há falta generalizada do diesel, mas os estoques estão sendo rigorosamente monitorados.
Contenções nos estados
Em Santa Catarina, há reivindicações dos transportadores rodoviários contra o custo elevado do diesel, que bate a marca de R$ 7,00 em algumas regiões, que representa uma alta acumulada de 15% em relação a fevereiro.
Com objetivo de reduzir os preços, inclusive do diesel, refletindo numa desmobilização de possíveis movimentos de paralisação dos caminhoneiros – motivada pela alta do combustível -, o Procon-SC deflagrou a Operação Ecos, para coibir postos de combustíveis que não reduziram os preços para o consumidor final. A Operação fiscaliza, autua e pune estabelecimentos que estão mantendo os preços elevados sem justificativa.

Em Minas Gerais, as transportadoras operam com margens mínimas devido ao reajuste de 11,6% nas refinarias anunciado pela Petrobras em março. O Procon mineiro também fez operação, com o Ministério Público, para evitar “lucros arbitrários” durante a crise.
Já São Paulo está entre os seis estados (juntamente com SC, PR, MT, AL e AM) que avaliam não cobrar os impostos sobre o diesel importado. O diesel no estado varia de R$ 7,00 a R$ 8,00 por litro.
Tentativas de evitar o pior
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou uma portaria atualizando os valores da tabela do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. A alteração vai em cima dos custos variáveis do combustível e dos custos da atividade.
Já a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) informou que há um monitoramento diário dos fluxos e suprimentos e que os estoques estão dentro das normas de segurança. A Agência notificou nesta quarta, três das seis distribuidoras de combustíveis no Brasil (Raízen, Ipiranga e Masut), por prática abusiva de preços.
O secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, defendeu a livre prática de preços no mercado, mas advertiu quanto aos abusos. “Há liberdade de preços, mas não liberdade para lesar. Todo excesso precisa ser apurado e combatido”, enfatizou.
Apesar deste revés, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom) disse que o setor trabalha para garantir o atendimento à demanda e para manter a oferta pelas refinarias, mesmo apresentando redução.
Especulação da gasolina
Utilizada por quatro de cada dez motoristas de carros e motociclistas, a gasolina tem apresentado altas expressivas nas bombas.
E se a Petrobras aponta um suposto desvio da carga que vem do exterior, o ministro da Fazenda, Fernando Hadadd (PT), disse essa semana que a alta da gasolina é fruto de aproveitadores.
Haddad afirmou que a ANP atua para coibir os abusos e a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para verificar possíveis irregularidades no setor.











