Adriana Araújo condena violência contra a mulher: “Uma barbárie”

Adriana Araújo fala sobre política e violência contra mulherReprodução/Divulgação

Adriana Araújo abriu o coração sobre um dos temas mais delicados de sua trajetória profissional: o combate à violência contra a mulher e os casos de feminicídio no Brasil. Em entrevista ao iG, a âncora do Jornal da Band falou sobre a campanha “Band Não Se Cala“, voltada à conscientização e ao apoio às vítimas de agressões.

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Para a jornalista, o projeto representa um posicionamento claro da Band diante de uma realidade que ainda atinge milhares de brasileiras e reforça a importância de ouvir, acolher e dar credibilidade às mulheres que denunciam situações de violência.

“A Band acaba de lançar uma campanha que se chama ‘A Band Não Se Cala’, que é uma campanha justamente para mostrar que a Band, nesse assunto, claramente está do lado das vítimas. Ela combate, quer ajudar a combater a violência contra as mulheres no Brasil, acolhendo as vítimas, dando valor à palavra das vítimas”, afirmou.

Segundo Adriana, um dos principais problemas relacionados à violência contra a mulher no Brasil é justamente a dificuldade histórica de ouvir e acolher quem sofre as agressões. Para ela, essa realidade contribui para que muitos criminosos permaneçam impunes.

“O que a gente sabe é que, historicamente, no Brasil, a impunidade impera nesse assunto porque a vítima não é ouvida, porque a vítima não é acolhida. E muitas vezes a violência acontece entre quatro paredes. Então, se é a palavra de um contra o outro, muitas evidências são deixadas de lado e muitos criminosos saem impunes”, destacou.

Durante a conversa, a jornalista também explicou como enxerga o papel da imprensa na cobertura de casos de violência contra a mulher. Ao ser questionada sobre a dificuldade de manter a imparcialidade ao abordar crimes como feminicídio, Adriana afirmou que apresentar diferentes lados de uma história não significa ignorar fatos já apurados.

“Nesse assunto, ser imparcial é ouvir o advogado dos criminosos, dos réus, dos acusados, e contar a história por completo”, afirmou.

Adriana Araújo comanda o Jornal da BandReprodução/Band

Caso de feminicídio

Adriana Araújo também relembrou um comentário feito por ela sobre o assassinato da capitã da Polícia Militar de Belo Horizonte, Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O caso ganhou repercussão após o companheiro da vítima, também policial, ser apontado como suspeito e apresentar uma versão para a morte que, conforme destacou a jornalista, foi contrariada pelos elementos da investigação.

“Ele assumiu que a agrediu, ela tinha marcas de chicotadas, estava ferida no corpo inteiro, com traumatismo craniano. Ele admitiu que provocou os ferimentos nela e alegou uma queda de uma escada, versão que a perícia já descartou”, afirmou.

Em seguida, Adriana disse que, diante dos elementos apresentados na investigação, considera legítimo que o jornalismo aponte a gravidade da situação e questione versões apresentadas pelos acusados.

“Para mim, é muito tranquilo você dizer que a pessoa, depois de fazer uma vítima, tenta inventar uma versão de que a morte foi quase como um assassinato consensual. Isso foi o que eu disse no meu comentário, que acabou repercutindo bastante”, contou.

Na sequência, a âncora reforçou que nenhuma circunstância pode ser usada para justificar um assassinato.

“Porque é isso, todos os indícios apontam que foi um caso de feminicídio. E não existe assassino que possa dizer assim: ‘Ah, matei porque a vítima consentiu. Então, eu sou inocente’. Isso não existe”, reforçou.

Adriana ainda fez uma ressalva sobre a versão apresentada pelo acusado e destacou que a vítima não está mais viva para contar sua própria história.

“Ainda que houvesse uma relação sexual em que situações violentas, como ele diz, porque ela não está aqui mais para dizer? Isso não dá direito, não dá licença para ninguém matar, para nenhum homem matar uma mulher”, continuou.

Adriana AraújoReprodução/Internet

Para a jornalista, o Brasil enfrente uma realidade de extrema violência contra as mulheres, existe uma mudança gradual na percepção da sociedade sobre o problema.

“Felizmente, a sociedade acordou para isso. Eu acho que tem uma consciência coletiva cada vez mais forte de que a Justiça tem que proteger a vítima, não o criminoso. Que a Justiça tem que acolher a vítima e aplicar a lei com maior rigor contra os criminosos”, refletiu.

Adriana considera que o lançamento da campanha “Band Não Se Cala” acontece em um momento crucial e reforça um trabalho que ela já desenvolve há tantos anos na televisão.

“É um momento muito especial. Há três anos eu falo desse assunto no Jornal da Band e a emissora agora lança a campanha, justamente para cobrar que a impunidade acabe e que as mulheres que hoje são agredidas, violentadas e mutiladas,  sejam salvas”, afirmou.

Adriana Araújo na bancada do Jornal da BandReprodução/@adrianaaraujo_

Adriana Araújo fala sobre eleições de 2026 e debate presidencial

Além da luta contra a violência contra a mulher, Adriana Araújo também se prepara para um novo desafio profissional: a cobertura das eleições presidenciais de 2026.

Assim como em 2022, a jornalista terá novamente a missão de estar à frente da cobertura de um dos momentos mais importantes para a democracia brasileira. Para ela, o período eleitoral representa responsabilidade e grandes desafios para os profissionais de imprensa.

“Participar de algo tão grande. É um ano muito importante para a gente, né? Todo ano de cobertura eleitoral e, sobretudo, de disputa presidencial, é um ano de muita responsabilidade, muitos desafios”, pontuou.

Apesar da dimensão do trabalho, a comunicadora destacou que considera a cobertura eleitoral uma oportunidade importante para o jornalismo e para a democracia.

“É um ano em que a gente gosta de fazer esse trabalho, porque a democracia é feita desse momento. O momento em que nós, como jornalistas, podemos levar as informações, deixar o nosso público bem informado e consciente para fazer uma escolha consciente na eleição de outubro. Então, a gente fica muito empolgado”, disse.

Adriana também reforçou a tradição da Band na realização de debates presidenciais. Em 2022, ela participou do encontro entre os candidatos à Presidência da República promovido pela emissora e, em 2026, voltará a fazer parte da cobertura eleitoral.

“Estreei aqui na Band fazendo debate presidencial de 2022 junto com o Ené, e agora novamente a gente vai estar junto”, relembrou.

Para a jornalista, a tradição da emissora em abrir a corrida eleitoral para o Palácio do Planalto torna o momento ainda mais relevante.

“Na Band, com a tradição que ela tem de ser sempre a primeira emissora a dar o pontapé inicial nessa corrida ao Palácio do Planalto, é sempre muito relevante. As pessoas identificam que a Band é uma casa de credibilidade, de imparcialidade e que tem a tradição dos debates que o Milton trouxe para cá desde 1989”, acrescentou.

Por fim, Adriana Araújo definiu sua participação na cobertura eleitoral como uma mistura de honra e responsabilidade. “É uma honra, uma responsabilidade e estamos felizes demais”, concluiu.

Adriana AraújoFoto: Reprodução/Band
Adriana AraújoFoto: Reprodução Band
Adriana Araújo, apresentadora do Jornal da BandFoto: Reprodução/Band
Adriana Araújo renovou contrato com a Band até 2027Foto: Reprodução/Internet

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