Brasil cria rota para evitar Estreito de Ormuz e garantir envio de exportações

Reprodução Canal Rural

Na busca por alternativas diante das instabilidades no Estreito de Ormuz, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com a Turquia para garantir o envio das exportações agropecuárias brasileiras por uma nova rota. A pasta informou que obteve um certificado sanitário que permite o trânsito, especialmente de produtos de origem animal, além do armazenamento temporário das cargas em território turco antes de seguirem ao destino final. Na prática, as mercadorias passam a evitar o Golfo Pérsico.

Segundo o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, a alternativa é viável, mas não sem custos. “Não há dúvida de que é uma alternativa. Agora, mais barato não é”, afirmou. Ele lembra que os países árabes dependem de cerca de 90% dos alimentos que consomem, com forte demanda por carne bovina e de frango, o que impõe regras rigorosas desde o processamento até o transporte.

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Com a paralisação da rota tradicional pelo Golfo de Omã e pelo Estreito de Ormuz, a nova logística passa a combinar transporte marítimo e terrestre. As cargas seguem por navio até a Turquia e, depois, são distribuídas por rodovias ou ferrovias. Nesse processo, os produtos precisam permanecer em território turco, em áreas específicas, onde recebem certificação sanitária. “A Turquia daria o certificado sanitário e garantiria a qualidade dentro dos critérios exigidos pelos compradores”, explicou.

A escolha do país também está ligada ao perfil religioso. Com cerca de 90% da população muçulmana, a Turquia atende às exigências dos mercados importadores. Ainda assim, o impacto nos custos é significativo. “O seguro para aquela região já subiu em torno de 10 vezes”, destacou Daoud, ao ressaltar que, em alguns casos, seguradoras já evitam operar na rota tradicional.

Além do seguro, o frete também é pressionado pelo aumento do combustível e pela maior complexidade logística. Segundo o analista, o custo total das operações pode subir perto de 300%. Mesmo assim, a demanda segue firme. “Os países árabes precisam da comida”, disse, destacando que exportadores e importadores devem dividir esse custo adicional.

A nova rota marítima parte da costa brasileira, sobe pelo Atlântico Norte, entra pelo Estreito de Gibraltar, cruza o Mar Mediterrâneo e chega à Turquia. A partir daí, a distribuição segue por via terrestre, com envio por trem ou caminhão para países do Oriente Médio. As cargas podem, inclusive, permanecer armazenadas em contêineres refrigerados no território turco antes da redistribuição.

Na etapa terrestre, a Turquia passa a atuar como ponto de distribuição logística. A partir do país, os produtos seguem por ferrovia ou rodovia, com possibilidade de envio ao Irã por trem, além de outros destinos na região. Essa estrutura garante a continuidade do fluxo de proteínas como carne bovina e de frango.

Com a certificação sanitária concedida pela Turquia, há a garantia de que a carga brasileira mantém os padrões exigidos pelos importadores, desde a saída dos portos até a entrega final, atendendo inclusive critérios específicos como os do abate halal.

Na prática, a operação passa a combinar transporte marítimo e terrestre, com apoio logístico em território turco. Apesar de viabilizar o comércio, o modelo eleva significativamente os custos. “É a opção disponível. Não tem outra alternativa. Vai ficar mais caro, mas é uma solução”, resume Miguel Daoud.

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