Entenda por que a Globo demitiu veteranos e mudou o jogo na TV

Emissora mudou sua gestão e agora aposta em contratos por obraReprodução/X

A televisão brasileira assiste, nos últimos anos, à silenciosa conclusão de uma das maiores revoluções estruturais de sua história. A era de ouro do “estrelato de carteira assinada”, que durante décadas simbolizou o poder da TV Globo, deu lugar a um cenário de maior flexibilidade, custos enxutos e um mercado mais amplo e aberto.

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Se, nos anos 1990, auge da produção de novelas e do entretenimento da emissora, os corredores dos Estúdios Globo, antigo Projac, abrigavam um imponente elenco de cerca de 1.500 talentos com contratos fixos e salários exorbitantes, hoje a realidade é completamente diferente. De acordo com fontes do mercado, a Globo mantém atualmente um grupo restrito de apenas 70 artistas com vínculo de exclusividade, uma redução de mais de 95%.

Essa revolução começou a ganhar força a partir de 2021, impulsionada pela implantação do projeto Uma Só Globo. A iniciativa, que unificou as operações da empresa (TV aberta, canais fechados, Globoplay e plataformas digitais), acelerou a revisão do modelo econômico que sustentava a emissora desde seus tempos áureos.

Emissora mudou sua gestão e agora aposta em contratos por obraFoto: Reprodução/X
Emissora mudou sua gestão e agora aposta em contratos por obraFoto: Reprodução/X

O formato tradicional, em que atores e atrizes acumulavam anos de salários garantidos, mesmo durante longos períodos de hiato entre um folhetim e outro, tornou-se financeiramente insustentável diante da forte concorrência do streaming e da retração vivida pelo mercado publicitário naquele momento, em plena pandemia.

Com a transição para o modelo de contrato por obra, a principal regra da TV Globo passou a ser o vínculo temporário. Nesse formato, o profissional é contratado apenas pelo período de gravação de uma novela, série ou outro projeto específico. Encerrados os trabalhos, o vínculo é encerrado, e o artista ganha total liberdade para negociar com emissoras concorrentes, plataformas de streaming ou produtoras independentes.

Nomes dominam a programação

Essa nova engenharia da TV Globo ajuda a responder a uma dúvida frequente do público: por que um grupo reduzido de atores parece dominar a programação de forma consecutiva? A resposta é simples.

Como o número de contratos exclusivos simplesmente despencou, nomes que continuam sob o guarda-chuva de exclusividade de longo prazo, como Chay Suede, Cauã Reymond e Agatha Moreira, acabam emendando um projeto no outro com intervalos mínimos, sendo vistos de maneira exaustiva na emissora.

Contraste gritante

Para quem acompanhou a televisão nas décadas de 1980 e 1990, o contraste é gritante. Naquela época, a Globo mantinha um verdadeiro exército de estrelas sob sua tutela permanente. Nomes consagrados como Antônio Fagundes, Glória Pires, Tony Ramos, Adriana Esteves e Susana Vieira faziam parte de um ecossistema em que o talento era tratado como patrimônio fixo da casa. Hoje, a realidade é bastante diferente.

Mesmo assim, o público ainda consegue ver Glória Pires, Tony Ramos, Adriana Esteves, Susana Vieira e outros, em algumas produções da casa, mas as estrelas não são prioridade no momento para o canal.

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