Eva Uviedo lança “A mala vermelha” na Livraria da Vila

Ilustração de A mala vermelhaReprodução – Divulgação

A artista visual Eva Uviedo lança no próximo domingo (29/03), às 15 horas, na Livraria da Vila, o livro A mala vermelha, editado pela Companhia das Letrinhas.

A obra conta a história de uma menina que levava uma vida tranquila na Argentina, mas que, durante a ditadura que tomou o poder no país, vê sua família forçada a emigrar para o Brasil por causa de questões políticas.

Confira abaixo a entrevista exclusiva feita com Eva Uviedo.

A obra

Como você definiria o livro A mala vermelha?

É um livro infantil que aborda especialmente o drama do exílio e das consequências de regimes ditatoriais sob a perspectiva de uma criança.

A história parte de uma experiência pessoal; vim para o Brasil com minha família para sair de um cenário de repressão e perseguição política aos meus pais, que eram artistas de teatro, transgressores.

O livro retrata o momento da partida para o exílio.

Fala de deslocamento e perda, mas também de adaptação, sobrevivência e invenção de uma nova vida.

Quando surgiu a ideia de relatar sua história?

Tive a ideia vendo uma conversa entre o ilustrador e escritor argentino-uruguaio Sebastián Santana Camargo e o espanhol Bernat Cormand (autor de livros infantis sobre temas delicados), mediada pela Dani Gutfreund (do Lugar de Ler).

Foi então que conheci o livro infantil Meu tio chega amanhã, de Sebastián.

No livro, uma criança, durante a ditadura, espera pelo tio que nunca volta.

Aquilo me fez perceber que era possível falar desse tema com crianças e me inspirou a contar essa história.

Como a atual situação da Argentina pode dialogar com sua obra?

A Argentina hoje parece viver tensões muito similares às de cinquenta anos atrás: crise econômica, greves, repressão a manifestações e decisões autoritárias.

A sociedade avançou muito em processos de memória, com julgamentos e políticas de reparação, mas, ao mesmo tempo, ainda existe muito negacionismo, conflitos e disputas em torno dessa memória.

Por isso é necessário seguir falando do assunto e reafirmando o que foi aquela época.

Fora isso, tem uma estimativa de que, durante a ditadura argentina (1976–1983), cerca de 500 bebês e crianças foram sequestrados ou nasceram em cativeiro e tiveram suas identidades trocadas.

Até recentemente, aproximadamente 133 netos já tiveram sua identidade recuperada graças ao trabalho das Abuelas de Plaza de Mayo.

Isso significa que ainda faltam localizar algo entre 250 e 300 netos, que podem viver até hoje com identidades falsas ou sem saber sua origem.

Ou seja, é um assunto ainda presente na sociedade argentina.

As Abuelas seguem se reunindo e atuando politicamente para reivindicar que os responsáveis revelem onde eles e elas estão.

A mala vermelha: um livro que deve ser lidoReprodução – Divulgação

Ela serviria de alerta para que fatos que você viveu não voltem a acontecer?

Com certeza. Existe uma ideia muito presente na Argentina de que memória, verdade e justiça são fundamentais para a democracia.

É fundamental e cria condições para que essas violências não se repitam. Por isso é importante que essas histórias continuem sendo contadas, inclusive para as crianças.

Consagradas escritoras de literatura infantil argentina como María Elena Walsh, Elsa Bornemann, Laura Devetach e Graciela Montes chegaram a influenciar em sua escrita?

Quando eu era criança, lia mais histórias em quadrinhos, Mafalda, os quadrinhos mudos do Quino, Patoruzito, revistinhas da Turma da Mônica, que chegavam do Brasil.

Sou mais inspirada pelo drama argentino, acho.

O cancioneiro de Mercedes Sosa e Violeta Parra. Mas como autora, minha inspiração são os livros de Odilon Moraes, que também trata de temas difíceis de forma poética em sua obra.

Para finalizar, como você espera que as leitoras e os leitores mirins brasileiros recebam A mala vermelha?

Espero que as crianças se conectem com a história da personagem e que o livro abra uma conversa com os adultos sobre o tema da ditadura e do exílio.

Às vezes achamos que não se deve falar desse tipo de assunto com crianças, que elas vão aprender sobre história depois, no colegial; eu discordo.

Acho que elas precisam crescer entendendo, com suavidade, o mundo em que vivem.

E mesmo se tratando de um contexto histórico específico, o livro fala de experiências que muitas crianças conhecem: mudar de lugar, deixar amigos, começar de novo.

Se o livro ajudar a abrir conversas entre crianças e adultos sobre memória, história e direitos humanos, já vai ter cumprido um papel importante.

Lançamento

A mala vermelha de Eva Uviedo

Domingo (29/03), das 15h às 18h Livraria da Vila Rua Fradique Coutinho, 915 Vila Madalena – São Paulo

Não se esqueça

Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br  e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina 

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