O prazo de 15 dias de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio anunciado pelo presidente Donald Trump, na noite desta terça-feira (7), não deve ser suficiente para reduzir os preços dos combustíveis nas bombas, mesmo com a redução do valor do petróleo nas últimas horas.
Pouco tempo depois do anúncio da trégua e da reabertura do Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o barril de petróleo, que chegou no patamar de U$ 120 (R$ 611) no auge da tensão, registrou queda para UU$ 94 (R$ 479).
Mas essa oscilação no preço do barril não deve ser percebida pelo consumidor a curto prazo, na avaliação de Ricardo Castagna, doutor em Direito Econômico.
Etapas a serem cumpridas
Segundo o especialista, diversas etapas devem ser cumpridas para que o preço caia nas bombas, como a política de preços da Petrobras, que não repassa de imediato as variações dos preços, por ter o termômetro de ano eleitoral e contexto internacional.
Castagna também aponta fatore críticos, tais como a confiança dos agentes de mercado na durabilidade da trégua e a incerteza sobre a continuidade desse cenário dificulta qualquer repasse imediato”, completou.
Lado B
Representantes do setor concordam que o tempo da trégua de apenas 14 dias não é suficiente para refletir no preço dos combustíveis.
Há também o giro do estoque, que segundo fonte do iG de representação do setor, o mercado “doméstico” bate de frente.
De acordo com a fonte, ainda que haja uma queda nos valores da gasolina e do diesel nas importadoras e distribuidoras no Brasil nos próximos dias, “o estoque que foi comprado e está sendo vendido no preço ‘da guerra’, será mantido”.
Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o ciclo médio de alteração do preço nas refinarias para o consumidor final é em média é de 15 a 20 dias.
Consumidores
Para consumidores que passaram pelas bombas de postos de Goiânia, Brasília e Natal, por exemplo, o cenário continua exatamente o mesmo; na capital goiana, os valores se mantém na casa de R$ 5,99 por litro de gasolina e R$ 7,49 o dieslel.
Segundo o professor universitário Marcos Queiroz, ele esteve em três postos diferentes e todos apresentaram o mesmo valor. “Ainda não vi nenhuma alteração considerável, mesmo com o anúncio do fim da guerra”.
O mesmo congelamento de preços é possivel ver na hora do abastecimento tanto na capital federal, quanto na capital do Rio Grande do Norte. O arquiteto Luciano Bezerra declarou que esperava mudanças nas bombas, mas o que verificou foi o “mais do mesmo”.
Dono de uma oficina mecânica em Brasília, Diego Sena afirmou que viu efeito contrário no abastecimento. “Eu achei até mais caro. Abasteci a R$ 6,40 hoje”, declarou. Ele afirmou ainda que um cliente abasteceu o carro a diesel a quase R$ 10, no interior de Goiás.
De acordo com últimos dados da Petrobras, os preços médios ao consumidor final nos 26 estados e no Distrito Federal, da gasolina e diesel no Brasil está R$ 6,78 e R$ 7,58 respectivamente.
A estatal aponta o preço médio do gás de cozinha na casa dos R$ 110,52.










