Parte do acervo de Jô Soares (1938-2022) ganhou um novo destino. A viúva do apresentador, Flávia Pedras, doou quadros, poltronas, pufes, louças e objetos pessoais ao Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. As peças chegaram à instituição na sexta-feira (31) e serão vendidas em um bazar beneficente, que ainda não teve data definida. Os itens passam por um processo de catalogação antes de serem colocados à venda. A arrecadação será destinada ao Retiro dos Artistas, entidade criada em 1918 para acolher profissionais da classe artística em situação de vulnerabilidade e que depende de doações para manter suas atividades. Localizado em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, o Retiro dos Artistas ocupa uma área de 15 mil metros quadrados. Além dos dormitórios, o espaço conta com teatro, cinema, biblioteca, piscina e salão de cinema. Atualmente, a instituição abriga mais de 40 residentes e tem despesas fixas de aproximadamente R$ 300 mil por mês. Sete casas do complexo foram construídas por iniciativa de Marieta Severo, que financiou integralmente as obras, os materiais e a mobília das unidades. Jô Soares morreu em 2022, aos 84 anos. O apresentador, humorista, ator e escritor comandou o Programa do Jô entre 2000 e 2016 e construiu uma das carreiras mais importantes da televisão brasileira. Considerado um dos principais nomes do humor nacional, participou de produções como A Família Trapo (1966), Planeta dos Homens (1977) e Viva o Gordo (1981). Além da televisão, também escreveu livros e atuou em 22 filmes.
Humor político
O comunicador sempre destacava o tom das piadas que fazia. “O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil”, afirmou o humorista. “Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo”, relatou em conversa com o Memória Globo.
“Eu fui gordo desde criancinha, mas meu tipo de humor nunca foi ligado ao fato de eu ser gordo. O humor foi minha maneira de ser diferente, em vez de ser diferente pelo fato de ser gordo”, disse.








