Relógios de famosos já custam mais que Ferrari; saiba o motivo

Uma Ferrari costuma ser símbolo máximo de luxo. Mas, para muitos colecionadores, o verdadeiro patrimônio está no pulso. Ao lado de Caio Castro, o especialista Renan Bastos explica por que alguns relógios usados por famosos já custam mais do que supercarros.Reprodução Instagram / Divulgação

Entre um look de milhões e um carro de luxo na garagem, outro detalhe costuma roubar a cena nas fotos de Neymar, Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Virginia Fonseca, Anitta, Georgina Rodríguez, Bruna Biancardi, Luciano Huck, Roberto Justus, Gusttavo Lima e Carlinhos Maia: os relógios. Algumas das peças usadas por eles ultrapassam facilmente o valor de uma Ferrari e despertam a curiosidade dos fãs sempre que aparecem nas redes sociais.

Mas afinal, o que faz um relógio custar tanto?

Segundo Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown, empresa especializada no mercado internacional de relógios de luxo, o preço dessas peças está longe de ser explicado apenas pelo ouro ou pelos diamantes presentes em sua fabricação.

“Muita gente acredita que o valor está no ouro ou nos diamantes. Esses elementos influenciam, mas representam apenas uma parte da história. O que realmente determina o valor de um relógio é a combinação entre tradição, engenharia, escassez, liquidez e demanda global.”

Marcas como Rolex, Patek Philippe, Richard Mille, Audemars Piguet e Jacob & Co. fazem parte da coleção de artistas, empresários, influenciadores e atletas. Enquanto Neymar costuma aparecer usando modelos da Richard Mille, Cristiano Ronaldo é conhecido por exibir peças raras cravejadas de diamantes. Lionel Messi também já chamou atenção por sua coleção de relógios, assim como empresários como Roberto Justus e apresentadores como Luciano Huck, apaixonados pelo universo da alta relojoaria.

Segundo Renan Bastos, um dos principais fatores que explicam esses valores milionários é a escassez. Muitas referências são produzidas em quantidades limitadas e permanecem indisponíveis nas boutiques durante meses ou até anos, tornando-se ainda mais disputadas entre colecionadores de diferentes países.

“Quando existe um número limitado de peças e compradores espalhados pelo mundo continuam procurando a mesma referência, o mercado naturalmente reage. É um comportamento semelhante ao observado em outros ativos de luxo.”

Outro detalhe pouco conhecido é que o mercado não valoriza apenas a marca, mas o modelo específico de cada relógio.

“O mercado não compra apenas uma marca. Ele compra uma referência específica. Dois relógios da mesma fabricante podem apresentar comportamentos completamente diferentes em relação à procura, liquidez e valor.”

Além da produção limitada, a tradição das manufaturas também pesa no preço. Muitos modelos levam centenas de horas para serem desenvolvidos e montados manualmente, carregando décadas de história e inovação na relojoaria suíça.

“Quando alguém compra determinadas referências da Patek Philippe, Audemars Piguet ou Richard Mille, está adquirindo muito mais do que um instrumento para medir o tempo. Existe engenharia, tradição e um legado construído ao longo de décadas.”

A presença de celebridades usando essas peças ajuda a despertar o interesse do público, mas, de acordo com Bastos, não é ela que define o valor de mercado.

“Quando Neymar, Messi ou Cristiano Ronaldo aparecem usando determinado relógio, naturalmente cresce a curiosidade sobre aquela referência. Isso aumenta a visibilidade, mas o valor continua sendo determinado por fatores como oferta, demanda, liquidez e histórico de negociações.”

Embora a comparação com uma Ferrari seja inevitável, o especialista afirma que quem compra relógios desse segmento costuma enxergar essas peças de forma diferente.

“O comprador deve escolher um relógio porque admira sua história e sua qualidade. A preservação de valor pode acontecer, mas ela é consequência de fundamentos de mercado, não o motivo principal para a compra.”

Se para muita gente um carro esportivo representa o ápice do luxo, para um grupo de colecionadores o verdadeiro objeto de desejo cabe no pulso. Não por acaso, alguns dos relógios usados por celebridades já valem mais do que supercarros e continuam despertando fascínio dentro e fora dos holofotes.

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