“Taca-le pau”: confira os memes que continuam vivos na memória

Melhores memes Rodrigo T. Ribeiro

O iG foi para o Centro do Rio de Janeiro, para descobrir quais bordões e vídeos da internet ainda são lembrados pelo público e mostrou que alguns memes atravessam gerações e continuam rendendo risadas anos depois.

Memes podem durar alguns dias, algumas semanas ou simplesmente desaparecer tão rápido quanto surgiram. Mas alguns conseguem um feito mais raro: entram para a memória afetiva do brasileiro. São frases, vídeos e personagens que, mesmo anos depois de viralizarem, continuam sendo reconhecidos assim que alguém solta uma palavra ou um bordão.

Para descobrir quais deles ainda estão vivos na memória do público, a reportagem do iG foi ao Largo da Carioca, no Centro da cidade Maravilhosa, e colocou os entrevistados à prova. A pergunta era simples: “qual meme você se lembra?”

As respostas mostraram que a internet brasileira tem um verdadeiro arquivo de bordões. Entre os mais lembrados apareceram nomes como Cariúcha, Nicole Bahls, Jojo Todynho e os personagens por trás de vídeos que marcaram diferentes momentos da web.

“Meu peito é duro”, “meu carro é zero” e “sou toda natural”

Se existe alguém que transformou uma entrevista em uma coleção de bordões, essa pessoa é Cariúcha.

Antes de se tornar conhecida por trabalhos na televisão, a artista ganhou projeção nacional depois de participar de uma reportagem do Profissão Repórter, da Globo, sobre o concurso “Garota da Laje”. A participação acabou virando um fenômeno na internet e rendeu frases que permaneceram no vocabulário dos memes brasileiros.

“Meu carro é zero”, “sou toda natural” e “meu peito é duro” passaram a ser repetidos, imitados e utilizados em diferentes situações nas redes sociais. Anos depois, os bordões continuam imediatamente reconhecíveis e mostram como uma fala espontânea pode ganhar uma vida própria na internet.

É o tipo de meme que dispensa explicação. Basta alguém dizer “meu carro…” para muita gente já completar mentalmente a frase.

“Taca-le pau nesse carrinho, Marcos!”

Em 2014, dois primos de Taió, em Santa Catarina, entraram para a história da internet brasileira quase sem querer.

Marcos Martinelli aparece descendo um morro em um pequeno carrinho de madeira, enquanto o primo Leandro Beninca narra a aventura com entusiasmo. A frase “Taca-le pau nesse carrinho, Marcos!” rapidamente ultrapassou o vídeo original e virou bordão nacional.

O vídeo havia sido publicado no YouTube naquele ano, inicialmente como uma brincadeira entre familiares e amigos. Meses depois, ganhou força nas redes sociais e chegou a milhões de visualizações.

O curioso é que a frase continua funcionando mesmo fora do contexto original. Quando alguém quer incentivar outra pessoa a acelerar, fazer alguma coisa com vontade ou simplesmente brincar, “taca-le pau” ainda aparece.

“Já acabou, Jéssica?”

Poucos memes brasileiros são tão reconhecíveis quanto o “Já acabou, Jéssica?”.

O vídeo viralizou em 2015 e mostrava uma briga entre duas adolescentes. Depois do confronto, uma das garotas se levanta e pergunta: “Já acabou, Jéssica?”. A frase rapidamente deixou de pertencer apenas àquela situação e passou a ser utilizada em montagens, vídeos e conversas nas redes sociais.

A cena aconteceu em Alto Jequitibá, em Minas Gerais, e rapidamente foi parar nas redes sociais. A frase se tornou uma espécie de resposta pronta para qualquer situação em que alguém quer saber se alguma coisa finalmente terminou.

Quase uma década depois, basta alguém perguntar “já acabou?” para a memória coletiva fazer o resto.

Jojo Todynho e o “leite”

Jojo Todynho também deixou sua contribuição para o dicionário dos memes brasileiros.

Em um dos áudios que mais circularam pelas redes sociais, a cantora dispara, em tom indignado, a pergunta: “Quem te critica, vai te dar um leite? Não!”. O trecho foi reproduzido, dublado e adaptado inúmeras vezes por usuários de diferentes plataformas.

O sucesso do trecho está justamente na combinação entre a pergunta inusitada, a resposta imediata e a maneira característica de Jojo falar. É um exemplo de como uma fala cotidiana pode ganhar uma segunda vida quando cai nas redes.

“Choveu, relampeou…”

Outro trecho associado à memória dos memes de Jojo Todynho é a sequência em que ela fala sobre o tempo, perguntando se está chovendo e reagindo ao perceber que “aqui tá chovendo e relampeando”.

A frase também ganhou vida própria nas redes e passou a ser usada para situações em que alguma coisa acontece de maneira inesperada ou quando alguém precisa narrar o óbvio com uma dose extra de dramaticidade.

O episódio é mais um exemplo de como os memes da Jojo ultrapassaram o contexto original e passaram a fazer parte do repertório popular da internet brasileira.

Nicole Bahls e as horas para fritar um peixe e fazer um arroz

Outro nome que apareceu quando o assunto é memória afetiva da internet é Nicole Bahls.

Durante sua passagem por A Fazenda, a modelo e apresentadora protagonizou uma discussão que acabou transformada em um dos grandes momentos de sua participação no reality. Irritada com a demora para preparar a comida, Nicole questionou a quantidade de tempo necessária para fazer um arroz e fritar um peixe.

A fala virou meme e passou a ser utilizada para brincar com qualquer situação em que alguém demora demais para realizar uma tarefa simples.

A frase ganhou uma característica típica dos memes brasileiros: deixou de depender do contexto original. Hoje, qualquer demora na cozinha pode virar uma referência às “oito horas para fazer um arroz e fritar um peixe”.

Memes mudam, mas alguns ficam

A pesquisa informal feita pelo iG no Largo da Carioca mostra que a memória dos memes brasileiros não funciona exatamente como a lógica das redes sociais.

Memes Rodrigo T. Ribeiro

Na internet, um conteúdo pode viralizar pela manhã e ser esquecido poucos dias depois. Mas alguns vídeos conseguem atravessar o tempo porque suas frases passam a fazer parte do repertório popular.

É o caso do “taca-le pau”, do “já acabou, Jéssica?”, do “meu carro é zero”, do “meu peito é duro” e das frases de Jojo Todynho e Nicole Bahls.

Mais do que vídeos engraçados, esses memes funcionam como pequenas cápsulas de memória. Basta ouvir uma frase para muita gente lembrar onde estava, em que época aquilo viralizou e, principalmente, repetir a fala inteira, mesmo que tenham se passado anos.

No fim, talvez essa seja a maior prova de que um meme realmente entrou para a história da internet brasileira: ninguém precisa explicar a piada. É só falar a frase que todo mundo lembra.

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