A Visa trabalha para preencher um abismo que se abriu dentro da própria categoria Infinite — destinada a um público de alta renda — no Brasil. De um lado, há clientes que conseguem um cartão de crédito desse segmento com poucos milhares de reais investidos; de outro, o novo Visa Infinite Private é destinado a um público com patrimônio superior a R$ 30 milhões. Entre os dois extremos, existe uma faixa enorme de clientes de alta renda que não se encaixa necessariamente em nenhum dos dois perfis.
Em entrevista exclusiva à coluna durante a Febraban Tech, em São Paulo, nesta segunda-feira (24), o presidente da Visa do Brasil, Rodrigo Cury, reconheceu que essa diferença representa uma “oportunidade” para a companhia. Segundo ele, os próprios bancos já começaram a criar categorias intermediárias, enquanto a Visa prepara novos movimentos para atender a essa demanda.
“A gente identificou essa oportunidade lá atrás, junto com o lançamento do Privilege, que agora é Private. O que acontece é que você não consegue ter tudo ao mesmo tempo”, lembra o executivo.
A discussão sobre os próximos passos da segmentação também passa por entender como a Visa pretende acompanhar a evolução do público de alta renda.
“O cartão tem um tema de representatividade, de estilo de vida, muito grande. E ele tem que ir se adequando aos tipos de estilo de vida que vemos. Tudo o que a gente vem lançando tem uma demanda de mercado aqui. É difícil uma empresa como a Visa gerar demanda. Eu identifico a demanda e lanço um produto ou um serviço correspondente para atender a essa demanda”, afirma.
Visa Infinite Private
Nos últimos dias, a Visa anunciou que o Infinite Privilege, lançado no Brasil em maio do ano passado, será rebatizado como Infinite Private. Trata-se, segundo Cury, de um ajuste para atender a uma necessidade de padronização global. No entanto, ele comemora o fato de o segmento lançado no Brasil ter sido muito bem-visto pela matriz.
“O Brasil lança o Privilege, primeiro país que lança para superalta renda com uma série de benefícios específicos — e aí isso virou global. Então, o pessoal dos Estados Unidos fala: ‘Vou lançar isso no mundo inteiro’. Quando vai lançar no mundo inteiro, você tem que ter uma nomenclatura que atenda vários países de maneira uniforme. Então, o nome escolhido, por vários motivos, foi Visa Infinite Private. O Privilege pode ter, em alguns países, uma conotação pejorativa, alguma coisa do gênero.”
A mudança do nome virá acompanhada de uma turbinada nos benefícios do cartão, que hoje incluem um lifestyle manager, meet & greet e sala VIP exclusiva em Guarulhos, um ou dois translados door-to-door com motorista particular e helicóptero entre a capital paulista e o aeroporto internacional, dependendo do banco, seguro de emergências médicas em viagens de US$ 1 milhão, entre outras facilidades.
A Visa ainda não detalhou quais serão os benefícios oferecidos no Infinite Private, mas Cury adiantou o conceito que estará por trás do pacote.
“Pense que a Visa é uma empresa que está em 220 países e territórios no mundo inteiro, tem acesso a coisas — 15 mil instituições financeiras, 5 bilhões de credenciais de cartões. A gente tem uma potência, de perspectiva de geração de valor, muito grande. Então, para mim, é muito melhor eu embarcar num trem do que eu possa ter benefícios super, ultra-high no mundo inteiro do que construir tudo aqui do Brasil.”
Ou seja, o foco estará em oferecer facilidades ao portador do Infinite Privilege em escala global.
Entre os cinco grandes bancos do país (Itaú, Bradesco, Caixa, Banco do Brasil e Santander), apenas o Itaú aderiu ao Infinite Privilege no primeiro ano. Questionado sobre por que os outros grandes parceiros da Visa ainda não tinham aderido ao segmento, o presidente da companhia explica que há questões relacionadas ao momento de cada instituição, mas garante que haverá novidades.
“O legal é que todo mundo com quem a gente fala, a gente vê muito interesse do mercado. Então eu ainda não posso te dar os nomes com precisão, mas é uma coisa que todo mundo está olhando com muito interesse. […] Sempre são os clientes que a gente sempre vai falar a todo momento. Agora, cada um tem a sua estratégia. Eu não consigo opinar. Eu consigo recomendar algumas coisas, mas cada um tem o seu momento. Então, a gente deve ter novidades aí num curto prazo, bem curto.”
Além do Itaú, o cartão é oferecido atualmente pela XP, Porto Bank e Unicred.










