Maitê Proença afirmou que a saída de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, representou um momento decisivo para a transformação da Globo. A atriz disse que o antigo executivo conhecia profundamente a televisão, exercia um comando firme e havia deixado um conselho sobre a manutenção da qualidade da emissora. Segundo ela, a orientação acabou ignorada pelos responsáveis pelo canal. Ao recordar seus primeiros anos na empresa, a atriz descreveu um ambiente mais familiar, no qual profissionais de diferentes setores ainda aprendiam juntos como produzir novelas. Segundo a artista, Boni acompanhava os resultados e costumava enviar memorandos, flores e presentes quando reconhecia um trabalho bem executado. Naquele período, ela também percebeu uma relação diferente entre os atores e a televisão, já que cinema e teatro desfrutavam de maior prestígio no meio artístico. Com o desenvolvimento da indústria televisiva, Maitê Proença considera que as relações internas também sofreram mudanças. Para ela, o processo coletivo de aprendizado ajudava a manter os profissionais mais humildes no começo, mas o crescimento da estrutura trouxe posteriormente “uma certa arrogância” aos bastidores. “A saída do Boni atrapalhou muito. O Boni era um intuitivo que conhecia tudo. Aprendeu sozinho, mas aprendeu muito, sabia muito”, disse para a Veja.
Maitê Proença diz que conselho de Boni foi ignorado
“Para a TV Globo se manter no patamar que ela tinha, só nivelando por cima, porque por baixo já tinha quem fizesse. Não ouviram”, declarou Maitê Proença. “Ele tinha um pulso firme. Mandava embora quem tinha que mandar, sem medo”, afirmou. Maitê Proença recordou ainda uma ocasião em que Boni teria determinado a regravação de cinco capítulos de uma novela porque não aprovou o material apresentado. “Faziam de novo, dava certo”, resumiu. A conversa levou Maitê Proença a recordar o encerramento de sua própria relação profissional com a emissora. A atriz afirmou que entrou na Globo aos 20 anos e foi dispensada aos 60, depois de quatro décadas de vínculo. “Entrei com 20 anos, fui mandada embora com 60 e não teve carta, não teve aviso prévio, não teve fundo de garantia, não teve nada”, relatou. A atriz acrescentou que a situação “poderia ter destruído a vida” caso não tivesse administrado previamente seus recursos. A artista também afirmou que recebeu pela imprensa a informação sobre o encerramento do vínculo, apesar de ter ouvido anteriormente que continuaria contratada pela empresa nos anos seguintes. Na época, ela havia terminado sua participação em Liberdade, Liberdade (2016), última novela que realizou na Globo.









