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A marca de moda e beleza de Victoria Beckham registrou seu primeiro lucro operacional em 18 anos de negócio e agora se prepara para inaugurar sua primeira loja permanente, em Nova York.
A Victoria Beckham Holdings registrou um lucro de US$ 9,9 milhões em 2025, ante um prejuízo operacional de US$ 2,2 milhões no ano anterior. A receita cresceu 15%, para US$ 175,2 milhões, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento de dois dígitos.
À primeira vista, este parece ser o ponto de virada pelo qual a empresa vinha trabalhando há anos. Mas agora surge a questão: Victoria Beckham construiu de fato uma empresa de luxo sustentável ou simplesmente teve um ano excepcional?
“Este é um momento histórico para a Victoria Beckham e reflete vários anos de execução disciplinada e investimentos estratégicos”, afirmou o CEO Sybille Darricarrère Lunel, que ingressou na empresa de moda em julho de 2025, após uma carreira na Christian Dior Couture. “Alcançar esse resultado diante de um mercado de luxo e de um cenário macroeconômico mais desafiadores torna essa conquista ainda mais significativa.”
18 anos depois
A trajetória foi longa. Victoria Beckham lançou sua marca de moda em 2008, com uma pequena coleção de vestidos e uma dose considerável de ceticismo sobre a possibilidade de uma ex-Spice Girl se estabelecer como uma designer respeitada.
Desde então, a marca se expandiu para bolsas, artigos de couro, produtos de beleza e fragrâncias, mas a lucratividade se mostrou difícil de alcançar.
A empresa acumulou perdas substanciais ao longo de sua primeira década e nos anos seguintes, enquanto David Beckham e a própria Victoria Beckham, juntamente com a gestora de investimentos NEO Investment Partners, forneceram apoio financeiro repetidamente.
A NEO investiu US$ 40,5 milhões em 2017 por uma participação minoritária significativa. Até 2024, a empresa ainda registrava prejuízo operacional, embora ele já tivesse diminuído drasticamente em relação aos anos anteriores.
Victoria Beckham mantém o foco no negócio principal
O negócio de moda parece ter se tornado consideravelmente mais focado à medida que a Victoria Beckham estruturou sua proposta em torno de um conjunto claro de produtos-chave: alfaiataria, vestidos, roupas para ocasiões especiais e peças sofisticadas para o dia a dia.
Vestidos e peças de gala representaram 32% das vendas no varejo em 2025, enquanto a coleção Iconics apresentou desempenho particularmente forte. A Katherine Jacket, a Alina Trouser, a Isabella Gown e o Bela Dress se tornaram o tipo de peças-símbolo reconhecíveis de que as marcas de luxo precisam para ir além do reconhecimento de seu fundador e desenvolver uma identidade própria de produto.
As vendas diretas ao consumidor também se beneficiaram do aumento do fluxo de clientes e da taxa de conversão na flagship da Dover Street, em Londres, além do crescimento por meio do site da empresa.
O negócio de beleza de Victoria Beckham
Mas talvez a maior mudança estrutural tenha sido o crescimento do negócio de beleza. A Victoria Beckham Beauty foi lançada em 2019 e, cada vez mais, tornou-se um segundo motor de crescimento, em vez de apenas uma extensão da marca de moda.
A evidência mais recente é o The Foundation Drops, produto que mais do que dobrou o tamanho do negócio de cuidados com a pele. Ele se tornou o segundo produto mais vendido da empresa, esgotou pouco depois do lançamento e gerou uma lista de espera com mais de 25 mil clientes antes de retornar ao mercado em 2026.
“A menos que todos estejamos ansiosos para ter aquilo em que estamos trabalhando, o produto não entra no plano de desenvolvimento”, afirmou Lauren Edelman, CEO da Victoria Beckham Beauty.
A empresa agora está ampliando a distribuição de seus produtos de beleza por meio de varejistas como Nordstrom, Bloomingdale’s, Mecca, Space NK e Harrods. A companhia afirma que pretende chegar a mais de 300 pontos de venda em 15 mercados. A categoria de fragrâncias também vem ganhando força, com o Portofino ’97 Eau de Parfum entre os produtos de melhor desempenho.
“Temos grandes ambições de expandir nossa presença global nos próximos cinco anos”, afirmou Edelman, “ao mesmo tempo em que continuamos sendo altamente criteriosos na forma como crescemos e focados em parceiros que construam valor de marca e desejo no longo prazo.”
A nova loja da Victoria Beckham em Nova York
Neste ano, a empresa abriu seu primeiro ponto de venda nos Estados Unidos por meio de uma loja temporária (pop-up) no Bal Harbour Shops, em Miami, na Flórida, que funcionará até 30 de setembro.
Enquanto isso, uma loja em Nova York, na Mercer Street, deve ser inaugurada em setembro, em uma data ainda não confirmada. O espaço reunirá moda, beleza e fragrâncias sob o mesmo teto.
Os Estados Unidos são particularmente importantes, já que o país já é o maior mercado da Victoria Beckham Beauty e oferece uma base de clientes potencial muito maior para a moda.
O lançamento, em abril, da coleção Victoria Beckham x Gap também demonstrou a dimensão do interesse dos consumidores em torno do nome da estilista. A primeira coleção, com 38 peças, apresentou fortes vendas e, ao mesmo tempo, deu a Beckham acesso a um público muito maior do que o consumidor tradicional de produtos de luxo.
A maior conquista da ex-Spice Girl talvez já não seja convencer a indústria da moda de que ela é uma designer. Em vez disso, pode ser provar que é capaz de manter, no longo prazo, uma empresa de luxo lucrativa.
*Mark Faithfull é colaborador da Forbes EUA, especialista global em varejo e imobiliário. É editor-chefe do MAPIC em Cannes e editor do World Retail Congress, dois dos maiores eventos anuais internacionais de negócios de varejo.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com
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