Caso Isis Valverde: reserva ovariana baixa não tem reversão

Atriz surpreendeu o público com o relato nos stories do InstagramReprodução/Instagram

Aos 39 anos, Isis Valverde revelou que está tentando engravidar, mas enfrenta uma baixa reserva ovariana. Segundo seu relato, a atriz chegou a suspeitar de menopausa precoce, hipótese posteriormente descartada. Ela também contou que tem doença celíaca e apresentou alterações hormonais durante a investigação da condição.

O caso levanta uma dúvida comum: é possível recuperar a reserva ovariana? Atualmente, não existe tratamento, suplemento, dieta ou atividade física capaz de repor os óvulos perdidos. Isso, porém, não significa que uma gravidez natural seja impossível.

A reserva ovariana representa a quantidade estimada de óvulos ainda disponíveis. A mulher já nasce com um número determinado dessas células, que diminui continuamente ao longo da vida. Embora a idade seja o principal fator relacionado a essa redução, mulheres da mesma faixa etária podem apresentar reservas bastante diferentes.

“Baixa reserva ovariana significa que existe uma quantidade menor de folículos e, consequentemente, de óvulos potencialmente disponíveis do que seria esperado para a idade. Mas isso não significa necessariamente infertilidade”, explica a ginecologista e especialista em reprodução humana pela Febrasgo, Dra. Paula Fettback.

A avaliação costuma ser feita por meio da dosagem do hormônio antimülleriano, o AMH, e da contagem de folículos antrais, realizada por ultrassonografia transvaginal. Esses exames analisam principalmente a quantidade de óvulos, não a qualidade.

“O AMH não é um teste de fertilidade. Ele ajuda a estimar a quantidade de folículos e a provável resposta dos ovários a uma estimulação, mas tem capacidade limitada para prever uma gravidez natural. A qualidade dos óvulos está muito mais relacionada à idade da mulher”, esclarece Paula.

A Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, reforça que uma mulher com baixa reserva pode continuar ovulando e engravidar espontaneamente.

Apesar das promessas encontradas na internet, não há tratamento comprovado capaz de fazer o ovário produzir novos óvulos ou reconstruir a reserva perdida.

“É preciso ter cautela com vitaminas, medicamentos e procedimentos divulgados como formas de rejuvenescimento ovariano. Podemos melhorar as condições metabólicas da paciente e aproveitar melhor a reserva que ainda existe, mas isso é diferente de ‘criar’ novos óvulos”, alerta Paula.

Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do peso e abandono do cigarro são importantes para a saúde reprodutiva, mas não aumentam o estoque de óvulos. A suplementação também deve ser individualizada e não pode ser encarada como uma forma de reverter o envelhecimento ovariano.

“Hábitos saudáveis contribuem para a saúde da mulher e para uma futura gestação, mas não recuperam a reserva. É importante separar quantidade e qualidade. A reserva está relacionada ao número de óvulos, enquanto a qualidade depende principalmente da idade”, explica Graziela.

No relato, Isis associou a doença celíaca às alterações hormonais encontradas durante a investigação. As especialistas, no entanto, ponderam que essa relação não deve ser generalizada. Existem estudos que sugerem uma possível associação entre a doença celíaca e alterações reprodutivas, mas não há evidências suficientes para afirmar que a condição necessariamente provoque baixa reserva ovariana.

Além da idade, predisposição genética, histórico familiar de menopausa precoce, tabagismo, quimioterapia, radioterapia, cirurgias nos ovários e endometriose também podem antecipar a redução da reserva.

De forma geral, mulheres com menos de 35 anos devem procurar avaliação após 12 meses de tentativas sem sucesso. A partir dos 35, a investigação costuma ser indicada depois de seis meses. Acima dos 40 anos ou quando já existe baixa reserva ovariana, a avaliação pode ser antecipada.

“Dependendo da idade, dos exames e das condições do casal, podemos considerar desde a continuidade das tentativas naturais até estratégias como coito programado, inseminação intrauterina ou fertilização in vitro”, afirma Graziela.

Para Paula Fettback, o resultado não deve ser recebido como uma sentença, mas pode indicar uma janela reprodutiva menor. “Baixa reserva ovariana não significa que a mulher não possa engravidar. Significa, muitas vezes, que talvez ela não tenha o mesmo tempo para esperar. Em algumas situações, a melhor intervenção não é tentar aumentar o AMH, mas evitar a perda de um tempo que pode ser decisivo”, conclui.

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