Bruno Fagundes voltou a se manifestar após a repercussão de seus comentários sobre a escalação de Juliano Floss em “Paraíso Perdido”, nova produção do Globoplay com estreia prevista para 2027. O ator negou que tenha feito uma crítica pessoal ao influenciador e afirmou que sua declaração tinha como objetivo discutir o funcionamento do mercado audiovisual.
A nova manifestação aconteceu nos comentários de uma publicação do perfil PLAY VIEWS, no Instagram. “Essa chamada não corresponde ao que eu escrevi”, iniciou Bruno, fazendo referência à forma como sua declaração havia sido repercutida.
Na sequência, o ator explicou que sua intenção era questionar os critérios utilizados pelo mercado, e não afirmar que Juliano Floss seria incapaz de desempenhar o papel. “Eu escrevi muito claramente que eu espero que ele tenha as qualidades necessárias, já vimos acontecer muitas vezes. Podemos estar diante de mais um exemplo. Eu descrevi um sintoma do mercado, uma característica do sistema”, afirmou.
Bruno também destacou que é crítico ao chamado “nepo privilégio”, termo usado para se referir às vantagens associadas a vínculos familiares com pessoas já estabelecidas em determinada indústria. Filho de Antonio Fagundes, o ator disse acreditar na importância do estudo e do trabalho para a construção de uma carreira.
“Sou crítico INCLUSIVE ao nepo privilégio. Acredito muito no trabalho e no estudo. Nunca fiz uma novela das 9, por exemplo e poderia ter forçado uma barra, algum momento”, escreveu.
Ele ainda citou a própria trajetória profissional como exemplo da escolha por seguir processos de seleção para conquistar seus personagens. “Vivo personagens que fui escolhido pra viver, testado, escalado e aprovado. E faço isso porque esse é o caminho que quero pra mim”, completou.
Entenda a polêmica
A discussão começou após Sérgio Goldenberg, um dos autores de “Paraíso Perdido”, defender a escolha de Juliano Floss para interpretar Heitor Júnior. Segundo o roteirista, a decisão foi tomada coletivamente após a avaliação dos testes realizados pelos candidatos. Goldenberg afirmou que Floss foi bem desde o início e destacou o carisma e a química do influenciador com o personagem.
A declaração motivou uma reação de Bruno Fagundes nas redes sociais. Em um primeiro momento, o ator escreveu que havia “atores perdendo oportunidade para influs [influenciadores]” e argumentou que popularidade e carisma, isoladamente, não seriam suficientes para garantir uma atuação consistente.
Bruno afirmou ainda que “número não garante sucesso” e que “carisma não segura cena”, defendendo a importância de experiência e técnica para lidar com diferentes camadas de um texto dramático. Ao mesmo tempo, ponderou que uma pessoa sem experiência como ator pode surpreender e entregar um bom trabalho, justamente a possibilidade que, segundo ele, espera que tenha sido identificada nos testes de Floss.
A declaração provocou debate nas redes sociais. Parte das reações se concentrou na defesa de profissionais com formação e experiência, enquanto outros usuários questionaram a posição de Bruno justamente por ele ser filho de Antonio Fagundes, apontando a discussão sobre privilégios e acesso no mercado artístico.
A escolha de Floss já havia provocado questionamentos anteriormente. Em julho, o Sated-RJ informou que acompanharia a contratação do influenciador e afirmou não ter sido oficialmente comunicado sobre a escalação naquele momento.
Quem é o personagem de Juliano Floss
Em “Paraíso Perdido”, Juliano Floss fará sua estreia como ator em uma novela e interpretará Heitor Júnior, filho de Werneck, personagem de Alexandre Nero. A trama é assinada por George Moura e Sérgio Goldenberg e reúne elementos de quatro obras de Nelson Rodrigues.
A produção terá 40 capítulos e é ambientada no Rio de Janeiro contemporâneo. O elenco inclui ainda nomes como Maeve Jinkings, Alanis Guillen, Eduardo Sterblitch e Juan Paiva.








