Tarcísio de Freitas (Republicanos)
TV Globo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição em São Paulo, afirmou nesta segunda-feira (21) que pretende ampliar a quantidade de vagas em universidades públicas oferecidas por meio do Provão Paulista. A declaração ocorre semanas após um estudo apontar milhares de desempenhos atípicos e levantar suspeitas de fraude no vestibular (entenda abaixo).
O candidato afirmou que o desempenho dos estudantes que ingressaram pelo Provão Paulista tem sido usado como argumento para avaliar o aumento da oferta:
“A ideia é aumentar a quantidade de vagas. Ainda não, porque a gente vai ter que, obviamente, construir isso com as universidades. A possibilidade nasce do desempenho dos alunos do Provão Paulista nos cursos superiores. Isso nos dá o espaço para pensar em uma ampliação. Hoje, a gente oferece 15 mil vagas por ano”.
No entanto, Tarcísio não informou quantas vagas pretende criar nem como elas seriam distribuídas entre as instituições. Também não detalhou quando a eventual ampliação seria implementada.
A fala aconteceu após um evento no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na Zona Sul da capital.
O g1 procurou o governador para saber dos detalhes da proposta, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Possíveis fraudes
A fala sobre a ampliação das vagas ocorre duas semanas depois da divulgação de uma análise das três primeiras edições do Provão Paulista, que apontou possíveis fraudes nas provas.
O estudo identificou milhares de desempenhos considerados estatisticamente atípicos entre estudantes da rede estadual de São Paulo;
Os resultados atípicos estavam concentrados em determinadas escolas e regiões do estado nos exames de 2024 e 2025;
Os pesquisadores analisaram os microdados das edições de 2023, 2024 e 2025 do vestibular, obtidos via Lei de Acesso à Informação.
Um dos principais pontos analisados foi a variação do desempenho dos mesmos estudantes ao longo das diferentes edições. Os pesquisadores classificaram como atípicas algumas variações consideradas extremamente improváveis de um ano para outro.
O próprio estudo, porém, não permite afirmar que um determinado estudante tenha fraudado a prova. O critério utilizado pelos pesquisadores é estatístico.
Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP e um dos responsáveis pelo estudo, explicou:
“Em tese, e por várias razões, um aluno poderia apresentar uma melhora excepcional de um ano para o outro em um exame. O problema ocorre quando, coincidentemente, milhares de resultados excepcionais aparecem concentrados nas mesmas escolas e nas mesmas regiões. Nesse caso, só um milagre poderia explicar o fenômeno”.
A Secretaria da Educação afirmou que os dados apresentados no estudo não permitem sustentar a conclusão de ocorrência de fraude sistêmica no Provão Paulista nem de comprometimento do processo seletivo.
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“Associar resultados estatisticamente atípicos à ocorrência de fraude, sem evidências individualizadas que estabeleçam essa relação, é uma correlação temerária e que extrapola o que os próprios dados permitem afirmar”, afirmou a pasta.
Como funciona o Provão Paulista
O Provão Paulista é um vestibular seriado voltado a estudantes da rede pública de ensino. Diferentemente de um vestibular tradicional, no qual o candidato disputa uma vaga a partir de uma única prova, o modelo acompanha o estudante durante o Ensino Médio.
O aluno faz o exame nos três anos do Ensino Médio. A nota final, baseada no desempenho nas três edições, é utilizada na disputa por uma vaga na graduação.
Assim, um estudante que está no 1º ano do Ensino Médio em 2026, por exemplo, ainda terá de fazer as provas dos anos seguintes para concluir o ciclo e disputar uma vaga no ensino superior.
Foi justamente a análise dos resultados acumulados dos estudantes em diferentes edições que permitiu aos pesquisadores identificar as variações de desempenho consideradas estatisticamente atípicas.
Tarcísio também promete ampliar Fatecs e Etecs
Além das vagas nas universidades pelo Provão Paulista, Tarcísio afirmou que pretende ampliar a rede de ensino técnico e tecnológico do estado.
“Com certeza, nós vamos ampliar, nós temos demanda para isso. Ampliar as ETECs, ampliar as FATECs, investir na infraestrutura que já existe”. Segundo ele, o governo pretende investir R$ 600 milhões por ano na recuperação da infraestrutura.
O governador também afirmou que pretende rever o plano de carreira do Centro Paula Souza, instituição responsável pelas Etecs e Fatecs, em um eventual próximo mandato.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) fala sobre Educação em entrevista à TV Globo






