Nos pulsos de jogadores, cantores, influenciadores e outras celebridades, relógios de luxo costumam chamar atenção pelos valores e pela exclusividade. Rolex, Patek Philippe e Audemars Piguet, no entanto, podem representar mais do que símbolos de status: determinadas peças também são aceitas como garantia em operações de crédito.
Nos Estados Unidos, empresas especializadas já trabalham com esse modelo. No Brasil, a Caixa Econômica Federal também prevê relógios de marcas reconhecidas entre os bens que podem passar por avaliação em operações de penhor.
Mas o que faz uma peça associada ao universo dos famosos ganhar valor também fora do pulso?
Ser caro não é suficiente Segundo Renan Bastos, especialista no mercado internacional de relógios de luxo e CEO da RC Crown, um dos principais fatores é a liquidez. Ou seja, a possibilidade de encontrar compradores para determinada referência com relativa facilidade.
“Quanto mais fácil é saber quanto determinada referência está sendo negociada e quantos compradores existem para ela, mais simples fica estimar sua liquidez”, explica.
Modelos como Rolex Daytona, Submariner e GMT-Master II, além de determinadas referências do Patek Philippe Nautilus e do Audemars Piguet Royal Oak, possuem mercados secundários internacionais ativos.
Nessas operações, fatores como estado de conservação, originalidade, documentação e procura pelo modelo também podem interferir na avaliação.
Do objeto de desejo ao patrimônio A lógica é relativamente simples: a peça passa por avaliação e fica sob custódia durante o período do crédito. Depois da quitação, retorna ao proprietário. Caso a dívida não seja paga, existe a possibilidade de o relógio ser vendido.
Isso não significa, porém, que qualquer relógio caro tenha o mesmo potencial.
Para Renan, o valor de etiqueta não basta para transformar uma peça em um bem de alta liquidez. É necessário existir demanda real e referências de preço que permitam estimar quanto o mercado está disposto a pagar.
Assim, algumas das grifes que se tornaram símbolos de desejo e ostentação no universo das celebridades também ganharam outra dimensão: determinadas peças podem representar um patrimônio capaz de ser convertido temporariamente em crédito.





