Globo é condenada a pagar R$ 15 mil após reportagem no Fantástico

Globo foi condenada a indenizar advogado citado pelo FantásticoReprodução/Internet

A Globo foi condenada em segunda instância a pagar R$ 15 mil de indenização a um advogado que teve o nome associado indevidamente a um golpe em uma reportagem do Fantástico. A matéria foi exibida em outubro do ano passado e tratava do golpe do falso advogado. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a sentença de primeira instância. Ainda cabe recurso. As informações são da coluna Rogério Gentile, do UOL. O advogado, registrado na OAB-SP desde 2017, contou à Justiça que soube da exibição ao chegar ao trabalho no dia seguinte. “Ele é um dos ‘falsos advogados’ da quadrilha que roubou R$ 255 mil dessa aposentada”, disse o repórter após a exibição do nome do autor do processo em uma tela de computador. Na ação, o profissional afirmou que passou a sofrer discriminação dos próprios colegas e chegou a ser chamado de “estelionatário”. Segundo ele, a reportagem provocou “abalos descomunais” em sua reputação pessoal e profissional. Os advogados proprietários do escritório onde ele trabalha também declararam no processo que o profissional sempre exerceu suas funções com integridade, ética e responsabilidade em milhares de processos.

Globo alegou uso indevido das credenciais

A Globo sustentou que não acusou o advogado de integrar a quadrilha e disse que o nome apareceu diante da suspeita de uso indevido de suas credenciais pelos criminosos. “Não se pode atribuir essa divulgação a uma intenção ofensiva da ré [Globo]”, afirmou a defesa da emissora à Justiça. A empresa também retirou posteriormente o nome das imagens disponíveis em suas plataformas. “Eventuais abalos supostamente experimentados pelo autor do processo resultam do criminoso vazamento e utilização dos seus dados, e não da regular divulgação da matéria jornalística.” A emissora também esclareceu, ao atualizar o conteúdo em suas plataformas, que o advogado não tinha relação com o crime. A Justiça, porém, não aceitou os argumentos apresentados pela defesa e manteve a indenização de R$ 15 mil. O valor ainda terá acréscimo de juros e correção monetária. O relator Mário Chiuvite Júnior afirmou que a Globo deveria ter adotado cautelas para impedir a identificação de uma pessoa sem relação com o crime como integrante da quadrilha. “A ausência de dolo não afasta a responsabilidade quando evidenciada a falta do dever de cuidado na apuração, edição e contextualização das informações divulgadas”, afirmou o magistrado.

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