Ayres Rocha, apresentador do Jornal Nacional, morre aos 62 anos

Ayres Rocha morreu aos 62 anos nesta quarta-feira (14), no AcreReprodução/Internet

O jornalista Ayres Rocha morreu nesta quarta-feira (14), aos 62 anos, em Rio Branco, no Acre. O apresentador enfrentava um câncer e havia retornado à capital acreana depois de passar por tratamento em João Pessoa, na Paraíba. Conhecido por apresentar o Jornal do Acre 2ª Edição, da Rede Amazônica, ele comandou uma edição do Jornal Nacional em 2019, em comemoração aos 50 anos do telejornal da Globo.  A volta para Rio Branco ocorreu há cerca de um mês, por decisão do próprio jornalista, que desejava permanecer perto dos familiares. De acordo com sua irmã, Elaina Rocha, o apresentador mantinha uma relação de afeto com a cidade onde nasceu e desenvolveu sua carreira. Em entrevista para a Rede Amazônica, ela explicou o motivo do retorno: “Ele veio para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”. Elaina Rocha contou que o irmão passou os últimos dias cercado por familiares e recebeu visitas no hospital até a noite anterior à morte. Mesmo diante das dificuldades provocadas pela doença, o jornalista manteve o contato com os parentes e conseguiu fazer brincadeiras por meio de gestos. A irmã destacou a serenidade do apresentador durante os encontros e recordou o comportamento dele na véspera de sua morte. “Ele estava tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. Ele estava feliz porque estava vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou Elaina. A familiar também ressaltou o carinho que Ayres recebia de amigos, parentes e colegas de profissão. Entre os vínculos profissionais, destacou a relação com a Rede Amazônica, emissora na qual o comunicador passou grande parte da carreira e se tornou conhecido pelo público acreano.

Carreira do comunicador

José Ayres de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Durante a infância, morou em uma casa na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque. Era o caçula de uma família com nove filhos biológicos e duas filhas adotivas. Seus pais eram Álvaro Vieira da Rocha, natural do Pará, e Raimunda de Souza Rocha, de Xapuri, município do interior acreano. Foi na capital que iniciou sua vida profissional. A entrada de Ayres Rocha na televisão aconteceu em 1989, quando ele trabalhava como bancário durante as manhãs e procurava outra ocupação para o período da tarde. A oportunidade surgiu na então TV Acre, onde passou os primeiros meses acompanhando a rotina dos profissionais da redação. Sem experiência diante das câmeras, recebeu um convite para substituir o apresentador de um programa esportivo que havia faltado ao trabalho naquele dia. Apesar do receio inicial, Ayres aceitou apresentar a atração esportiva e iniciou sua carreira na televisão. Posteriormente, passou por diferentes telejornais da emissora, com participações nas edições da manhã e da tarde. Em 1995, assumiu a bancada do Jornal do Acre 2ª Edição. O noticiário passou a fazer parte de sua rotina profissional e marcou três décadas de atuação como apresentador na Rede Amazônica. Ao longo desse período, o jornalista desenvolveu uma forma de apresentar as notícias marcada pela voz característica e pela serenidade diante das câmeras. Na redação, recebeu dos colegas o apelido de “professor”, em referência à relação que mantinha com os profissionais. Também buscou formação acadêmica na área ao ingressar no curso de Comunicação Social. Sua atuação acompanhou mudanças no telejornalismo e na cobertura dos acontecimentos regionais.

Jornal Nacional foi um marco

Em 2019, Ayres Rocha representou o Acre em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da Globo. Na ocasião, ele dividiu o comando do jornal mais visto do país com a jornalista Jéssica Senra, então apresentadora do Bahia Meio-Dia. A participação levou o trabalho do comunicador acreano ao público nacional e marcou um dos momentos de maior exposição de sua carreira fora da programação regional da Rede Amazônica. A edição especial fez parte das comemorações do cinquentenário do Jornal Nacional, que reuniu representantes do telejornalismo de diferentes regiões do país. Para Ayres, a participação representou uma oportunidade de apresentar seu trabalho a telespectadores de outros estados. Até então, sua imagem estava associada principalmente à cobertura diária dos acontecimentos do Acre, onde construiu uma relação de proximidade com o público ao longo de três décadas.

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