“Meus mortos tristes” traz o diálogo entre vivos e mortos

Mercedes Morán em Meus mortos tristesReprodução – frame de vídeo do YouTube

O real maravilhoso ou realismo fantástico, que teve grande destaque na literatura latino-americana na segunda metade do século XX, deixou sua marca em outras expressões artísticas.

Recentemente, podemos encontrar ecos dessa influência em produções da Netflix.

Esse é o caso da minissérie Meus mortos tristes, no original argentino Mis muertos tristes.

É o relato de uma médica que fala com os mortos, em geral com aqueles que tiveram uma morte trágica ou sofrida.

Trama

A minissérie está ambientada em Piedrabuena, em Villa Lugano, sudoeste de Buenos Aires.

O primeiro, de um total de quatro episódios, inicia com a médica Emma, personagem interpretada pela atriz Mercedes Morán, sendo obrigada a se aposentar, depois de ter recentemente cuidado da mãe em estado terminal.

O realismo fantástico está presente nos diálogos e visões de Emma, muitas vezes chamada para acalmar os mortos tristes, que perambulam atormentando os vivos.

Sua vida sofre uma mudança brusca com a visita de sua irmã Lidia (Alejandra Flechner), do cunhado Tomás (Carlos Portaluppi) e de sobrinha Julie (Carolina Álvarez), que, tal como a tia, tem o dom de falar com os mortos, só que o usa de forma mais intensa.

Acrescente-se a tudo isso o relacionamento conturbado de Emma com sua filha Carolina (Dolores Fonzi).

Os conflitos com seu núcleo familiar se intensificam depois do assassinato de três jovens do bairro e da contaminação da água do local.

A partir desses fatos, muitas pessoas começam a ouvir vozes de mortos.

Trilha sonora

Há duas canções que merecem ser destacadas.

A primeira é “No”, interpretada por Shakira e Gustavo Cerati, líder do Soda Stereo, uma das principais bandas de rock da Argentina e da América Latina.

A música fala de despedida e do fim de um relacionamento.

A segunda é “Alfonsina y el mar”, composição de Ariel Ramírez e Félix Luna, na belíssima interpretação de Mercedes Sosa.

Essa canção foi inspirada na partida da poeta Alfonsina Storni que se despediu da vida entrando definitivamente no mar.

Ambas as músicas ajudam a dar maior dramaticidade à série.

As atrizes Carolina Álvarez e Mercedes Morán em Meus mortos tristesReprodução – frame de vídeo do YouTube

Inspiração

Meus mortos tristes tem direção do chileno Pablo Larraín, que foi o diretor de Tony Manero (2008), No (2012) e Neruda (2016).

O roteiro é inspirado em quatro contos da escritora argentina Mariana Enríquez.

Ela é autora de As coisas que perdemos no fogo (contos), Este é o mar (romance), Nossa parte de noite (romance) e Os perigos de fumar na cama (contos), editados no Brasil pela Editora Intrínseca.

Muitas de suas obras trazem como temática o terror e a realidade social.

Um aviso aos olhares mais sensíveis: a minissérie Meus mortos tristes apresenta algumas cenas violentas.

Apesar disso, ela merece ser assistida.

Não se esqueça

Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br  e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina 

Assista o trailer de Meus mortos tristes, em espanhol:

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