Um relatório preliminar divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta que o helicóptero envolvido no acidente que matou o cantor Rick Sollo (1966-2026), dupla sertaneja com Renner, e outros quatro ocupantes, em Urubici, no interior de Santa Catarina, apresentava falhas frequentes nos geradores. O documento também indica que o gravador de voz da cabine não registrou o voo do dia do acidente.
Além de Rick, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Falhas frequentes
O relatório, de 16 páginas, aponta que um dos mecânicos responsáveis pela manutenção do helicóptero Bell 430 apontou problemas recorrentes nos geradores, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens e/ou sob chuva).
Um mecânico que havia realizado serviços na aeronave confirmou a ocorrência de falhas intermitentes, mas informou que, durante as pesquisas de pane, não havia sido possível estabelecer relação entre essas falhas e a presença de umidade.
As intervenções realizadas nos geradores resultaram em uma melhora temporária, mas as anormalidades voltaram a ocorrer. De acordo com os relatos, durante esses episódios, um dos geradores deixava de fornecer energia, enquanto o outro mantinha a alimentação elétrica da aeronave, sem que as telas se apagassem. O funcionamento do gerador afetado era restabelecido após a realização de um procedimento de reinicialização (reset).
Os registros de manutenção indicam que, em 25 de abril deste ano, o motor-gerador de partida (starter-generator) número dois foi substituído por uma unidade locada. O componente retirado passou por reparos e foi reinstalado na aeronave em 13 de maio.
Na mesma intervenção, a unidade que anteriormente ocupava a posição número um foi transferida para a posição número dois. Entretanto, as falhas, que antes estavam restritas ao segundo gerador, passaram a ocorrer alternadamente nos dois equipamentos.
O mecânico informou que havia recomendado o retorno da aeronave à manutenção para uma nova investigação das falhas, o que ainda não havia ocorrido até a data do acidente.
Gravador não registrou o voo
O relatório também apontou que as gravações do Cockpit Voice Recorder (CVR), equipamento conhecido como gravador de voz da cabine e instalado na caixa-preta da aeronave, não correspondiam ao voo em que ocorreu o acidente.
O equipamento tinha capacidade para armazenar 30 minutos de conversas e sons da cabine. No entanto, o conteúdo recuperado incluía diálogos relacionados a uma intervenção de manutenção realizada em data não identificada, sem registros referentes ao voo do acidente.
Condições meteorológicas
Além dos apontamentos sobre as condições técnicas do helicóptero, o órgão de investigação, ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), destacou que, em 21 de setembro de 2026, data do acidente, havia previsão de condições meteorológicas desfavoráveis ao voo, incluindo trovoadas, ventos fortes e possibilidade de formação de granizo.
Imagens de uma câmera de segurança do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Morro da Igreja (DTCEA-MDI), situado a cerca de oito quilômetros do local do acidente, mostravam a paisagem encoberta nas proximidades da instalação.
Em conjunto com os demais elementos analisados, as imagens indicaram condições favoráveis à persistência de nuvens junto às encostas e cristas da Serra Geral, com redução do teto e da visibilidade.
Histórico do voo
A aeronave decolou do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), Porto Belo, SC, às 13h49, com destino a uma área não cadastrada em São Joaquim, SC, a fim de realizar um voo privado com dois tripulantes e três passageiros a bordo.
Durante o voo, a aeronave colidiu contra o terreno em região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina, por volta das 14h30.
O Cenipa ressalta que o documento tem caráter preliminar e que nenhuma hipótese foi descartada durante a investigação.





