Dólar vai bater R$ 6 neste ano? Especialistas avaliam cenário

Até onde vai a queda do dólar?Conteúdo gerado por IA

A reação do mercado financeiro nesta segunda-feira (26) ao resultado das eleições de 2026 colocou a seguinte questão em pauta: até onde vai a alta do dólar? Existe a possibilidade de a moeda americana superar R$ 6 novamente? Para especialistas, as próximas sinalizações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente sobre as contas públicas e a composição da equipe econômica, serão fator chave para a valorização cambial.

Nesta segunda-feira (26), “day-after” das eleições, a moeda americana abriu em alta de 12%, batendo R% 5, 60. Às 15h, a alta arrefeceu e a moeda estabilizou na casa dos R$ 5,43.

Gustavo Cruz, da RB Investimentos, avalia que, caso o dólar ultrapasse a marca de R$ 6, isso poderá acontecer já nesta semana. Segundo ele, se a moeda não atingir esse patamar, o movimento pode indicar que o mercado não considera o cenário tão negativo quanto as reações iniciais sugerem.

O especialista também destaca a necessidade de acompanhar as indicações para as duas cadeiras vagas no Banco Central e a definição da equipe econômica do próximo mandato. Os nomes escolhidos, segundo ele, podem contribuir para acalmar os investidores ou aumentar as incertezas.

Outro ponto de atenção é a trajetória das contas públicas. Cruz questiona como o governo pretende financiar as medidas prometidas durante a campanha e se haverá iniciativas para compensar o aumento das despesas.

Sem contrapartidas, a dívida pública pode crescer acima das projeções atuais, que apontam para uma relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) próxima de 90% em 2030. Esse cenário seria catastrófico para o real frente ao dólar.

Queda do dólarFreePik

Ele ressalta, porém, que o cenário externo também tem peso sobre a cotação, especialmente diante das incertezas envolvendo os Estados Unidos e a possibilidade de agravamento do conflito no Irã.

Gasto vai definir o rumo do câmbio

Fernando Moulin, CEO e fundador do Polaris Group, professor e especialista em transformação digital e experiência do cliente, também associa a reação do mercado às expectativas em relação à política econômica do próximo mandato de Lula.

Para Moulin, investidores estão preocupados, principalmente, com a possibilidade de uma política fiscal expansionista, ou seja, sem medidas para controlar os gastos públicos. Nesse cenário, a percepção de risco pode aumentar, encarecendo o financiamento do governo e pressionando as taxas de juros.

O especialista avalia que juros elevados podem dificultar o crescimento econômico, aumentar o custo das dívidas de empresas e famílias e ampliar as despesas financeiras do próprio governo. Esse conjunto de fatores, segundo ele, pode contribuir para a desvalorização do real diante do dólar.

Moulin pondera que não é possível afirmar se a moeda americana vai superar R$ 6 ou recuar para a faixa de R$ 5,50. O comportamento do câmbio dependerá, entre outros fatores, das sinalizações sobre a política fiscal e das escolhas para os ministérios responsáveis pela economia e pelo planejamento.

Para Moulin, uma sinalização mais clara sobre o controle das contas públicas é um dos fatores que podem ajudar a reduzir a pressão sobre o câmbio. Entre as medidas apontadas por ele estão ajustes fiscais, revisão de despesas e iniciativas para melhorar a eficiência do gasto público.

Dólar chegou a R$ 6,19 em 2024

Cruz lembra que o dólar atingiu R$ 6,19 durante a crise fiscal de dezembro de 2024. A marca serve como referência para avaliar a intensidade da reação atual do mercado.

Dólar: da desvalorização no início do ano a um ensaio de força pós-conflitosREPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Na avaliação do analista, caso a moeda não volte a esse nível, o movimento poderá indicar que os investidores não estão precificando um cenário tão adverso quanto o observado naquele período, quando houve a instalação do “Novo Arcabouço Fiscal”, que elevou o gasto público.

Já o professor da Fundação Getúlio Fargas, Anderson Domingos, avalia que “não há motivo de fundamentação técnica” para a queda do Ibovespa e do real frente ao dólar. Segundo ele, no curto prazo, tende a reestabelecer os valores que estavam.

Até onde vai a alta do dólar?Conteúdo gerado por IA

Ele pontua ainda que a reforma tributária também será um fator determinante para o futuro do câmbio, já que com o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), o mercado já precificava uma reforma mais aos moldes do equilíbrio fiscal.

O que aconteceu

O mercado financeiro brasileiro começou a semana na data de hoje (26) com fortes oscilações após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar disparou, enquanto a Bolsa de Valores registrou uma queda acentuada, levando à interrupção temporária das negociações.

Por volta das 10h20, o dólar subia 12,06%, com a cotação em  R$ 5,5953, após atingir a máxima de R$ 5,6048. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu mais de 10% no início do pregão, acionando o chamado circuit breaker, que é um mecanismo de segurança automático da bolsa de valores, como a B3, que interrompe temporariamente as negociações quando o mercado sofre quedas muito bruscas e atípica.

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