Há comportamentos que deixam de ser episódios isolados e passam a revelar um problema de convivência. As atitudes de Demétrio Magnoli na GloboNews, marcadas por respostas atravessadas, demonstrações de superioridade e frequentes constrangimentos a colegas de bancada, vêm provocando há meses desconforto nos bastidores.
Relatos que chegam à coluna apontam para um desgaste que já não se restringe a uma ou outra divergência profissional. O episódio recente, por exemplo, quando Marcelo Cosme decidiu confrontar o comentarista diante das câmeras, tornou ainda mais evidente uma situação que há tempos incomoda quem acompanha o funcionamento do canal. Afinal, discordar faz parte do jornalismo. Humilhar, desqualificar e tratar o interlocutor com desprezo são outras coisas.
Existe uma diferença enorme entre ter conhecimento e precisar demonstrar superioridade o tempo inteiro. A inteligência não concede a ninguém uma autorização especial para ser desagradável. Pelo contrário: quanto maior a capacidade intelectual de alguém, maior deveria ser sua responsabilidade na maneira como se relaciona com os outros.
Quando uma pessoa transforma cada conversa em uma disputa de autoridade, cada discordância em uma afronta pessoal e cada intervenção alheia em uma oportunidade para distribuir patadas, talvez o problema já não esteja na falta de argumentos dos interlocutores, mas na incapacidade de conviver com opiniões que não estejam submetidas à sua própria vontade.
Um comentarista pode ser brilhante na análise e absolutamente desastroso na convivência. Uma qualidade não absolve a outra. E esse é caso relatado por colocaboradores da Globo News à coluna.
E há um detalhe que parece escapar à percepção de Demétrio, mas não dos colegas de trabalho: a GloboNews não é uma extensão da sala de estar, muito menos um território particular onde ele pode distribuir certificados de inteligência e constrangimentos conforme seu humor, que estava péssimo, por sinal, com a derrocada trumpista nos EUA.
Existe uma audiência do outro lado da tela. Pessoas que pagam uma assinatura, procuram informação, análise, contrapontos e jornalismo de qualidade. Ninguém paga televisão por assinatura para assistir a um profissional tratando os demais como se fossem inferiores. E não é de hoje! A divergência política, inclusive em relação ao cenário americano, não justifica destempero, assim como nenhuma convicção ideológica oferece salvo-conduto para a falta de educação.
O ambiente no canal em relação a Demétrio é péssimo. De fato, o telespectador não tem obrigação de participar de um ambiente de trabalho hostil que não é seu. Demétrio Magnoli precisa compreender uma coisa elementar: sua postura não constrange apenas os colegas de profissão, ela também desrespeita o público que sustenta a credibilidade e a audiência da emissora.
E a reação de tantos telespectadores nas redes sociais, criticando sua maneira de se comportar, deveria servir de alerta e observação. Existe um limite entre personalidade forte e arrogância, entre firmeza intelectual e estupidez, entre um debate contundente e a simples falta de respeito. Ultrapassar esse limite repetidamente não faz de ninguém um pensador mais respeitado, apenas um profissional mais difícil de suportar.
A GloboNews não precisa de comentaristas que confundam grosseria com genialidade. Precisa de jornalistas capazes de sustentar ideias sem transformar a convivência em um campo de constrangimento. E convenhamos: ninguém é obrigado a assinar um canal para pagar pelo privilégio de assistir à falta de educação dos outros, muito menos a do Demétrio Magnoli. Respeito é bom, e todo mundo gosta.






