A cantora Míriam Miràh é homenageada com um documentário

A cantora Míriam Miràh Reprodução – Foto Matheus Cavaliere – divulgação

Míriam Miràh era dona de uma das mais belas vozes brasileiras.

Em março, fará quatro anos que ela nos deixou.

Miriam foi uma das fundadoras do Tarancón e vocalista do Raíces de América, dois dos mais importantes grupos de música latina do Brasil.

Também merece registro a participação da artista, em 1985, no Festival dos Festivais da Rede Globo.

Ela chegou ao segundo lugar com “Mira Ira”, música que fez um estrondoso sucesso, marcando os anos 80.

Agora, no próximo dia 1° de fevereiro, às 17 horas, será lançado o vídeo Homenagem a Míriam Miràh, na Casa Sincopada, no Bixiga, em São Paulo.

Para falar sobre a produção, o lançamento e a importância de Míriam, entrevistamos Maetê Gonçalves, uma de suas filhas e atualmente vocalista do Tarancón.

Homenagem

Como surgiu o projeto do vídeo?

Homenageá-la é uma vontade antiga do meu pai, minha e das minhas irmãs, mas sempre foi muito difícil lidar emocionalmente com um projeto como esse enquanto família.

Pois é uma ausência muito repentina e muito dolorosa, não apenas da artista, mas da mãe, da amiga, da parceira, da esposa.

Ficou um buraco indescritível para nós.

Quem nos deu força para começar esse projeto foram Ana Stinghen e Francisco Prandi, músicos do Entrelatinos.

Eles procuraram o Jam Miranda com a ideia de fazer uma homenagem.

Logo que eu soube, propus para começarmos nós quatro. E fomos criando a base para esse projeto.

Em determinado momento, após a escolha dificílima do repertório, decidi fazer a homenagem em vídeo, para que pudéssemos colocar também nossos depoimentos e para que ficasse registrado.

Aí definimos o estúdio (Estúdio Baeta) e chamamos alguns convidados.

Quem são os participantes do projeto?

Além dos quatro que formamos a base, participaram minhas irmãs, Ana Ira e Regina Pedroso.

A Ana Ira é produtora cultural e nós duas estamos fazendo a produção do projeto.

Também, nos ajudando musicalmente desde o começo e como convidado especial, meu pai, Jayme Lessa, que foi o principal músico e parceiro da mãe por quase 40 anos.

Depois, ainda no âmbito da família, o marido da Ana Ira, Ramiro Gava, responsável pela captação de imagem e edição do vídeo.

E também meu companheiro, o trompetista Raôni Bento. Os dois passaram conosco a pior fase do nosso luto.

Sabem como foi difícil, e se somaram com prazer para ajudar nesse trabalho.

Para representar uma geração de cantoras e músicos que tiveram o trabalho da mãe como referência, chamamos a cantora e amiga Kátya Teixeira.

E para representar todos os músicos que tocaram com a mãe, bem como suas diversas parcerias musicais, chamamos o baixista Sidney Yshara (Sidão), que acompanhou a mãe desde antes do CD Cuba Nagô, e o melhor amigo dela e percussionista Jica Benedito, com quem a mãe fundou o grupo Tarancón.

Os participantes do vídeo Homenagem a Miriam MirahReprodução – Foto Fábio Ponce – divulgação

Na sua opinião, qual foi o legado de Míriam Miràh para a música brasileira e da América Latina?

Mamãe foi uma precursora, abriu muitos caminhos na música.

Fez e proporcionou muitas conexões musicais, influenciou muitos artistas, muitas mulheres. Tocou a alma de muita gente. E foi muito generosa.

Uma instrumentista impecável e uma cantora gigante. Ela é a voz da América Latina no Brasil. E eu sei que não foi nada fácil…

Atualmente você é a voz feminina do Tarancón, grupo que tem sua mãe como uma de suas criadoras. O que representa para você cantar no Tarancón?

Representa a continuidade de um legado. Pois eu carrego ela comigo no meu coração em cada palco que piso. E é uma honra pra mim.

Ela ficou muito feliz quando aconteceu e a alegria inicial se converteu em um sentimento de que nada seria mais natural do que isso, parecia fazer todo sentido.

E ela tinha muito orgulho, era uma mãe coruja.

Lições

Qual a lição musical mais importante que você recebeu de sua mãe?

Tantas… Acho que inicialmente vieram as lições mais relacionadas ao canto. Aquecimentos, dicas, técnicas, afinação, interpretação…

Outra lição que veio, desde quando comecei a me apresentar, foi a de respeitar o palco. Ela dizia “palco é palco, minha filha”.

Outras diversas lições são as coisas que eu aprendi com a convivência com ela, como mulher e artista, que são experiências que não têm preço.

Caminhos, erros e acertos de cada dia, coisas que entendo cada vez melhor conforme o tempo vai passando.

E não menos importante: o carinho e reciprocidade com as pessoas que tinham amor pelo trabalho dela e a generosidade gigantesca com outros artistas e grupos.

Também são lições pra vida inteira.

Míriam Miràh tocando charangoReprodução – Foto Sachiyuki Nishiyama – divulgação

Teremos outras apresentações do vídeo, além dessa na Casa Sincopada? Ele será disponibilizado nas redes?

Após o lançamento, vamos sim disponibilizar o vídeo de homenagem nas redes.

Homenagem a Míriam Miràh

Domingo (01/02) às 17 horas Casa Sincopada Rua Treza de Maio, 586, Bixiga, São Paulo Entrada gratuita

Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br  e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina 

Assista Míriam Miràh interpretando Mira Ira:

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