Daqui a alguns dias São Paulo terá a segunda edição do Festival Cumbia a Sol y Sombra.
Para aquecer os ânimos daqueles que querem curtir o festival, oferecemos uma entrevista com Homero Ontiveros, o líder da Cumbia Fuego, que fará a sua estreia no Brasil.
O artista mexicano fala de sua música, suas influências e sobre a música brasileira, além de contar o que o público pode esperar do show em São Paulo.
Histórico
No seu percurso profissional, você começou com outros ritmos musicais que não a cumbia. Como se deu essa passagem para o atual estágio com a Cumbia Fuego?
Tenho muitos anos tocando ska e reggae com a banda Inspector e, embora no México a cumbia sempre tenha estado presente, na verdade foi muito tempo depois que prestei atenção ao fenômeno cultural que ela é e a toda a riqueza musical que existe nela.
Quando descobri a orquestra de Lucho Bermúdez foi que me deu vontade de conhecer mais desse ritmo.
Então, primeiro estudei a história da cumbia e ouvi muita música para entender como ela era feita, antes de me decidir a formar este projeto.
Estudando tudo isso, entendi que tinha muita relação e proximidade com o reggae e a música da Jamaica.
Isso me ajudou muito a dar identidade a Homero y su Cumbia Fuego, que às vezes gosto de pensar como se fosse Jackie Mittoo tocando cumbia, pelo lugar predominante que o som do órgão tem.
O que significa, para as culturas da América Latina, a atual disseminação da cumbia por inúmeros países latino-americanos?
É muito bom que hoje se fale de cumbia no mundo todo, que se discuta e se conheça.
É verdade que ela se tornou uma moda para além dos círculos populares onde sempre esteve.
No entanto, acredito que também existe uma apropriação muito perigosa, em que se corre o risco de cair no clichê do exótico e não no do reconhecimento.
Ou seja, que mais do que reconhecer toda sua riqueza musical e cultural, ela se torne um produto “cool” e exótico.
A cumbia sempre foi o elo que conecta todos os países da América Latina, mas agora acho que ela foi além e me atrevo a dizer que a cumbia é o elo que conecta a América Latina com o mundo.
Qual a importância do músico colombiano Lucho Bermúdez em sua formação musical?
Para mim, a figura de Lucho Bermúdez é fundamental porque, como eu te falava antes, sua forma de abordar a música colombiana foi o que despertou minha atenção.
E embora meu projeto não seja uma orquestra, ele é sim influenciado pela figura de Lucho no sentido de que procuro “cuidar da melodia”, como ele fazia em seus arranjos.
Poderíamos muito bem dizer que Homero y su Cumbia Fuego começa com a música de Lucho Bermúdez e se desenvolve com a influência de organistas como Pacho Zapata, Jaime Llano González, Gabriel Mesa, Anan ou Tulio Enrique.
A Cumbia Fuego
Qual é o aporte musical da Cumbia Fuego para o gênero?
Não penso realmente em um aporte específico, além de tomar como voz principal o som do órgão, algo que quase não se faz mais.
Me ocupo em fazer música a partir do respeito e do reconhecimento aos diferentes tipos de cumbia que existem na América Latina.
Procuramos fazer o melhor possível e com a melhor atitude.
O que você conhece da cumbia brasileira?
Conheço o som de Felipe Cordeiro, um som nordestino que acho muito atraente. Academia da Berlinda e Camarones Orquestra Guitarrística são os que me lembro agora.

Essa será a sua primeira apresentação em palcos brasileiros. Qual é a sua expectativa em tocar no Brasil?
Sim, é a primeira vez que visitarei o Brasil e realmente estamos muito emocionados porque, dentro da minha formação musical, a música brasileira tem sido muito importante.
A Tropicália e seus artistas, por exemplo, me influenciaram muito como artista. Caetano Veloso é um dos meus artistas favoritos, além de Chico Buarque e Tim Maia.
Então estou muito feliz de ir pela primeira vez ao Brasil e levar para vocês a Cumbia Fuego.
O que o público brasileiro pode esperar de Homero y su Cumbia Fuego?
O público poderá esperar um set cheio de cumbia e de alegria, música que tenho certeza que os fará se sentir muito bem ao escutá-la ao vivo. Com certeza vão curtir bonito.
Quem são os integrantes da banda?
Os músicos somos: Homero Ontiveros (Hammond e voz), Panda (baixo), Mandril (guitarra), Rod Rob (guitarra), Abel (timbales) e Pepino (congas).
Não se esqueça
Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina
Assista o videoclipe de El Sonido de la Montaña com Homero y su Cumbia Fuego:







