Paul McCartney voltou a falar sobre a demora em sua entrada solo no Hall da Fama do Rock e admitiu que a situação lhe causou frustração.
Aos 83 anos, o ex-integrante dos Beatles revelou que recebeu a promessa de ser homenageado em 1995, mas a inclusão acabou não acontecendo conforme combinado.
Segundo relato publicado em entrevista concedida em 2015 e recentemente divulgada pela revista Vanity Fair, McCartney afirmou que o cofundador do Hall da Fama, Jann Wenner, teria garantido que sua introdução como artista solo ocorreria no ano seguinte. No entanto, o reconhecimento só veio em 1999, quatro anos depois da promessa inicial e cinco anos após John Lennon ter sido incluído na instituição.
O cantor explicou que o episódio começou quando Wenner entrou em contato pedindo que ele apresentasse John Lennon na cerimônia. McCartney aceitou o convite, mas ficou incomodado com a situação. Ele recordou: “Tivemos um desentendimento que não me tornou mais simpático a ele depois. Ele me perguntou: ‘Você aceitaria apresentar o John no Hall da Fama do Rock and Roll?’ E eu disse: ‘Sim, claro.’ Então desliguei o telefone. Pensei: ‘E eu? Não vou ser apresentado. Agora o John vai entrar.’”
De acordo com McCartney, a diferença de tratamento entre ele e Lennon após a morte do colega também contribuiu para o sentimento de insatisfação. Ele afirmou: “A questão é que John Lennon e McCartney sempre foram iguais.”
Ele acrescentou: “Mas, é claro, depois que John foi assassinado, ele se tornou o mártir — o Buddy Holly, o James Dean — por causa da atrocidade. Então, começou um revisionismo. E Yoko certamente contribuiu para isso. Jann teve um papel importante nisso… Agora, John era tudo. Ele era tudo nos Beatles. Ele era a força motriz por trás dos Beatles. Ele tinha feito tudo. Eu ‘apenas reservava os estúdios’. Não era verdade.”
Mesmo após aceitar apresentar Lennon, McCartney afirmou que recebeu a garantia de que sua própria homenagem aconteceria em breve. Ele relembrou a conversa: “Então eu disse: ‘E eu?’ [Wenner] disse: ‘Ano que vem. A gente faz isso com você no ano que vem.’ Eu disse: ‘Tá bom.’ E aceitei o acordo. O ano que vem chegou… Silêncio total.”
A inclusão solo de McCartney ocorreu apenas em 1999. Na cerimônia, sua filha Stella chamou atenção ao usar uma camiseta branca com a frase “ABOUT F****** TIME!” (Já era hora!), deixando clara a percepção da família sobre o atraso. Segundo ela, a mensagem “fala por si só”.
O músico comentou posteriormente sobre o episódio: “No fim, eu consegui entrar lá, e minha filha Stella estava usando uma camiseta que dizia: ‘Já era hora’… Então, no que diz respeito a Jann, eles me incluíram sim. Era ‘já era hora’ e tudo mais. Mas foi depois, e não quando me prometeram. Um contrato verbal não valia o papel em que estava escrito.”
A Vanity Fair informou ainda que Jann Wenner declarou não se lembrar de ter feito tal promessa a McCartney.
Quem é Paul McCartney
Paul McCartney é um cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor britânico, reconhecido como um dos nomes mais influentes da história da música popular. Nascido em 18 de junho de 1942, em Liverpool, na Inglaterra, ganhou projeção mundial como integrante dos Beatles, banda formada ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
Nos Beatles, destacou-se como baixista e um dos principais compositores. Ao lado de Lennon, assinou algumas das canções mais conhecidas do século 20. Após o fim do grupo, em 1970, iniciou carreira solo e também liderou a banda Wings, mantendo sucesso comercial e relevância artística.
Ao longo das décadas, lançou diversos álbuns, realizou turnês internacionais e acumulou prêmios importantes. McCartney também é conhecido por seu ativismo em causas ambientais e direitos dos animais.
Em 1997, recebeu o título de “Sir” da rainha Elizabeth II por sua contribuição à música.












