Hoje, 19 de agosto, faz 90 anos que o corpo do poeta Federico García Lorca foi encontrado, após ser fuzilado por militantes de extrema-direita.
As motivações do assassinato ainda são incertas.
Alguns dizem que foi porque ele era homossexual, outros, porque apoiava a Frente Popular, um movimento político progressista da Espanha.
Na lógica enviesada dos fascistas, isso significava que ele era um comunista.
Independentemente do motivo, nada justifica a barbárie cometida.
Início
Federico García Lorca nasceu em 05 de junho de 1898, em Fuente Vaqueros, província de Granada, em Andaluzia, sul da Espanha.
A presença de Lorca na cultura espanhola nas décadas de 20 e 30 do século XX foi muito forte, com proeminência na poesia e na cena teatral, tanto em Granada como em Madri.
Ele estudou Filosofia, Letras e Direito em instituições de Granada, Madri e na Universidade de Columbia, em Nova York.
A efervescência da época, plena segunda república espanhola, ditava novos comportamentos e formulava novas estéticas na arte.
Naquele período estavam surgindo, ou se consolidando, além de García Lorca, artistas como Salvador Dalí (artes plásticas), Manuel de Falla (música) e Luis Buñuel (cinema).
Poesia
A obra de García Lorca é muito vasta, apesar de seu pouco tempo de vida, pois morreu aos 38 anos.
Entre suas 12 obras poéticas, consideradas clássicos da literatura espanhola do século XX, temos Poema del cante jondo, Ode a Walt Whitman, Poeta em Nova York e Romancero gitano.
Este último retrata a cultura e a vida dos gitanos (ciganos) espanhóis e sua luta por sobrevivência.
Os versos dessa obra fogem dos aspectos folclóricos e, por vezes, preconceituosos com el pueblo gitano.
Teatro
Paralelamente à poesia, Lorca desenvolveu uma obra teatral de grande destaque.
Suas peças continuam sendo encenadas até os dias de hoje e muitas delas foram adaptadas para o cinema.
Entre elas temos Yerma (1934), Doña Rosita, a Solteira (1935), A Casa de Bernarda Alba (1936) e Bodas de Sangue (1933).
Essa última, uma das mais conhecidas, é a história de uma noiva que, no dia de seu casamento, recebe a visita de um ex-namorado e acaba fugindo com ele.
O fato desencadeia uma perseguição aos dois e termina de forma trágica.
Poemas musicados
Vários de seus poemas foram musicados. Destaque para os que o cantor Fagner gravou: “Verde” e “La leyenda del tiempo”.
No primeiro, Fagner dividiu o vocal com o músico Manzanita; já no segundo, o dueto foi feito com Camarón de la Isla.
Ambas as canções fazem parte do disco Traduzir-se.
Também se deve registar o disco Poets in New York (Poetas em Nova York), lançado em 1986, que reuniu artistas de vários países interpretando poemas do livro homônimo traduzidos para suas línguas.
É o caso do canadense Leonard Cohen, do escocês Donovan, do italiano Angelo Branduardi, além dos espanhóis Pepe e Paco de Lucia, Patxi Andión, Lluis Llach e Victor Manuel.
O Brasil está representado no álbum por Chico Buarque e Fagner que interpretam “A aurora” (La aurora) em português.
Esse belo disco é considerado atualmente uma obra cult, pela sofisticação dos poemas magistralmente musicados, e tornou-se uma peça disputada por colecionadores.
Filmes
No cinema, a peça Bodas de Sangue ganhou vida pelas lentes do cineasta Carlos Saura.
O filme, produzido em 1981, tornou-se em um dos mais icônicos do cinema espanhol.
Contou com a participação de dois grandes nomes do baile flamenco: Antonio Gades e Cristina Hoyos.
O sucesso possibilitou que Saura realizasse uma trilogia de flamenco com as obras Carmen (1983) e Amor bruxo (1986).
Como se vê, mesmo décadas depois de ter morrido, a obra de García Lorca continua impactando e influenciando várias gerações, tanto na poesia como no teatro.
Fica aqui nossa homenagem a um dos maiores poetas do século XX.
Não se esqueça
Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina
Assista o trailer de Bodas de Sangue de Carlos Saura:





